Tocando e atuando música brasileira

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Cantor, compositor, instrumentista, ator e pesquisador de música brasileira, o samba, Alfredo Del-Penho já passou pelas principais casas de samba do Rio e Niterói. Versátil, ele trabalha dois discos lançados este ano, um instrumental e outro cantando sambas, toca em rodas com seu grupo Samba de Fato, e viaja pelo país com as peças Gonzação a Lenda e Ópera de Malandro.

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Comecei meu trabalho de música informalmente, em rodas. Sou de São Fidélis, uma cidade do interior do Rio de Janeiro. Com 2 anos de idade fui para Niterói, onde morei até os 26 —conta Alfredo.

A música que ouvia na minha casa era a que tocava no rádio, em geral música internacional, que a TV divulga, de novelas etc. Então já foi mais tarde que comecei a me envolver com o samba, frequentar as tocatas, as serestas, as serenatas em Niterói, que é uma cidade com uma profusão de músicos.

Por conta de frequentar os bares, entre eles, o Candongueiro, que foi uma das primeiras casas de samba que toquei, e outros, comecei a me envolver mais, conhecer o repertório, os compositores clássicos, e a estudar o samba —acrescenta.

E de estudar o gênero, Alfredo passou a fazer algumas composições, e a encontrar obras, de outros autores, que tornaram-se  de sua predileção

Assim juntei um repertório e gravei esse meu primeiro disco cantado, o Samba Sujo, que estou trabalhando atualmente. Escolhi o nome, porque como diz o Ney Lopes, pesquisador e compositor, o samba não é somente um gênero, ele é um processo civilizatório —expõe.

Tudo que cerca o samba, a maneira de se relacionar com as pessoas, a dinâmica de uma roda, onde se precisa saber jogar com o outro, saber encadear um repertório, ter um conhecimento grande de repertório de música brasileira, etc., tudo isso é tão forte quanto a questão do gênero.

A ideia de Alfredo é que as pessoas pudessem ouvir em seu disco algo mais que um gênero musical.

Queria que elas ouvissem essa poeira sonora da roda de samba, que eu participo tão de perto. Que aparecesse ali todas essas outras coisas que são samba, mas que não são o gênero musical —explica.

O estúdio é um lugar, um espécie de confinamento, que faz com possamos escutar absolutamente tudo, cada respiração. E isso faz com que ficamos um pouco obsessivo em relação a limpeza, a afinação.

É uma regularidade que muitas vezes tira a espontaneidade da criação. Tira coisas como uma respiração, que na verdade são interessantes, e que dão esse balanço, essa sujeira que é samba.

Alfredo conta que fez questão que os músicos conhecessem as composições antes de irem para o estúdio, e que todos participassem da concepção, trazendo suas ideias para o trabalho.

O repertório tem músicas minhas e de outros compositores, que não são parceiros meus. Algumas da década de quarenta, até música dos contemporâneos, de músicos com quem toquei na Lapa. Músicas que aprendi lá na Lapa, e trouxe para o disco — relata.

É um repertório bem variado e que tem não só muitos temas, como também muitos subgêneros do samba, que são o samba-choro, partido alto, samba sincopado etc. Enfim, tudo é samba, mas, são gêneros diferente —continua.

Cantando, tocando e interpretando

Ao mesmo tempo que lancei o Samba Sujo, lancei também um disco instrumental, chamado Pra essa gente boa, um CD todo autoral. Frequentando as tocatas de Niterói, tocava também muito choro, e desenvolvia uma linguagem de composição —diz Alfredo.

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Esse instrumental tem diversos gêneros, desde maxixe, samba, choro, até música contemporânea etc. E por conta desse trabalho de música, principalmente música de carnaval e música brasileira, fui chamado para fazer meu primeiro musical, o Sassaricando — conta.

Assim comecei a me interessar pelo teatro. Estudei na CAL, Casa de Artes Laranjeiras, e continuei fazendo outras coisas paralelas com teatro, música e dança.

Atualmente, Alfredo tem uma companhia de teatro, com duas peças de trabalho.

É a Cia Barca dos Corações Partidos. Foi um trabalho que surgiu quando fomos a peça Gonzagão a lenda, que é um musical que já está três anos em cartaz. Nós fizemos uma série de treinamentos entre nós, uma iniciativa nossa para o espetáculo —fala.

Nisso desenvolvemos uma maneira de trabalhar, com pesquisa de linguagem, e continuamos o nosso trabalho. Essa peça, Gonzagão a lenda, é o nosso espetáculo mais antigo, já fizemos em vários teatro do Rio de Janeiro e muitos outros estados do Brasil.

Nos apresentamos em teatros fechados, Sescs, viajamos com essa peça fazendo em palco aberto, já fizemos para mais de 20 mil pessoas. Enfim, trabalhamos bastante e continuamos em atividade —acrescenta.

A Cia Barca dos Corações Partidos, segundo Alfredo, realiza um trabalho de teatro musical baseado nessa pesquisa da música brasileira.

É um trabalho mais artesanal, mais poético. E todos nós na companhia temos  muitas funções, fazendo muita coisa. Eu trabalho como ator nas peças, e trabalho também como músico, fazendo arranjos, tocando instrumento. Temos Gonzagão a lenda, e Opera do malandro, do Chico Buarque.

No momento estou fazendo essas duas peças, com a minha companhia de teatro. Agora nós estamos viajando o Brasil, este mês vamos para Aracaju, Recife, Salvador e Porto Alegre. E estamos também preparando um novo espetáculo —avisa.

 E junto com esse trabalho teatro, Alfredo faz o de músico, tudo ao mesmo tempo, misturado.

Já estou com 15 anos de música, mas este ano foi o primeira vez que eu lancei disco solo. O Samba Sujo já teve lançamento no teatro João Caetano, aqui no Rio, já o Pra essa gente boa, ainda espera o lançamento na cidade.

Estou fazendo muitos shows do Samba Sujo e compondo bastante. Também fazendo muitas rodas de samba pela cidade com o meu grupo, que é o Samba de Fato—continua.

O grupo Samba de Fato é composto pelos excelentes músicos: Pedro Amorim, Pedro Miranda, Paulinho Dias, além de Alfredo Del-Penho.

Também estou assinando a direção musical do espetáculo Por amor ao mundo, em cartaz no CCBB Rio. Enfim, estou trabalhando bastante, fazendo com que a nossa arte chegue onde possamos levá-la. É um momento bem especial para mim — finaliza.

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