Fogo nos sertões (I)

À beira de uma fogueira, em uma Área Revolucionária no sertão norte mineiro, um velho combatente comunista nos faz uma pergunta inusitada: “o que é o fogo?”. Um silêncio constrangedor tomou conta dos presentes e meus conhecimentos sobre as ciências naturais mostraram-se, mais uma vez, extremamente limitados. Passado bastante tempo, sem qualquer motivo aparente, esta pergunta passou a me perseguir como uma charada exigindo ser decifrada. Não demorou muito para que, em uma breve pesquisa pela internet, encontrasse uma resposta surpreendentemente simples: o fogo é a aparência da energia (luz e calor) e as chamas o espetáculo do surgimento de novas moléculas de água provenientes da fusão de átomos de hidrogênio liberados durante a combustão com o oxigênio presente na atmosfera. 

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Qualquer um que trabalhe com a agricultura conhece a importância do fogo no preparo do solo, técnica utilizada desde os mais remotos tempos. Deste simples fato é possível deduzir várias questões, como a falácia dos “incêndios criminosos” causados pelas famigeradas “bitucas de cigarro”. Se o tabagismo continua sendo um hábito nocivo e um gravíssimo problema de saúde pública, os fumantes podem, ao menos, ser inocentados da infundada acusação de serem os responsáveis pelas gigantescas queimadas que assolam o país todos os anos a cada período de seca. Isso mesmo! Por mais trágico que possa parecer para os olhares viciados em ver equilíbrio onde há conflitos e calmaria onde há movimento, os incêndios nos sertões de nosso país são fenômenos naturais cíclicos tão comuns e necessários quanto as tempestades. E o fogo tão imprescindível para a renovação do ciclo energético dos biomas sertanejos quanto a água!

Aqui no sertão norte mineiro, formado hegemonicamente pelo cerrado (em suas mais diversas e belas paisagens como os gerais, vazantes, veredas, carrascos, etc.), os paradoxos do meio natural fundem-se à intrigante psicologia do sertanejo. Sobre a fortaleza moral deste genuíno representante de nosso povo muitas verdades já foram descritas, mas, não é demais frisar uma das suas mais importantes qualidades: a sua capacidade de adaptação, de transformação. Aí, mais uma vez, o sertanejo assemelha-se ao próprio sertão. As milhares de massas camponesas oprimidas pelo interior de nosso país assemelham-se às matas secas à espera da menor faísca para irromper impetuosas em labaredas vermelhas, destruindo e transformando tudo! Canudos, Contestado, Pau de Colher, Cachoeirinha, Trombas e Formoso... e as grandiosas Ligas Camponesas, não faltam exemplos! Ignorantes, pseudo historiadores e falsos cientistas buscam no casual, no fortuito, a explicação de fenômenos estruturais em nossa sociedade semicolonial e semifeudal. De fato, muitas coisas podem se converter em ignição, mas só haverá fogo se houver combustível e a quantidade e intensidade daquele depende diretamente da qualidade deste.

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No período da seca é só poeira e cinzas; no das águas as árvores aparentemente mortas renascem frondosas, exuberantes. Por mais trágica que possa parecer a seca, nada é capaz de interromper a epopeia do sertão:  morte, renascimento, fogo, cinzas, água, flores e frutos. Acaso o mesmo não ocorre com o sertanejo na aparência, acomodado, quieto, calado, acanhado? Num futuro que não vem longe, como no velho conto chinês, a força colossal da aliança operário-camponesa comoverá os céus. E quem poderia adivinhar sua vigorosa força?  

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