Uma placa, seis ponderações

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Primeira ponderação

A opção errada feita pelo Brasil, incentivando o transporte rodoviário sem aproveitar devidamente a extensa costa marítima, os rios, não desenvolvendo um sistema ferroviário. Nossas ferrovias se limitam a ligar alguns pontos interiores ao porto, com a finalidade de escoar minérios e riquezas para o exterior. Nada de integração nacional!

Segunda ponderação

A placa indica 'Fiscalização Magna Engenharia Ltda.' Para que serve o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes? Entregar para terceiros a fiscalização? Isto deve ser uma atividade de governo, realizada por funcionários de carreira (concursados).

Ora, vejam! Uma firma executa a obra e outra fiscaliza. O governo onde fica? Como é feito o pagamento da empresa fiscalizadora?

Terceira ponderação

Financiadores: Banco Mundial e Bird.

O Brasil domina toda a tecnologia de estradas e nisto é reconhecido mundialmente, até porque foi obrigado a fazê-lo pela hipertrofia do sistema rodoviário.

Nestas obras de recapeamento e restauração rodoviária, operários, engenheiros, materiais, serviços, todos recebem o pagamento na moeda nacional — o real. Isto mostra que na hora da remuneração existe a moeda. Se ela aparece, por que o financiamento em dólar?

Vamos supor: um empréstimo de 100 milhões de dólares. Primeiro haverá a propaganda de que houve investimento externo neste valor. A seguir, os 100 milhões serão destinados ao pagamento de juros da dívida, acrescidos de juros, taxas, comissões e tudo o mais que for possível.

Portanto, trata-se de uma sórdida manobra que acarreta um único resultado: aumentar a dívida externa, acentuando a nossa dependência.

Aí, dirão: nós não temos dinheiro.

Como não temos? Ele apareceu na hora de todos os pagamentos, e é maior do que o emprestado. Os economistas teleguiados pelo sistema financeiro dirão que não podemos emitir moeda. Tem de haver lastro. Por quê? Desde a década de 70 o dólar não tem nenhum lastro, nenhuma correlação com riqueza. É apenas papel pintado aceito com valor virtual e manipulado.

Quarta ponderação

Há um entorpecimento geral, uma providencial "anestesia", principalmente nos que têm responsabilidades de governo, que não divulgam e não se dispõem a enfrentar a tragédia dos juros e da dívida.

A dívida em títulos do governo totalizou 728,31 bilhões de reais (JB), 50,19% corrigida pela Selic e 23,82% pelo câmbio. Apenas 11 bilhões estão destinados para investimento no orçamento para 2004. A dívida é mais de 70 vezes o investimento. Não há nada que justifique isso!

Quinta ponderação

O governo brasileiro não é voltado para o brasileiro, mas subjugado ao sistema financeiro. Também, não há nenhuma menção em bloquear estes empréstimos.

Sexta ponderação

Por que não usam o direito de senhoriagem?

É o direito secular, inicialmente dos senhores da terra, depois dos reis, e agora dos governos, de cunhar a moeda para as trocas.

A idéia preconceituosa divulgada é a de que emitir causa inflação, mas não há nenhuma observação quando há emissão de real para pagar obras financiadas com o dólar (lembramos que o dólar é papel pintado, não tem lastro).

Nas teorias econômicas há um consenso de que o investimento que acarreta aumento da base de arrecadação não é inflacionário.

Absurdo é o aumento desenfreado dos financiamentos externos obrigando crescentes contingenciamentos de investimentos e orçamentos para pagar as dívidas. Já estão mexendo até no Fundo de Participação dos municípios.

Os financiamentos externos e o volume da dívida criam um exército de fiscais estrangeiros que vêm bisbilhotar a nossa administração (e absurdamente nós permitimos). Estão substituindo os funcionários brasileiros por consultorias e até ongs. O governo brasileiro não é voltado para o brasileiro, mas subjugado ao sistema financeiro.

Baixar juros, auditar a dívida, bloquear os empréstimos desnecessários em moeda estrangeira, senhoriagem. Por que não fazem? O que entorpece os governantes?

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