PT e sua chorumela do “desenvolvimentismo”

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No dia 28 mês de setembro último, o economista Marcio Pochmann, presidente da Fundação Perseu Abramo, pertencente ao Partido dos Trabalhadores, fez a abertura da cerimônia de lançamento do documento“Por um Brasil Justo e Democrático”no auditório do Hotel Braston, em São Paulo.

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 Segundo o site da FPA, o documento foi elaborado de forma colaborativa por mais de cem personalidades do mundo econômico, político e social. “Iniciativa das entidades Brasil Debate, Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento, Fundação Perseu Abramo (FPA), Forum 21, Le Monde Diplomatique Brasil, Plataforma Política Social e Rede Desenvolvimentista, o documento contrapõe o discurso hegemônico construído hoje de que políticas de austeridade focadas no curto prazo, como o ajuste levado a cabo atualmente, seriam o caminho para que o país volte a crescer”.

 Não precisa um olhar mais acurado para notar nas organizações patrocinadoras e entre os “especialistas” a mais fina flor do oportunismo eleitoreiro. Social-democratas das diversas versões trotskystas, entre os quais, expoentes da tecnocracia “socialista” encastelados nos últimos treze anos no aparelho do velho Estado burocrático-latifundiário, bem como notórios corifeus de seus bem aquinhoados “movimentos sociais”, cavalgadores dos descontentamentos das massas em seus apêndices, responsáveis pelas mediocridades teóricas apresentadas em congressos do PT, do pecedobê e da CUT, e seus cacarejos de reformas política, fiscal e tributária, acompanhadas do outro lero-lero do “controle da mídia”. Velhas cantilenas reformistas embrulhadas por fraseologias pseudo-esquerdistas que não vão além de arroubos de uns quantos em seus eventos partidários.

 O PT, desde a primeira hora de seu gerenciamento, veio cumprindo à risca a cartilha da subjugação nacional e agora só faz seguir o já conhecido receituário imperialista para crise. Aplicaram o padrão do Banco Mundial para executar “políticas públicas” “compensatórias” e de “inclusão social”. Esta tem sido a sua prática. Quem se lembra do conto do “Plano B” surgido após os primeiros meses de gerenciamento para acalmar os mais afoitos? Aquele plano que nunca existiu além das elucubrações e alfarrábios desta mesma fonte que agora se repete com o nome de “Mudar para o Brasil voltar a crescer”.

Uma saída esquizofrênica?

 O PT, partido de Dilma Rousseff, entregou sua campanha para presidente a um marqueteiro, que entende de política o mesmo que uma criança entende de física quântica. Vendendo a candidata como quem vende sabão, conseguiu, a duras penas, a sua reeleição, e escafedeu-se. Dilma Rousseff, entretanto, tendo que apresentar saída para a crise que transbordava, resolveu, em consonância com os postulados do FMI e do Banco Mundial, promover um ajuste fiscal em franca oposição a sua demagógica e mentirosa campanha eleitoral. De quem partiu esta decisão? Quem bateu o martelo para pedir socorro ao Bradesco, com Levy, para gerir a política econômica? Como se posicionaram Luiz Inácio e sua corte de especialistas?

 Um ano depois de aplicar as medidas recessivas para a crise econômica agravada em crise política e moral, o PT, partido de Luiz Inácio, afundado na pantanosa base aliada, desprestigiado e já sem qualquer credibilidade, se debate por articular outra base sob a pomposa denominação de “Frente Brasil Popular”. No seu manifesto, “Por um Brasil Justo e Democrático”, acusa que “A lógica que preside a condução do ajuste é a defesa dos interesses dos grandes bancos e fundos de investimento. Eles querem capturar o Estado e submetê-lo a seu estrito controle, privatizar bens públicos, apropriar-se da receita pública, baratear o custo da força de trabalho e fazer regredir o sistema de proteção social. Para alcançar estes objetivos restringem as demandas por direitos e a capacidade de pressão dos trabalhadores”. Quanta dissimulação! Não foi exatamente esta cartilha, aplicada aos tempos de vacas gordas, o que o gerenciamento do PT executou à risca durante estes últimos treze anos?

O discurso do pelego escolado

 Foi no 12º Congresso da CUT, acontecido logo depois do lançamento do documento dos “especialistas”, no dia 13 de outubro, que Luiz Inácio fez um discurso enfático defendendo a retomada de sua política econômica e a ruptura imediata com a “orientação de Joaquim Levy”, arrastando atrás de si um coro de burocratas do sindicalismo corporativisado. Tais manifestações constrangeram Dilma Rousseff, que já está pendurada na brocha, a afirmar que uma coisa é o governo e outra coisa é o PT e que Joaquim Levy ficaria no governo, como quer o establishment e o monopólio da imprensa exige. Na verdade, esta discrepância não é nenhuma novidade, pois, basta que se examinem as propostas aprovadas nos congressos petistas e mesmo nos programas eleitorais para constatar que, mesmo sendo um reformismo barato, nenhuma implementação daquilo foi sequer cogitado em momento algum dos 13 anos do gerenciamento desta sigla do oportunismo do Partido Único.

