Editorial - A família que diverge unida

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Impossível pretender que o Partido dos Trabalhadores (PT) seja, ou tenha sido, em algum momento partido de esquerda, em especial, partido revolucionário. Essa constatação, tão antiga quanto a fundação do PT, é para a sua direção, hoje, um elogio.

A falsa esquerda — esse ecumenismo de dirigentes do revisionismo contemporâneo, do ressuscitado trotskismo, da sobrevivente social-democracia, e toda a sorte de convertidos e assimiladores nativos das teorias da subjugação nacional — tem no PT que erigiram um modelo do qual não conseguem se livrar. O PT exerce um papel protagônico na falsa esquerda pela simples razão de que ele, entre outras coisas, é um partido estatal e não apenas eleitoreiro. É certo que se faz acompanhar de outros, nessas condições, mas seu status cresceu enormemente, a ponto de deter a hegemonia entre os demais partidos parlamentares.

O PT alcançou a graça a que fez jus. Os que conduziram essa rede (PT, CUT, MST, etc.) foram os mesmos que deflagraram campanhas contra as frentes de oposição à irmandade imperialista, latifundiária e burocrática, dirigiram a luta econômica pelos caminhos das negociações mínimas, tornaram administráveis as greves, criaram uma “oposição sindical” para guindar outros pelegos às diretorias. Essa mesma rede articulou a filiação da Central Única dos Trabalhadores à Ciols, reinventou a denominação de sem-terra, retirando o caráter de classe do movimento camponês.

Surpreendem-se as direções dissidentes quando a nova gerência firma acordos com o FMI, prossegue as negociações com a Alca “contrariando o plebiscito popular”, aprofunda o arrocho salarial e elimina direitos como os da Previdência, etc., etc.

Os dissidentes petistas fingem desconhecer que o Brasil ingressou na Organização Mundial do Comércio em dezembro de 1994 — tudo numa única semana, sem quorum e sem que o processo fosse analisado; um dos mais vergonhosos episódios daquela casa homologatória. Suplicy, que mantinha o cargo de senador, se ausentou no dia. A partir daí, outros “acordos” se tornaram obrigatórios.

Os dirigentes, petistas e dissidentes fingem desconhecer que as semicolônias estão, desde então, desautorizadas a se opor ao Nafta, ao Mercosul, sendo que a Alca entrará em vigor em 2005, plena e impreterivelmente. Tudo como desdobramento do “Acordo” que recusam romper, inclusive o de transformar o continente num conjunto de protetorados, objeto de todas as atuais “reformas” antitrabalhistas e antipovo. Portanto, plebiscito para quê?

Foram necessários seis meses de governo, mas não bastariam 24 anos de trajetória para entender que a direção petista traía o povo? Por que não vão a fundo nas suas críticas? Quem acredita em tanta inocência?

II

As direções dissidentes, sem exceção, falam de constituir um novo partido resgatando “muitos pontos dos programas originais petistas”, bandeiras “anticapitalistas e antiimperialistas”.

Na Plataforma Política do movimento pelo PT, em 1979, havia entre os pontos fundamentais o que invocava a erradicação dos “latifúndios improdutivos”. Mas não queria erradicar coisa alguma. Nada revelava disposição para modificar as relações sociais de produção no campo, de passar às mãos dos camponeses os grandes meios de produção, exceto a tal propriedade “improdutiva”. A expressão agregada a latifúndios é pura adulteração de conceitos. A questão é: extinção do latifúndio!

Prometiam estatização. Mas que tipo de Estado a faria? Sequer se referiram à autodeterminação das nações. Prometiam “respeito ao direito das minorias raciais”, um conceito de minorias nacionais e etnias flagrantemente racista!

Ao dizer que se o “regime autoritário” fosse substituído por uma democracia formal e parlamentar apenas, de pronto seria derrubada por outras formas autoritárias, então, por que convocavam “uma Assembléia Nacional Constituinte”?

Irmanados, a burguesia burocrática, a oligarquia latifundiária e o Imperialismo não necessitam mais aparentar defensiva nem gradualismo democrático. Agravam as condições de trabalho, salários, garantias trabalhistas e previdenciárias, estimulando os colaboracionistas, o banditismo e as oposições de conveniência.

Novos partidos de “trabalhadores”, “alternativos”, junção de “tendências permanentes para unificar a esquerda”, etc., não são mais que generalizações e abstrações anticientíficas assegurando que jamais seguirão programa algum, exceto o do fracionamento. Por que não agem da mesma maneira nas King Ongs e frente às doutrinas do cosmopolitismo imperialista? Há duas décadas os quadros petistas se tornaram dirigentes de ONGs (aquelas que substituem organizações classistas por “delegados”) e dedicados auxiliares das King Ongs.

Ao final, acusam a (já) desmascarada direção do PT de stanilista, numa tentativa de confundir comunistas com fascistas, de confundir a imagem de Stálin com Hitler, Mussolini, Bush e outros bandidos. Educadas no anticomunismo mais raivoso, essas direções “dissidentes” se igualam às do PT que também professam o anticomunismo (principal instrumento ideológico do imperialismo), portanto, antipopular e antidemocrático. Por isso, seu “partido plural” segue não tendo caráter de classe, ideologia e programa, passado, identidade proletária, personalidade nacional.

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