Notas de protesto pelo Brasil

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SP: professores e estudantes em luta contra fechamento de escolas

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Estudantes enfrentaram a repressão da PM de São Paulo no dia 15 de outubro

Na tarde de 20 de outubro ocorreu mais um protesto de professores e estudantes da rede pública na capital paulista. Eles lutam contra a chamada “reestruturação” do ensino público promovida pela gerência estadual de Geraldo Alckmin (PSDB) — em comum acordo com a política anti-educação da “Pátria Educadora” de Dilma Rousseff (PT) — que prevê o fechamento de centenas de escolas, demissões de funcionários e professores e superlotação de salas de aula. O Comitê de Apoio ao AND em São Paulo fez a cobertura do protesto e distribuiu exemplares das últimas edições do jornal para a população.

Ao final do ato, a presidente da União Nacional do Estudantes (UNE), a governista Carina Vitral, recebeu uma sonora vaia dos manifestantes ao subir no carro de som. Isto mostra que, apesar do fato de que as organizações governistas convoquem atos como o de 20 de outubro, as bandeiras de luta das massas não têm dono e elas sabem reconhecer quando o oportunismo tenta cavalgá-las.

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Jovens atacam a sede do governo estadual com fogos de artifício e objetos

Cinco dias antes, 15/10, Dia dos Professores, um grande protesto estudantil já havia tomado as ruas. Esta manifestação obteve ampla repercussão nacional, pois os jovens enfrentaram a Polícia Militar e atacaram a fachada do Palácio Bandeirantes, sede do gerenciamento estadual. Inúmeras outras manifestações e atividades contra o fechamento das escolas foram realizadas no dia 23 e durante todo o mês de outubro em diversas regiões de SP.


BA e AL: protestos contra a falta de ônibus

Na manhã de 19 de outubro, estudantes bloquearam algumas ruas do município de Rio Largo, na região metropolitana de Maceió, em protesto contra a falta de transporte escolar. Durante a manifestação, uma barricada de pneus foi incendiada em via pública.

No mesmo dia, uma manifestação de moradores fechou a Avenida Afrânio Peixoto (Suburbana), em Salvador, Bahia. A população denunciou problemas para encontrar transporte público. A Secretaria de Mobilidade Urbana de Salvador (Semob) havia confirmado a redução da frota de ônibus em 30% na região durante aqueles dias devido ao feriado do dia dos comerciários. No entanto, a má qualidade dos transporte é um problema que os trabalhadores enfrentam diariamente.

Três dias depois, 22/10, os trabalhadores, mais uma vez, fecharam a Avenida Afrânio Peixoto. Desta vez, uma barricada de pneus foi colocada no meio da rua e incendiada. Segundo informações, os manifestantes se revoltaram contra a apreensão de um transporte alternativo.


MT: 22 detidos em manifestação

Vinte e duas pessoas foram detidas numa manifestação realizada durante votação na Câmara Municipal de Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá, no Mato Grosso. Na ocasião, vereadores aprovaram uma lei que autoriza a prefeitura a contratar uma Organização Social para gerir uma Unidade de Pronto Atendimento sem data para ser inaugurada. Durante o protesto, em resposta às provocações da segurança, manifestantes quebraram uma porta de vidro e lançaram objetos. O monopólio da imprensa, em particular a Rede Globo, tentou criminalizar os jovens, os taxando de “vândalos”. No entanto, para este mesmo monopólio da imprensa burguesa, os vereadores inimigos da saúde não são considerados vândalos. Estes sim que provocam o ‘quebra-quebra’ contra o povo.


RJ: debate sobre educação e resistência

A Organização de Resistência Classista (ORC-RJ) e o Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação (Moclate) participaram de um debate de formação política no dia 22 de outubro, na Tijuca, Zona Norte do Rio, com o tema ‘Educação e resistência: as lutas de 2013 e 2014, a criminalização e a burocratização dos movimentos sociais’. Na convocação do debate, os organizadores afirmavam que “Diante de tal conjuntura de perseguições, ajustes fiscais, criminalização do povo que luta por direitos e precarização dos serviços públicos, se faz necessário discutirmos e nos armarmos para todos os ataques que estão acontecendo e que ainda virão… Assim, a organização e luta dos trabalhadores para a manutenção e conquista de novos direitos se faz fundamental. Porém, devemos construir um novo modelo de sindicalismo”. Este evento foi mais um passo no fortalecimento dos setores combativos do movimento de professores que apontam um caminho classista para sua luta.


