Breves notícias de Guantânamo: Ferocidades sob o IV Reich

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O diário britânico The Guardian relata os maus tratos que padecem os presos na base ianque de Guantânamo, território cubano invadido pelo USA. Segue um resumo das atrocidades contadas por alguns prisioneiros. Vale lembrar, a ONU jamais exigiu inspeções no campo de concentração de Guantânamo, nem mesmo que o USA se retirasse do território cubano.

Tentativas de suicídio, isolamento absoluto, proibição de falar ou rezar, injeções paralisantes, medicação forçada, interrogatórios sem fim, tortura psicológica e física, com deslocamentos brutais. O jornal britânico The Guardian publicou em dezembro uma descrição de 17 páginas sobre as condições de vida na base de Guantânamo. Durante um mês, o jornalista James Meek falou com poucos presos que foram autorizados a abandonar a base ianque, em Cuba. E reescreveu experiências de visitantes e internos.

Um dos testemunhos recolhidos é o do cidadão francês Nizar Sasi. Em um cartão que enviou a sua família, diz: "Se quiserem uma definição deste lugar, é que não se tem nenhum direito a terem direitos", explica Sasi, que cresceu em um subúrbio de Lyon e foi detido quando lutava com os talebans no Afeganistão. Sasi é um dos 660 presos da base, onde há pessoas de 40 nacionalidades e se falam 18 línguas.

Se quiserem uma definição deste lugar,
é que não se tem nenhum direito a terem direitos
Nizar Sasi

Falar é um luxo em Guantânamo. "Passei o primeiro mês em total silêncio", afirma o paquistanês Sha Mohamed, que já foi libertado. A maior parte dos prisioneiros chegou a Cuba procedente do centro de detenção de Kandahar, no Afeganistão. O longo vôo com escala eles realizaram encadeados ao chão da aeronave, com as mãos algemadas para as costas e o corpo imobilizado.

"Uma das coisas que se aprende dos americanos é que são muito violentos quando estão deslocando a gente", afirma Abdul Razaq, um paquistanês professor de inglês. "Me apertaram tão forte os pulsos, que durante dois meses não pude usar a mão direita. Te agarram pelo pescoço e te jogam dentro do avião de qualquer jeito", acrescenta Razaq. Alguns presos chegaram a Cuba com o nariz quebrado.

Me apertaram tão forte os pulsos,
que durante dois meses não pude usar a mão direita
Abdul Razaq

O Camp X-Ray, agora fechado, era um campo de concentração em toda a regra. O mundo inteiro viu as primeiras imagens dos presos, vestidos com macacões de cor laranja, as mãos e os pés atados com corrente, os olhos vendados, a boca amordaçada e os ouvidos tampados. Na etapa inicial, no Camp X-Ray se proibiu toda a prática do islamismo. "Durante o primeiro mês e meio não nos deixaram falar com ninguém, nem nos permitiram rezar em nossa cela. Só nos davam 10 minutos para comer. Quando quis rezar, quatro ou cinco guardas me espancaram."

"Depois de um mês e meio, nos declaramos em greve de fome", relata Mohamed Saghir, também paquistanês. Em alguns casos, os prisioneiros foram obrigados a se alimentarem a força. Em outras ocasiões, os guardas utilizaram gás paralisante. Ao final, se permitiram as rezas e distribuíram exemplares do Alcorão.

Com esta ação vingativa contra cidadãos inocentes
se pretende ocultar as perdas das tropas ianques e britânicas,
causadas pela legítima resistência iraquiana

A vida na base se desenvolve em pequenas celas de dois por três metros, feitas de malha de arame, o que impede toda a intimidade. Cada prisioneiro tem sido interrogado entre 10 a 20 vezes, com entrevistas de uns 90 minutos, o que supõe, segundo o The Guardian, 15 mil horas de transcrições e 200 milhões de palavras. Salvo exceções, as perguntas são sempre as mesmas. "Quem é Osama?"; "Conhece os líderes da Al-Qaeda?"; "Os viram alguma vez?"

Nenhum dos prisioneiros quis falar de torturas e agressões durante os interrogatórios. O pior de Guantânamo, asseguram os que saíram, é o isolamento e a incerteza. Os presos não sabem da guerra no Iraque. Os dirigentes do campo de concentração também não explicaram aos prisioneiros o porquê da perda de liberdade, e se serão processados ou definitivamente libertados.

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