 O “operário-padrão”, em sua verborragia, esconde o fato de que a farra fiscal promovida pelo seu gerenciamento só foi possível devido à situação excepcional de valorização que tiveram as commodities, mesmo com a brutal retração do mercado mundial a partir da crise de 2008 e com isso um superávit na balança comercial. Não foi ele mesmo que afirmou que nunca os banqueiros, empreiteiros, latifundiários e multinacionais haviam ganhado tanto dinheiro? E foi tanto dinheiro que lhes foi permitido fazer “uma gracinha” para os pobres (os programas assistencialistas de corporativização das massas mais empobrecidas) na forma de cala-boca e de instrumento de chantagem eleitoreira.

 Marx afirmava que os acontecimentos na história só se repetiam na condição de que, da primeira vez ocorriam como tragédia e da segunda como farsa. O que Luiz Inácio está laborando com sua oportunista “Frente Brasil Popular”, enganchada no surrado “desenvolvimentismo”, é só mais uma farsa aludindo ressuscitar seu falido “projeto político” e condenada a novo fracasso. Sobre a base apodrecida de nossa economia semicolonial e semifeudal, na situação atual recessiva e de queda da atividade econômica da China que foi o principal parceiro do Brasil no último período, ocasionando, por isso a queda dos preços das commodities e por consequência uma virada na balança comercial.

Apertando os laços semicoloniais

 Aferrados em requentar o falido “desenvolvimentismo” tantas vezes desmoralizado pela história, os especialistas de Luiz Inácio se obstinam em apresentar um programa tanto de curto como de longo prazo, numa caricatura de projeto de poder como que se sua implementação — por mais ilusória, ingênua e inofensiva que significa — dependesse somente de vontade política ou da promessa populista de uns quantos. Tais intentos soam mais ridículos ainda nesses momentos de crise profunda como a atual, em que países semicoloniais esbarram nos insaciáveis interesses dos monopólios e do sistema financeiro que impõem como uma lei de ferro o velho ditado “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Não querem se dar conta de que seu partido foi guindado ao gerenciamento de turno deste velho Estado para fazer o serviço sujo que outros não tinham mais o mínimo de legitimidade para tal, e que, cumprida a nefasta empreitada, queimados e desmoralizados, os imperialistas não necessitam mais de seus préstimos desde esta esfera.

 Quando eclodiu a crise de 2008, nestas mesmas páginas do AND, advertíamos que Luiz Inácio brincava com fogo quando afirmava que a repercussão da crise no Brasil seria só uma “marolinha”. Isto porque a história já deu mostras de que o imperialismo, em suas crises, procura extrair das colônias e semicolônias os recursos para superarem suas perdas. Hoje, nos descarados discursos, tanto de Dilma Rousseff quanto de Luiz Inácio e seus “especialistas”, a crise mundial é o centro de suas desculpas para o descalabro em que se afunda o país, quando, outro dia mesmo, enquanto o mundo inteiro se sacudia com a crise mundial, anunciavam arrogantemente o início de nova era, a da ascensão dos BRICS e neles o Brasil potência. Na sua verborreia republicanista alardeavam aos quatro cantos o fim da fome e da miséria, a criação de uma nova classe média e que o Brasil tornara-se um país de classe média, de justiça e de democracia consolidada. Mas, enquanto isto, submetiam e seguem submetendo as massas às piores injustiças da matança de pobres e pretos nas cidades e de camponeses, indígenas e quilombolas no campo, para ficar apenas em alguns horrores cometidos sobre seu reinado.

O Brasil precisa é de uma Grande Revolução

 Senhores “especialistas”, quando as massas ocuparam as ruas de forma massiva e continuam ocupando de forma esparsa, mas decidida, foi para rechaçar todo este sistema de exploração e opressão e como parte dele seu “desenvolvimentismo” de araque. O gerenciamento de turno do velho Estado de grandes burgueses e latifundiários, serviçais do imperialismo, que se ocupou vosso partido por 13 anos só serviu mesmo para alimentar este capitalismo burocrático, ancorado na semifeudalidade e na semicolonialidade. E que, apesar de toda a manha do operário-padrão do FMI e do engodo publicitário de sua chorumela de “desenvolvimentismo”, não podem mais ludibriar a boa fé dos brasileiros.

 Houve já quem, colhendo da prática, formulou a seguinte verdade: a lei do imperialismo é provocar distúrbios e fracassar, voltar a provocar distúrbios e fracassar outra vez, provocar novamente distúrbios até fracassar definitivamente. A lei do povo, por sua vez, é lutar e fracassar, voltar a lutar e fracassar outra vez, lutar novamente até triunfar em definitivo. Registrem aí, o povo brasileiro quer e prepara, luta por luta, a Revolução Democrática, Agrária e Anti-imperialista, porque o Brasil precisa é de uma Grande Revolução. A Revolução que dará verdadeiro e novo conteúdo à Independência Nacional e à Democracia, o conteúdo do Poder do Povo para o estabelecimento de nova política e nova economia, prósperas e de desenvolvimento para o povo e a nação.

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