Palestina: Israel fascista incrementa extermínio

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Desde o início de outubro, cerca de 50 palestinos foram assassinados pelo exército de Israel fascista ou pelas mãos de colonos fundamentalistas judeus. Isto, que o monopólio da imprensa burguesa chama de “atual onda de violência” na Palestina, só pode ser compreendido sob a ótica do processo de genocídio a céu aberto do povo palestino, levado a cabo com patrocínio e auxílio do USA e sob a cumplicidade da “comunidade internacional” — este processo antigo e incessante mediante o qual o Estado criminoso de Israel visa extirpar da Palestina os palestinos, ou seja, os verdadeiros donos ancestrais daquele chão.

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Nos últimos anos o sionismo vem castigando a Faixa de Gaza com intensificações de grandes banhos de sangue, levados a cabo em intervalos de tempo cada vez menores. Não é necessário voltar muito tempo para recordar “operações” de morte e destruição em Gaza, batizadas pelo fascismo-sionismo com nomes como “Chumbo Fundido”, realizada entre o final de 2008 e início de 2009, e “Margem Protetora”, em 2014, que assassinaram milhares, feriram dezenas de milhares e desalojaram centenas de milhares de palestinos.

Agora mesmo, o que faz Israel fascista, com a escalada das provocações envolvendo a mesquita de Al-Aqsa e a expansão desenfreada da ocupação da Cisjordânia por judeus fundamentalistas fortemente armados, senão tentar criar as condições objetivas e ideológicas para mais uma rodada de extermínio em massa?

Tudo pela via de um exército munido com o que há de mais “moderno” em termos de equipamento desenhado e produzido para esmagar e dizimar, o que Israel tem em mãos graças, em grande parte, ao total de US$ 30 bilhões em “ajuda militar” que o sionismo recebeu e receberá do USA entre 2009 e 2018.

No âmbito do genocídio planejado desde a fundação da Agência Judaica (ver box), o sionismo precisa desses massacres periódicos em Gaza como complemento óbvio e lógico ao extermínio pontual e cotidiano, sobretudo, de jovens árabes que se revoltam com tanta humilhação e achaque na Cisjordânia e em Jerusalém. Quando um altivo jovem palestino enfrenta um soldado de Israel que o humilha ou agride, invariavelmente é morto a tiros certeiros e fatais, e a notícia de sua morte é repercutida pelo monopólio como “legítima defesa” contra um ataque com faca — bem à moda dos “autos de resistência” que mascaram com ares de legalidade o extermínio de jovens pobres pela polícia militar na cidade do Rio de Janeiro. Desde o início de outubro, muitos jovens na Palestina perderam a vida assim.

Aliás, também em Israel, o fascismo está em campanha pela redução da maioridade penal, visando enquadrar e trancafiar como “terroristas” os muitos jovens resistentes palestinos em cenário no qual até crianças e adolescentes dizem “presente” na luta pela libertação da sua terra do terrível jugo do sionismo. A lei está sendo preparada pela “ministra da Justiça” de Israel, Ayelet Shaked, e os facínoras do sionismo querem acelerar sua aprovação a tempo de que o jovem Ahmed Manasra, que tem justamente 12 anos de idade, saia do hospital diretamente para a prisão. Ahmed, junto com seu primo Hasan, de 15 anos, foram perseguidos pelas ruas de Jerusalém depois de protagonizarem, segundo Tel-Aviv, um ataque com facas contra cidadãos de Israel no início de outubro. Hasan foi executado pela polícia e Ahmed foi atropelado e linchado, tendo sido depois levado para o hospital.


Sionismo, fruto doente do nazismo

O facínora Benjamin Netanyahu, “primeiro-ministro” de Israel fascista, no último dia 20 de outubro, cometeu discurso afirmando que Adolf Hitler só teria se embrenhado no extermínio de judeus depois de receber a sugestão da “solução final” de Haj Amin Al-Husseini, antigo líder nacionalista e religioso palestino. Este trecho do livro “O Apartheid de Israel” (Editora Alfa-Ômega, 2001), de Nathaniel Braia, mostra quem sugeriu o quê a quem, entre outros restabelecimentos históricos que desmentem a mais rasteira contrapropaganda sionista.

