O Brasil precisa de uma nova cultura

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"Destruir o velho mundo, construir o novo mundo". Os Guardas Vermelhos da Revolução Cultural na China

Muitos setores dos movimentos populares — e inevitavelmente as massas — enxergam na cultura uma imparcialidade do ponto de vista das classes, como se a cultura de um determinado tempo e lugar fosse uma expressão de toda a população e não servisse objetivamente aos interesses de grupos. Enxergam a expressão cultural como uma expressão completamente vazia, “cheia de vácuo”, no que diz respeito à luta de classes. Isso leva a conclusões cruas por partes destes movimentos e até mesmo a reprodução da cultura que hoje se apresenta no Brasil. Já as massas, com a incompreensão deste assunto por parte dos movimentos populares, se tornam ainda mais reféns da cultura imperialista.

A cultura também toma partido na luta de classes

Numa sociedade dividida entre classes opostas e que se enfrentam constantemente em lutas econômicas e políticas, tudo que gira em torno dessa sociedade é norteada por um posicionamento de classe. As coisas aparentemente mais insignificantes são reflexos da luta de classes e tomam posição nela, tanto as atitudes individuais no cotidiano como os posicionamentos políticos; igualmente, a cultura é reflexo da luta de classes. Se é reflexo desta luta, e essa luta é dividida em dois polos (no Brasil, é entre povo — operários, camponeses, pequena-burguesia e setor à esquerda da média burguesia [ou burguesia genuinamente nacionalversus classes feudais-burocráticas [latifúndio, grande burguesia burocrática e grande burguesia compradora e setor à direita da média burguesia – que são subsidiadas pelo imperialismo]), então a cultura sempre toma partido em um dos lados.

O que temos de cultura predominante, hoje, no Brasil? Uma cultura bombardeada pelo lixo cultural imperialista que exalta o individualismo em detrimento do coletivo; impõe uma moralidade degenerada que consiste em objetificação dos homens e particularmente a objetificação sexual da mulher, o incentivo à fuga da realidade através das drogas (álcool, maconha, cocaína, etc.), a manutenção do racismo entre as massas que no Brasil têm interesses políticos e econômicos comuns; etc. Essa cultura serve a que grupo de classes? Grande burguesia, latifúndio e imperialismo.

A dominação das velhas classes ocorre também na dominação cultural

Todos esses aspectos da velha cultura imperialista que citamos são precisamente instrumentos ideológicos da grande burguesia e do latifúndio, ditados pelo imperialismo. Não há instrumento mais poderoso de propagação de ideias, de uma moralidade, costumes, hábitos e condutas do que a cultura. Através da cultura podre as classes dominantes impõem às massas populares ideias hostis aos interesses destas últimas, que incentivam os desvios, desrespeito, a passividade, o desinteresse político-ideológico, e perpetuam-se no Poder sem maiores problemas. É o que Karl Marx chamou de superestrutura.

Os recorrentes casos de excessos no uso de entorpecentes, por exemplo, é uma demonstração absolutamente clara de como o imperialismo impõe entre a juventude a passividade. Com discursos como “tal droga é menos perigosa”, impõem, sobretudo à juventude, o desvio da luta política (leia-se luta pelo Poder às classes populares) em direção ao abismo profundo do egoísmo e da busca insaciável por prazeres individuais.

Essa cultura imperialista será sempre mais forte do que a cultura popular à medida que as classes dominantes que propagam essa cultura podre estiverem no Poder. Enquanto elas tiverem poder sobre a economia e sobre a política, terão também poder sobre os meios de comunicação e a indústria cultural. Através desses instrumentos, seu lixo cultural terá sempre maior alcance e maior aceitação. Pelo fato destas classes organizarem a sociedade e impor seu modo de ver o mundo para todas as outras, ocorre que as massas populares não enxergam a podridão dessa velha cultura, não conseguem ver que esta cultura não lhe pertence e que serve aos seus inimigos. É assim que a dominação cultural serve ao Poder dessas classes.

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O oportunismo joga contra

Não é estranho ver as várias siglas da “nova esquerda” utilizarem de bandeiras individualistas que os comunistas e democratas sempre combateram (expressamente, a questão das drogas) para alcançarem as suas poucas porcentagens na farsa eleitoral. O oportunismo incentiva indiretamente os desvios mais perniciosos para a luta revolucionária com o álibi de “organizar as massas de acordo com seus desejos”, “organizar a juventude com bandeiras atrativas” e outras canalhices.

Deste exemplo se pode notar a quem serve a velha cultura e moralidade: se o oportunismo — que é o melhor amigo do imperialismo contra a luta das massas — toma uma posição, provavelmente devemos ser contra.

Por uma nova cultura que sirva às massas

Se a cultura que hoje nos é imposta, que pode se resumir no individualismo, serve aos grupos de poder, então não devemos nos acomodar na luta cultural. A tarefa, na frente cultural, das várias classes revolucionárias no Brasil é constituir uma nova cultura dirigida pelo proletariado e rechaçar todo o lixo cultural que vem do imperialismo. É precisamente recolher todos os fragmentos da nossa rica cultura sertaneja, dos pampas, dos camponeses, do povo preto, de todas as lutas do campo e cidade que vêm resistindo há séculos e, assim, edificar a Nova Cultura autenticamente nacional, democrática, revolucionária e de massas; cultura essa fundamentalmente diferente da cultura imperialista.

Nossa tarefa imediata é pregar pelo coletivismo e desenvolver este em todas as frentes da vida cotidiana: nos costumes, na moralidade, hábitos, condutas e ideias. É objetivamente combater o egoísmo, o uso de drogas e os excessos; desenvolver uma nova moralidade, uma moralidade comunista e íntegra que nos diferencie do lixo cultural imperialista.

Aplicar a luta de duas linhas em nós mesmos

Sempre dissemos: o inimigo pode falar a nossa língua, vestir a nossa farda, comer da mesma maneira que nós, pode dar vivas à FRELIMO, até gritando mais do que nós. [...] O que ele nunca pode, não é capaz, é de ter o nosso comportamento, viver a nossa linha política.

Não pode o inimigo abandonar os vícios que o caracterizam. Vejamos quais: o desprezo pela mulher, o espírito de conforto, a ambição pessoal, o alcoolismo.

Não é capaz de respeitar o Povo.

Não pode deixar de ser tribalista, não pode deixar de ser regionalista, confusionista, divisionista, racista.

Essa é a característica do inimigo.

Samora Machel,  dirigente da FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique) e da luta de libertação do povo de Moçambique

Construir uma nova cultura não é absolutamente fácil. Justamente por isso que os comunistas, democratas e todos os interessados na libertação do nosso povo devem sempre rechaçar os velhos costumes, as velhas práticas, os velhos desvios, tanto para os outros quanto para si mesmos. Devemos ter em mente que nós estamos nadando constantemente no sentido contrário de uma praia, que é repleta de degeneração e de ideias burguesas; em alto-mar, com a correnteza sempre nos arrastando para o ponto de partida, não temos alternativa se não o tempo todo nadar, e a cada braçada não dada nos afastamos mais do nosso objetivo e nos aproximamos mais da degeneração. Perseverar é a palavra de ordem; influenciar nossos companheiros e servir de exemplo às massas para melhor servir a elas deve ser nossa prática. Assim, levantar alto a bandeira de uma nova cultura e moral revolucionária!

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