A crise atiça a justa rebelião dos povos

A- A A+

Convencionou-se chamar de “crise” o drama das massas migrantes que ora batem à porta da Europa fugindo da miséria e das guerras semeadas pela geopolítica, ou seja, a pela política de morte das potências imperialistas. Não por acaso este jornal, quando fala desta tal “crise”, refere-se a ela assim, entre aspas. Crise mesmo, no duro, é a crise geral do sistema imperialista e seus monopólios, cujas demandas por sobrevida jogadas à mesa dos chefes políticos dos Estados imperialistas estão na origem dos maiores suplícios coletivos hoje vivenciados por vários povos de todos os cantos do mundo, inclusive, ainda que em menor grau, alguns da própria Europa, onde sírios, afegãos e eritreus tentam entrar para encontrar alguma dignidade de viver, mas onde as condições de vida das classes trabalhadoras em geral se degradam a olhos vistos, ante arrochos mais drásticos ou menos evidentes levados a cabo de sul a norte do continente.

http://www.anovademocracia.com.br/161/19.jpg
Londres: jovens enfrentam a polícia durante protesto em solidariedade aos refugiados. 24/10

Dados recentes divulgados pelo gabinete de estatísticas da União Europeia (UE), o Eurostat, mostram que nada menos que 122 milhões de pessoas, aproximadamente um quarto da população europeia, já se encontram, ou se encontram prestes a viver na pobreza — pobreza segundo a burocracia da UE: ganhando menos do que 60% do salário médio do país onde reside, sem ter recursos suficientes para pagar um lugar para morar ou pertencente a família classificada sob a mui douta designação de “baixa intensidade de trabalho”, o que significa que seus membros estão todos ou praticamente todos desempregados.

É mais um dado que atesta a dimensão e o alcance das políticas de “austeridade” com as quais, já há anos, a Europa do capital monopolista tenta mitigar, no plano interno, a crise geral que vai implodindo, um a um, os paióis financeiros dos seus Estados membros, na forma e nuance de “crise da dívida pública”. Este grande arrocho vai-se dando seja de forma mais draconiana e súbita, como na Grécia, seja de maneira mais arrastada e sub-reptícia, como nos países centrais do imperialismo europeu e nos países da Escandinávia, até ontem ditos “imunes à crise” e até anteontem apresentados como  o paraíso na Terra, onde “o capitalismo dá certo” (sic). Não sem altiva e inquebrantável resistência das massas populares e dos trabalhadores organizados a esta fortíssima contraofensiva do capital.

No dia 29 de outubro, milhares de trabalhadores ferroviários reuniram-se em uma grande manifestação no centro de Paris (França), para exigir aumento dos salários e em defesa de direitos ora ameaçados pelo arrocho silencioso que vem sendo levado a cabo pela administração do “socialista” François Hollande, que, entre várias outras medidas antipovo tomadas alegadamente para economizar 50 bilhões de euros em três anos, congelou os salários e as aposentadorias dos trabalhadores do setor público.

No mesmo dia, na Dinamarca, onde a contrapropaganda capitalista prega que todos andam de bicicleta felizes com todo aquele suposto bem estar permanente e universal, avassaladores protestos reuniram 30 mil estudantes e docentes contra drásticos cortes de verbas para a educação pública anunciados pelo governo do país. Desde 2008 o desemprego na Dinamarca só faz aumentar.

Também em 29 de outubro, milhares de professores e estudantes ocuparam as ruas de várias cidades da Itália em retumbantes marchas de repúdio à contrarreforma na educação pública que vem sendo levada a cabo pelo governo de Matteo Renzi, não obstante batizado, este ataque impiedoso que inclui um congelamento de contratações de docentes que já dura sete anos, de “A Boa Escola”.

Dias antes, em 24 de outubro, em Londres, no terminal ferroviário do Eurostar (estação de St. Pancras) e suas proximidades, centenas de ativistas realizaram um combativo protesto, agitaram palavras de ordem em solidariedade aos migrantes e enfrentaram as forças policiais que tentaram impedir a manifestação que terminou com dezenas de feridos entre manifestantes e policiais.

Na própria Grécia, depois de uma jornada histórica também no fim de outubro em que protestos contra as medidas antipovo do Syriza tomaram conta de mais de 50 cidades em todo o país, sindicatos e organizações populares marcaram uma greve geral para o dia 12 de novembro — naquela que promete ser a mais combativa greve geral na Grécia contra o oportunismo mascarado de “esquerda radical”, para desmascará-lo afinal de uma vez por todas.

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja