Editorial - Greves fracassam com direção oportunista

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Desemprego em alta, renda do trabalhador em baixa; repressão em alta, direitos dos trabalhadores em baixa; falsas promessas em alta, credibilidade do gerenciamento Dilma em baixa; corrupção em alta, saúde e educação em baixa: esta é a gangorra a que o povo brasileiro está submetido com o gerenciamento petista do velho Estado brasileiro. Entregando os anéis e os dedos para salvar algumas sinecuras, PT e pecedobê, pilotando a corporativização do movimento sindical, implementada por Luiz Inácio Mussolini da Silva, sabotam as categorias em greve até levá-las à derrota em suas reivindicações.

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A tática da nova pelegada é sabotar de todas as formas para esvaziar assembleias e melar a decisão pela luta combativa quando as massas estão muito ativas. Quando não podem impedir a greve, laboram todo o tempo para fazê-la fracassar em troca dos acordos mais tacanhos. Quando não deflagram greves, principalmente ao nível dos servidores públicos, com o único objetivo de desgastar o gerente de turno (prefeitos ou governadores por partidos opostos ao PT), usam os trabalhadores como massas de manobras em intermináveis manifestações e, em geral, buscam prolongar as greves em meses.

A tática da greve prolongada é para botar as massas à mercê de suas manobras, pois, quando os negociadores dos governos ameaçam cortar meses inteiros de salários, os pelegos negociam o não desconto dos dias parados, aceitando por fim à greve. Aí cacarejam que foi uma vitória não serem descontados os dias parados. É o truque de “botar o bode dentro da casa”, tal como foi o fim da longa e combativa greve dos professores do Paraná.

A cooptação das oito centrais sindicais pelo gerenciamento petista bota uma camisa de força nos trabalhadores brasileiros e praticamente tem impedido a deflagração da Greve Geral, única maneira possível de barrar as medidas antipovo, encaminhadas ao congresso pelos gerentes de turno nos últimos treze anos do PT e sua frente oportunista eleitoreira.

Para dar outro exemplo de como se repete o desgaste sofrido pelos trabalhadores, citemos o caso das universidades federais e estaduais. No primeiro semestre eram mais de sessenta universidades paradas. E, depois de 139 dias de greve, a volta ao trabalho aconteceu sem haverem conquistado suas reivindicações, pelo contrário, além de não obterem avanço em suas demandas, tiveram que correr atrás de negociações para evitar mais prejuízos como corte do ponto e desconto dos dias parados. Os servidores administrativos, muitos com mais de quatro meses parados, também encerraram a greve aceitando 5,6% a receber a partir de 2016 e 5% só em 2017.

Poderíamos citar, também, a greve dos servidores do INSS, cuja reivindicação de reajuste de 27% foi reduzida a cerca de 10% a ser paga em duas parcelas em 2016 e 2017. Isto depois de mais de setenta dias parados.

No momento em que escrevemos este editorial, iniciam- se as greves dos bancários e dos petroleiros, com suas direções mais preocupadas em salvar o PT e o que resta de seu gerenciamento. Muito provável que estas categorias vejam repetidas as traições que já ocorreram no passado, praticadas por estas mesmas direções. São greves “para inglês ver”.

Acontece que os burocratas, encastelados na maioria das entidades, administram as greves da forma mais despolitizada possível, sem mostrar para os trabalhadores o verdadeiro caráter deste Estado semicolonial brasileiro, e claro, de seu nefasto gerenciamento. Nenhuma palha sequer movem para que as centrais acordem a deflagração duma Greve Geral. Mas pretender isto seria exigir demais desta canalha que, juntamente com o latifúndio, a grande burguesia e o imperialismo, sugam o sangue da classe operária e do povo brasileiro.

Aos trabalhadores só resta dar aos pelegos o ultimato: “ou troteia ou sai do meio”. A hora é de decisão, de não amaciar o couro da pelegada, como bem fizeram os operários do Estaleiro Mauá, que puseram para correr os vendilhões de acordos do sindicato e da CUT. Criar o movimento pela Greve Geral em todas as categorias, aproveitando para varrer das direções sindicais a máfia carreirista e oficialista.

Este é o caminho de lutas nas cidades, que, unindo-se à combativa luta pela terra que travam os camponeses, mais acumula para a concretização de uma Revolução de Nova Democracia, Agrária e Anti-imperialista.

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