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Mesmo fazendo um grande esforço de divulgação, a organização fundada pelos sionistas para forjar Israel — a Agência Judaica — não conseguiu entusiasmar os judeus a deixar seus países de origem, onde seguia, inexorável, seu processo de integração.

Vinte anos depois do Congresso de Basileia (onde as ideias do sionismo haviam sido oficialmente lançadas), o número de judeus na Palestina era de apenas 40 mil, incluindo imigrantes e moradores autóctones (grande parte dos quais não-sionistas), enquanto que o número de árabes era de cerca de 600 mil.

O movimento lançado por Theodor Herzl, autor do livro “O Estado Judeu”, considerado o fundador do sionismo, apresentava sinais de desalento e de divisão interna. Era um grupo minoritário e pouco expressivo e conseguia forçar um movimento migratório de apenas seis mil pessoas por ano, em média. Neste “ritmo”, nem em cem anos igualar-se-ia à população palestina em número, pois a mesma não pararia de crescer. A migração de judeus, em direção à Palestina, só se tornou um fator expressivo para mudar a correlação populacional naquela região depois do advento do nazismo e do fascismo.

Menachen Begin, líder do grupo terrorista Irgun e, depois, primeiro-ministro de Israel, afirmaria que, “sem o nazismo, não teria sido possível a criação do Estado de Israel”.

Ou seja, não se pode dizer que o Estado de Israel nasceu de uma necessidade objetiva dos judeus do mundo inteiro, os quais, hoje (diferentemente da época da civilização hebraica), são simplesmente comunidades espalhadas por diferentes países, tendo, no fundo, a religião como única identidade comum determinante.

Muito ao contrário: diversas lideranças e comunidades religiosas resistiram durante décadas ao sionismo, como coisa que as isolava e criava tensões em relação a seus países e aos povos aos quais pertenciam.

Desesperados e isolados, os recaldados líderes sionistas, que, como vimos, haviam introjetado a ideologia colonial, e que não haviam conseguido respirar a amplitude e encarar os reais e profundos desafios que a vida lhes propiciava  após a saída do gueto, vislumbraram a nefasta aliança com o nazismo como tábua de salvação providencial.

Para conseguir o seu intento, e quando iniciavam sua sanguinária trajetória de agressão ao povo palestino, os líderes sionistas não vacilaram em participar, ainda que de forma indireta, do massacre dos próprios judeus — uma história que seus protagonistas tentam desesperadamente esconder, pois é exatamente a história que desmascara, de forma mais clara e profunda, a verdadeira face do sionismo. Não como seus líderes a idealizaram, mas aquilo que ela realmente é.

Os sionistas alegarão, em sua defesa, que não havia forma mais lúcida de agir do que negociar com os nazistas para obter, assim, a salvação de uns poucos judeus, em troca do silêncio e da passividade.

Sabemos, no entanto, e o exemplo é do próprio Gueto de Varsóvia, que, de todos os crimes, a colaboração com o inimigo é o que não merece complacência, não importando o que os traidores aleguem em sua própria defesa. A luta dos povos, em todo o mundo, e a do Gueto de Varsóvia, em particular, demonstram que diante dos colonizadores e dos opressores, diante de regimes como o dos nazistas, só há um caminho a seguir para os que se dizem lideranças de um povo sob o tacão do opressor: resistir, lutar e enfrentar o inimigo. Não foi isso o que os sionistas, que se auto-intitulam libertadores nacionais dos judeus, fizeram. A história dos sombrios anos do nazismo e da sombria atuação dos sionistas, no período, revela o contrário.

Em 1936, com o fascismo e nazismo em plena atividade, Haim Weizman — maior representante do sionismo antes do Estado de Israel e o seu primeiro presidente, extremamente próximo de Ben Gurion — reuniu-se quatro vezes com Mussolini. Numa das entrevistas, descritas por Weizman como muito cordial, o Duce proclama: “Vocês devem criar um Estado judeu”.

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