Luta dos povos indígenas

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Estado genocida denunciado na OEA

Com informações do Cimi
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Em audiência da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), pertencente à Organização dos Estados Americanos (OEA), realizada em 20 de outubro, em Washington, USA, lideranças indígenas denunciaram o Estado brasileiro pelo genocídio contra os seus povos em todo o país. Na audiência estiveram presentes duas lideranças: Lindomar Ferreira — representando o povo Terena — e Eliseu Lopes — representando os Guarani-Kaiowá. Seus pronunciamentos abordaram o conluio existente entre a gerência de Dilma/PT/pecedobê/PMDB e os latifundiários, visto que se verificam benefícios e impunidades para o latifúndio e repressão e violência para os indígenas, assim como para camponeses e remanescentes quilombolas.

Em seu comunicado, Lindomar Ferreira denunciou o papel do Executivo, que é tanto ativo, lançando mão das forças militares, como de conivência e omissão em relação aos crimes de latifundiários. Disse a liderança: “Não observamos iniciativas concretas do governo brasileiro para identificar e punir os responsáveis pela organização e comando dessas milícias. Elas continuam atuando livremente”.


Jogos Mundiais dos Povos Indígenas

“Palco forjado e mentiroso”

Em meio à escalada de violência do velho Estado contra os povos indígenas, ocorreu, entre os dias 23 de outubro e 1º de novembro, em Palmas (TO), o I Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (JMPI), com o slogan: “Em 2015, somos todos indígenas”. O evento internacional contou com financiamento municipal, estadual e federal, o que denota o apoio da gerência oportunista de PT/pecebobê/PMDB. Em sua cerimônia de abertura, no elefante branco da Copa da Fifa, o Estádio Nacional Mané Garrincha, estiveram presentes a gerente de turno Dilma Rousseff e a ministra-latifundiária Kátia Abreu.

Os povos indígenas Guarani-Kaiowá, Krahô e Apinajé recusaram-se a participar dos jogos e, em seu comunicado oficial, o conselho Aty Guasu, que representa indígenas Guarani-Kaiowá, bradou a disposição destes de resistirem e de combaterem por seu território ancestral, terminando a nota da seguinte forma: “Anunciamos que não participaremos deste palco forjado e mentiroso e afirmamos que enquanto esta for a postura do Brasil o único jogo que jogaremos será o de recuperar os nossos territórios e partir para nossas retomadas mesmo que isto custe todas as nossas vidas”.


Indígenas protestam por todo o país

No dia 21 de outubro, indígenas bloquearam a BR-163, em Rio Brilhante, Mato Grosso do Sul. A manifestação durou cerca de 4 horas e os manifestantes indínegas utilizaram objetos para fechar o km 308 da estrada. Em 22/10, índios da tribo Kariro-xocó bloquearam, com barricada de pneus, a BR-101, no município de Porto Real do Colégio, em Alagoas. Na manhã deste mesmo dia, outra manifestação já havia ocorrido em Joaquim Gomes.

No dia 23, centenas de indígenas fecharam a BR-364, em Rio Branco, no Acre. Em São João das Missões (MG), indígenas Xacriabá fecharam a BR-135. Já em Palmas, Tocantins, ocorreu manifestação durante a abertura dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas. Ao ser chamada na cerimônia de abertura do evento, a gerente semicolonial Dilma Rousseff (PT) foi vaiada por grande parte da plateia.

Todos estes protestos criticaram duramente a PEC 215 — que altera os critérios para demarcação dos Territórios Indígenas — e denunciaram o massacre que vem sendo levado a cabo contra os Guarani-Kaiowá no Mato Grosso do Sul.


SC: pistoleiros atacam cacica Guarani

Com informações do Cimi

No município de Palhoça (SC) está localizada a comunidade Guarani da Terra Indígena (TI) Morro dos Cavalos, que vem sofrendo com constantes ameaças por parte de latifundiários locais e seus capangas. Na madrugada de 19 de outubro, a cacica da TI Morro dos Cavalos, Kerexu Yxapyry (Eunice Antunes), sofreu o sexto ataque em 2015. Um homem não identificado invadiu a área, efetuou disparos contra a escola e as casas no seu entorno e a ameaçou de morte. Não houve feridos.

Nos incidentes anteriores, homens ficaram circulando em torno da casa, monitorando a movimentação da cacica e seus parentes e chegaram a tentar invadir a sua residência, mas desistiram quando perceberam que os moradores da casa tinham acordado.


MS: Estado promove guerra contra indígenas

Com informações do Cimi e Conselho Aty Guasu

No dia 16 de outubro, ocorreu mais um ataque de pistoleiros a mando do latifúndio contra a nação indígena Guanari-Kaiowá, no território Iguatemi Peguá I, região sul do Mato Grosso do Sul. Cerca de 20 indígenas, em sua maioria crianças e idosos, encontravam-se no local no momento do ataque.

De acordo com informações do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), o grupo foi atacado, torturado, removido e teve o seu acampamento incendiado por pistoleiros fortemente armados. Ademais, os jovens Jeferson Gonçalves Nelson, de 14 anos, e Paulina Freitas, de 17, estão desaparecidos.

Indígenas Guarani-Kaiowá do Tekoha Ñanderu Marangatu, localizado no município de Antônio João, na fronteira do Mato Grosso do Sul com o Paraguai, mais uma vez encontram-se em risco de remoção. Uma ordem de despejo foi expedida pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, ordenada pelo desembargador Fábio Prieto de Souza, determinando a desocupação da área, que seria feita no dia 21 de outubro. Porém, a intensa mobilização dos indígenas, organizações, entidades e apoiadores fez com que o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendesse temporariamente a reintegração de posse.

Cabe registrar que foi nessa área que, recentemente, o Guarani-Kaiowá, Semião Vilhalva, foi assassinado com um tiro na cabeça por pistoleiros a mando do latifúndio. Até hoje os responsáveis por esse crime estão impunes.

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