Para não dizer que não falei de Cunha

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A última edição do AND — com capa, editorial e página 3 demonstrando o fracasso do PT — gerou, principalmente nas redes sociais, comentários desairosos da parte de funcionários da sigla. Isto mesmo, funcionários, porque a militância em fuga já não se presta mais a defender o indefensável.

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Os petistas escamoteiam as contradições

Insistindo em reduzir a abrangência da contradição para o ringue da abjeta disputa pelo gerenciamento do Estado, os petistas, sempre secundados pelos revisionistas do pecedobê, querem impor a disputa PT X PSDB ou Dilma X Cunha como o centro das contradições vividas pela nação brasileira nos dias de hoje. É aí onde, agora, eles querem pôr o centro da crise política ao acusarem as intenções “golpistas” de seus adversários.

Já de muito temos dito, e reafirmamos agora, que a peleja entre os grupos de poder pelo controle da máquina do Estado é uma disputa dentro do ‘Partido Único’, partido que congrega todas as siglas que, no parlamento, representam as diversas frações das classes dominantes locais para aplicarem a política de subjugação nacional imposta pelo imperialismo.

O Partido Único, portanto, ocupa um polo das contradições do país vividas pelo nosso povo e a nação. Assim, na contradição nação X imperialismo, o Partido Único está no campo do imperialismo; na contradição camponeses X latifundiários, ele está no campo dos latifundiários; e na contradição burguesia X proletariado, ocupa o campo da burguesia. Justapondo-se estas três contradições não há como negar que o Partido Único — abarrotado de siglas que têm representação ou não no parlamento e do qual fazem parte PT, PSDB, PMDB, pecedobê, DEM, PPS, PTB, PRB, etc., com Luiz Inácio, Dilma, Temer, Renan e Cunha como representantes mais destacados — é o partido da contrarrevolução.

O outro polo da contradição, representado pelo povo e a nação (aí incluídas as minorias nacionais e os povos indígenas), a classe operária, os camponeses, os demais trabalhadores da cidade e do campo, e a pequena e média burguesias representam o campo da Revolução. Revolução Democrática Antifeudal e Anti-imperialista.

É assim que devemos analisar a atual situação revolucionária que se desenvolve no Brasil, para sabermos qual setor do Partido Único deve receber a maior carga das críticas formuladas pela imprensa popular e democrática. Não há dúvidas de que aqueles que ocupam o gerenciamento de turno do velho Estado são os que têm a principal responsabilidade pela crise, pois que, sobre a base de uma economia semicolonial e semifeudal, são eles quem, por suas escolhas e ações, empurraram o país para o ponto em que chegou. Em primeiro lugar por tomarem parte da cúpula deste sistema de exploração e opressão imposto pelo imperialismo, aceitando se curvarem a ele como condição para galgarem ao gerenciamento. Em segundo lugar por, demagogicamente e à cata de popularidade fácil, haverem tomado medidas ilusionistas e cosméticas na área do consumo e do crédito, passando a ideia de desenvolvimento quando, na verdade, não passava de um embuste. Mesmo os indicadores da sociologia imperialista, como o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), colocam o Brasil em posição ultrajante diante do imenso potencial de riqueza que possuímos e do potencial da força de trabalho do nosso povo. Os treze anos de gerenciamento petista não mudaram o quadro de exploração e opressão pelo latifúndio, a grande burguesia e o imperialismo.

PT ressuscita a múmia PSDB

Os petistas, furibundos, indagam nas redes: “porque não falam de Aécio e do PSDB?”, porque não falam do Cunha?”. Ora, caros diversionistas, no momento em que o PSDB — o qual Aécio não é mais do que “o cocô do cavalo do bandido” — representou o inimigo principal, quando, no gerenciamento do velho Estado, encabeçaram, com suas privatizações e desnacionalizações, a investida do Partido Único contra a nação, receberam o devido tratamento de nossa parte como na manchete da edição nº 5 (dezembro de 2002), na qual apontávamos FHC como “O mais imoral e vende-pátria de todos os tempos”.

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Sobre o PSDB não é demais lembrar que o AND, na edição nº 140 (novembro de 2014), ao destacar que “PT ressuscita a múmia PSDB”, denunciou o PT como responsável pela sua reanimação. Aquilo que era quase um cadáver insepulto, o PT escolheu-o como principal contendor para o 2º turno da farsa eleitoral de 2014. Escolheram o playboy Aécio porque tiveram medo de enfrentar a outra representante dos gringos, a ex-correligionária Marina Silva. E aí o que deu foi trazerem de volta este refugo que já estava na lata de lixo da história. Agora vão ter de aguentar a sua cria.

Vendendo a alma ao diabo

O oportunismo, em sua fissura por servir ao imperialismo e às classes dominantes, desde o início de seu gerenciamento desceu ao inferno para pactuar com todos os diabos possíveis. Após assegurar o principal do botim da nação aos banqueiros, transnacionais e os latifundiários do “agronegócio” e de repartir no atacado as partes do Estado com as cúpulas do principal de sua base aliada, cuidou também do rebotalho a varejo. Indo direto ao baixo clero, montou o seu balcão de negócios e oportunidades, onde estabeleceu um “mensalão” para comprar o apoio de anjos do mal para aprovar as reformas antipovo exigidas pelo patronato imperialista, a grande burguesia local e os latifundiários.

Com as prebendas distribuídas ao baixo clero, o oportunismo petista foi alimentando mais ainda o fisiologismo. De dentro do parlamento gerou sua correspondência na sociedade com o fortalecimento de seitas pentecostais fundamentalistas. Em simbiose com o executivo via obtenção de cargos e de patrocínio de eventos e com o legislativo via emendas parlamentares, estes grupos cresceram e passaram a atuar de forma organizada sob a denominação de “bancada evangélica”. Chamada para compor a base aliada do gerenciamento petista e, mais que isso, para compor a coligação para a reeleição de Luiz Inácio e eleição e reeleição de Dilma Rousseff, a turma dos evangélicos, com destaque para Eduardo Cunha, passou a trabalhar em defesa de uma pauta reacionária em relação a temas como o aborto, a eutanásia, a homofobia, etc., contando com a contemporização do oportunismo petista interessado em obter votos de qualquer maneira. Dilma Rousseff coroou a sua mudança de discurso em relação ao aborto participando da solenidade de inauguração do simulacro de templo de Salomão da Igreja Universal do Reino de Deus. Haja oportunismo!

Já que partimos do ambiente das redes sociais, aproveitamos para compartilhar o comentário do leitor Antônio P. Newton no Facebook polemizando com um suposto petista:“O Cunha é uma pessoa de direita, que ataca os direitos do povo, que é tão oportunista quanto o resto, que é sujo tanto nas suas ações quanto em suas declarações, mas a crise econômica e os arrochos que vivemos hoje não têm total culpa de Cunha. Seria de um idealismo total achar que uma pessoa gera uma crise, ou que se o Cunha for removido do poder algo irá se resolver. A verdade é que a atenção simbólica que vocês dão ao Cunha nada mais é que uma forma de ofuscar os próprios erros e as próprias traições, e vir para um jornal revolucionário pedir declarações sobre os crimes de Cunha (que já são notórios em toda a mídia hegemônica burguesa) é só mais uma forma de ofuscar a verdade”.

Como afirmamos nesta página, o PT fracassou e com ele todos os projetos filhos do revisionismo moderno, do oportunismo e da conciliação de classes. Não há o que temer, cuidemos da Revolução!

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