RJ: protesto de motoristas em Araruama

Motoristas e usuários do transporte alternativo de Araruama, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, realizaram uma manifestação próxima a rodoviária da cidade em 19 de outubro contra a proibição de circulação na região. Os trabalhadores criticam o aperto na fiscalização que dificulta seu trabalho, as perseguições com multas e apreensões de veículos. No dia 22 do último mês de setembro, os trabalhadores do transporte informal, em protesto, esvaziaram pneus de ônibus, tirando 14 deles de circulação das ruas de Araruama.


São Paulo: repressão aos camelôs

Vendedores ambulantes do Brás, na região central de São Paulo, realizaram uma manifestação em 22 de outubro quando, na madrugada deste dia, foram proibidos de montar suas barracas pelos agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) nas ruas Tiers, Valtier e Alexandro Pedroso. Os trabalhadores denunciam que a GCM chegou a lançar bombas para reprimir a manifestação dos ambulantes. No dia 16/10, outra manifestação já havia sido realizada pelos camelôs, que interditaram o Viaduto Jacareí e protestaram em frente à Câmara Municipal.


RS: manifestações contra alagamentos e falta de luz

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Em vários protestos no Rio Grande so Sul, a população usou barricadas para bloquear ruas

Dezenas de moradores realizaram um protesto em 17 de outubro fechando a BR-392, no bairro Passo das Tropas, entre os municípios de Santa Maria e São Sapé, no Rio Grande do Sul, em protesto contra a falta de luz. Os manifestantes, que estavam sem energia há dias, também exigiram o conserto dos postes da localidade. Nos dias 18 e 19, diversas manifestações foram realizadas em Santa Maria, incluindo os bairros Itararé, Salgado Filho e Tancredo Neves, onde uma barricada em chamas fechou a Rua Olinto Trevisan. 

No dia 16, aproximadamente 100 moradores da Vila Pedreira, no município de Esteio, região metropolitana de Porto Alegre, bloquearam a BR-116 por cerca de duas horas também por causa da falta de energia elétrica.

Já no dia 19 de outubro, moradores da Vila Farrapos, na Zona Norte de Porto Alegre, bloquearam o cruzamento da Avenida Voluntários da Pátria com a Rua Dona Teodora, localizadas próximas à Arena do Grêmio, em protesto contra os alagamentos na região. Em 20/10, um novo protesto foi realizado no bairro Santa Marta com queima de objetos nas ruas e, no dia 23, moradores bloquearam a BR-290, na saída de Porto Alegre. Durante vários dias do meio do mês de outubro, centenas de milhares de gaúchos ficaram sem fornecimento de luz no estado devido às fortes chuvas, o que gerou inúmeras manifestações espontâneas por parte do povo. A área mais afetada foi a atendida pela AES Sul, que abrange 118 municípios.


PB: o povo exige moradia

Moradores do município de Cabedelo, região metropolitana de João Pessoa, Paraíba, fecharam a BR-230, entre os bairros do Poço e Intermares, em 23 de outubro. Com uma barricada em chamas fechando as vias, a população exigia moradia. Em declaração publicada no portal G1, a moradores Leonice Maria da Silva disse: “A gente estava ocupando um terreno aqui, veio o pessoal e derrubou as casas. A gente não vai desistir da nossa moradia. Se a prefeitura não quer construir, então que doe o terreno para a gente fazer a nossa casa. O importante é o cidadão ter sua moradia”.


