Refugiados: Europa abre arsenais e fecha fronteiras

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O contraste entre a profunda comoção internacional catapultada pelos monopólios da imprensa capitalista por conta do assassinato de 130 pessoas nos sangrentos acontecimentos do último 13 de novembro em Paris, de um lado, e a frieza das mentes e a dureza dos corações do “Ocidente” ante os banhos de sangue quase que diários promovidos em países do Oriente Médio, esse contraste, antes de constituir qualquer tipo de “explicação” para os fatos e para o cenário correntes, é, sobretudo, um sintoma macabro de que o imperialismo não consegue achar um desvio, um atalho, e muito menos um retorno que o tire do caminho inexorável do aprofundamento ainda maior de sua aguda crise.

Em suma: este incômodo contraste — produzido pelas rotinas de produção da contrapropaganda imperialista, o que nada tem a ver com a autêntica solidariedade entre os povos — é a parte mais sensível, ao alcance da mão e dos espíritos não tanto conscientes da magnitude dos tremores políticos que chacoalham o mundo. É apenas o afloramento mais perceptível das tectônicas contradições que regem esse período terminal do imperialismo.

Uma outra nuance perturbadora que emerge de súbito das profundezas das contradições desse sistema é o contraste entre o discurso e as ações dos chefes políticos da Europa do capital monopolista no que tange à chamada “crise migratória”, com a qual tentam lidar selecionando uma fração de refugiados para o trabalho na indústria atolada e levantando toda forma de barreira de contenção contra a grossa massa migrante, que se amontoa à porta do continente. De um lado, e, do outro, a adesão assim sem rodeios, sem pudores, e, do imperialismo europeu à “Guerra contra o Terror” inventada pelo USA, (após os acontecimentos de Paris) com significativa multiplicação de bombardeios, sobretudo franceses na Síria e no Iraque, com reunião de Hollande e Cameron para discutir o “contraterrorismo”, enfim, tudo o que só fará aumentar, e muito, o êxodo para o norte do mundo das massas populares que se batem em fuga da miséria, da guerra e dos horrores todos que decorrem deste grandessíssimo embuste. A tal “Guerra ao Terror”, nada mais é do que um slogan para fazer fumaça a um violento processo em curso de repartilha do mundo.

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Ou seja, a irracionalidade que está na raiz da “crise dos refugiados” é da mesma matriz daquela da qual se alimenta o chamado “combate ao terrorismo”: se os poderosos do mundo parecem cada vez mais engajados em uma “Guerra ao Terror” que é fachada para a praga do terrorismo praticado pelos países imperialistas, estão também cada vez mais assombrados com o tipo de terrorismo, à moda Estado Islâmico, que infelicita os povos que vivem nesses países, com cidadãos pagando com a vida pelos crimes dos Estados; se parecem empenhados em mitigar a “crise migratória”, o que mais azeitadamente as potências afundadas na crise geral de superprodução relativa dos monopólios conseguem hoje produzir são justamente refugiados.

A Europa que ora abre os portões dos seus arsenais para incrementar a devastação sem fim no Oriente Médio é a mesma que fecha as suas fronteiras desde antes da chacina em Paris; que conta com o mar Mediterrâneo e com o mar Egeu como primeiro e macabro freio às migrações em massa, onde mais de 3,5 mil pessoas ficaram pelo caminho, afogadas, de janeiro a novembro de 2015; que conta com as atrocidades contra sírios, iraquianos, afegãos, eritreus, etc., cometidas pelos gerenciamentos e forças de repressão dos elos mais subjugados da UE, no Leste Europeu, para impedir sua viagem e arrefecer-lhes os ânimos; que manda esmolas humanitárias aos abarrotados e insalubres campos de refugiados no Líbano e na Jordânia; que suborna o fascista Erdogan para que ele faça da Turquia, onde já se acotovelam 2,2 milhões de sírios e 300 mil iraquianos, um grande repositório dos deserdados da terra que se lançam à migração para tentar sobreviver à barbárie semeada pelas potências imperialistas.

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