Por que os ianques do DEA estão no Rio de Janeiro?

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Uma reportagem publicada pela revista IstoÉ no último dia 16 de outubro revelou que a Drug Enforcement Administration, sigla DEA — agência ianque dita de “combate ao narcotráfico”, mas com largo histórico de ingerência em diversos países da América Latina, do México à Colômbia, passando pelo Panamá, sempre sob este álibi conhecido e batido —, vai abrir escritório na cidade do Rio de Janeiro “a convite” (segundo a revista) do secretário de segurança José Mariano Beltrame. Há dois meses Beltrame esteve na sede da DEA em Washington para uma reunião onde fez (ou recebeu) a requisição.

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Beltrame disse à IstoÉ que dois agentes do DEA já estão no Rio cuidando de “quesitos operacionais”, ressaltando que ainda não há data para a abertura do escritório da agência do USA na cidade.

A abertura das portas do Rio à famigerada DEA foi feita sob a alegação de que os agentes ianques vão ajudar a “fazer um levantamento das rotas pelas quais as armas estrangeiras entram no Brasil e chegam às mãos do tráfico”. A notícia surge na sequência de uma semana de grande alarde dos braços do monopólio da imprensa no Rio em torno de notícias sobre a apreensão de fuzis pela polícia fluminense, e poucos meses depois do próprio Beltrame dizer que o fuzil é o “inimigo número 1 do combate ao crime no Rio”, em um claro processo de preparação do terreno e dos ânimos para a instalação de uma representação do DEA na cidade do Rio de Janeiro. Há cerca de dois meses, a apreensão de um fuzil calibre .50 foi apregoada com particular escândalo, com muita grita sobre a capacidade da arma de derrubar helicópteros, ainda que até hoje nenhum tiro deste tipo de fuzil tenha mandando abaixo um helicóptero da PM ou um “Globocop” do monopólio.

Na contramão de todos os estudos científicos levados a cabo no mundo inteiro sobre a ineficácia do endurecimento da legislação penal como instrumento de “dissuasão” da criminalidade urbana, Beltrame vociferou: “a pessoa que tem um equipamento desses tem que sentir a força da lei, a força do apenamento, e tem que perceber que não vale a pena ter esse tipo de instrumento consigo”, e disse, completando: “dez anos de cadeia serviriam para desencorajar os comparsas”.

Recebeu menos enfoque na revista IstoÉ a informação, já adiantada por Beltrame, de que os agentes da DEA “também colaborarão no esquema de segurança dos Jogos Olímpicos de 2016” (que terá um efetivo de 85 mil agentes de repressão), dizendo que eles terão assento no centro de comando da secretaria de segurança do Rio e afirmando: “os americanos têm expertise com o terror”. Tendo em vista que o velho Estado brasileiro vem se ocupando de aprovar leis fascistas ditas “antiterroristas” visando claramente aplacar as massas buliçosas e ativas, percebe-se que, no Brasil, o que menos manterá ocupados os agentes do DEA são as rotas de fuzis.

A exemplo do “terrorismo islâmico”, álibi da corrente ofensiva contrarrevolucionária desatada pelo imperialismo ianque, desde a década de 1970, o “narcoterrorismo” tem servido de mote para suas ingerências na América Latina, sua política de Guerra de Baixa Intensidade contra a Guerra Popular no Peru e lutas de libertação em outros países do continente, ocupação com marines, incremento das forças de repressão, instalação e perpetuação de gerenciamentos políticos que atendam às ordens da Casa Branca e aos interesses do USA. Foi a partir dos esforços de “combate ao narcoterrorismo” na Colômbia — em que os agentes da DEA cumpriram papel destacado — que os ianques transformaram aquele país em autêntico protetorado do USA e imenso posto avançado do Pentágono na América do Sul.

A agência Drug Enforcement Administration foi criada pelo facínora Richard Nixon em julho de 1973. No início, a DEA tinha 1.470 agentes e orçamento de US$ 75 milhões de dólares para cumprir seus objetivos declarados e não declarados, sendo que a razão oficial da sua existência era algo como não deixar as drogas produzidas em outros países chegarem ao USA. A DEA tem hoje cerca de 5 mil agentes e um orçamento anual de cerca de 2 bilhões de dólares. No Brasil, o escritório da DEA no Rio se somará às representações que a agência “anti-drogas” mantém na embaixada do USA em Brasília e no consulado ianque de São Paulo.

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