BA: trabalhadores da Ford contra demissões

Na manhã de 20 de outubro, centenas de trabalhadores do Complexo Industrial Ford Nordeste protestaram contra demissões em massa na empresa. Os trabalhadores saíram do bairro Copec, em Camaçari, região metropolitana de Salvador, onde fica instalada a companhia, e caminharam até a Rua do Telégrafo, na região central, onde estava acontecendo, na ‘Cidade do Saber’, um evento com a participação do gerente estadual Rui Costa, além do presidente e vice-presidente da Ford Brasil e Mercosul, Steven Armstrong e Rogélio Golfarb.


RJ: nova direção classista no Sinerj

Em 22 de outubro, o Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro cedeu o seu auditório, na Cinelândia, Centro da cidade, para a realização da posse da nova direção do Sindicato dos Nutricionistas do Estado do Rio de Janeiro (Sinerj), composta por ativistas que atuam nas principais mobilizações e lutas populares combativas na capital fluminense. A reportagem de AND fez a cobertura do evento, que contou com a participação de militantes da Liga Operária, da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), além de outras organizações e entidades populares e sindicais. As falas dos presentes deram o tom de como será a luta a ser travada pela nova direção: pela independência da categoria e pela luta contra as centrais sindicais governistas que, segundo um dos oradores, “corporativizam e traem a luta dos trabalhadores”.


SP: assistentes sociais se manifestam

Funcionários de organizações ligadas à assistência social e conveniadas da prefeitura da capital paulista realizaram um ato em 26 de outubro no Centro da cidade por melhores condições de trabalho. O ato interditou o Viaduto do Chá, onde fica localizada a sede do gerenciamento municipal. Os trabalhadores exigem a redução da carga horária de trabalho e aumento de 9,5% no orçamento para custeio dos serviços da rede socioassistencial.


Amazonas: protesto de sem-teto

Centenas de moradores da ocupação Cidade das Luzes interditaram a Avenida Brasil, em Manaus - AM, na manhã de 26/10. Os manifestantes criticaram contra as revistas que acontecem no local e pedem a regularização da ocupação como um bairro. “No local, moram mais de 6 mil famílias. O que queremos é a autorização para ficarmos lá, para sermos um bairro e pagarmos os nossos impostos”, disse o morador Magno Oliveira em declaração ao site D24am.


MG: ato dos funcionários da Ceasa

Funcionários da Central de Abastecimento de Minas Gerais (Ceasa) realizaram um ato na manhã de 26 de outubro em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, fechando as portarias de acesso à Central. Até o fechamento desta edição, eles estavam em greve desde o dia 13 e reivindicavam o cumprimento dos dois últimos acordos salariais e a negociação da convenção coletiva 2015/2016.


ES: em defesa de posto de saúde

Moradores do distrito de Itaoca Pedra, em Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo, protestaram em 20 de outubro contra o fechamento do posto de saúde da região. A manifestação terminou à noite e a população ateou fogo em pneus para fechar a estrada de acesso ao distrito.

A população denuncia que a prefeitura retirou o único médico responsável por realizar o atendimento.


BA: por melhorias na BR-135

No início da manhã de 26/10, manifestantes fecharam a BR-135, em Formosa do Rio Preto, interior da Bahia. As pistas foram bloqueadas com pneus. Os produtores reclamam da péssima situação da BA-225, via de acesso à BR-135, que prejudica o escoamento da produção de grãos.

Esta região concentra 9% das lavouras do oeste da Bahia. Anualmente, 800 mil toneladas de grãos lá são produzidas.


PE: demora nas obras

Moradores da Comunidade do Beraldo, no bairro da Madalena, em Recife, fecharam a Avenida Caxangá em 21 de outubro em protesto contra a demora, por parte da prefeitura, da conclusão das obras de construção da Praça de Esportes e de Cultura, que vai ser localizada no terreno da antiga Fábrica Textifício Santa Maria. Além disso, manifestantes também exigiram melhorias na saúde pública.


ES: luta dos servidores da saúde

Servidores da saúde realizaram uma manifestação na frente da prefeitura de Vila Velha, Espírito Santo, na manhã de 19 de outubro. Eles reivindicavam melhores salários, condições de trabalho e tíquete alimentação. Alguns trabalhadores denunciaram que estariam recebendo salários em valores menores que o mínimo.

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