RJ: sindicato governista é atropelado pela greve dos petroleiros

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Como tem ocorrido em várias partes do país, os trabalhadores, sob ameaça de desemprego e piora nas condições de trabalho, têm se insurgido em greves e mobilizações cada vez maiores. Como se não bastasse as dificuldades da própria luta, como as ameaças patronais e a repressão policial, os trabalhadores têm, na maioria das vezes, que enfrentar uma burocracia sindical aliada ao governo, como é o caso da CUT, que, como uma tropa auxiliar dos patrões em meio ao movimento de trabalhadores, ajuda a desmobilizar e desmontar movimentos grevistas e combativos.

A última greve nacional dos petroleiros foi um excelente exemplo da capacidade de mobilização desse importante extrato da classe operária, como também foi um exemplo de como um sindicato pode trair descaradamente o movimento grevista que diz representar.

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP), entidade que congrega a maioria dos sindicatos de petroleiros do Brasil, convocou uma greve nacional com parada de produção. As reivindicações tratavam da situação crítica da empresa e a solução privatista que a atual presidência indicada pelo governo Dilma pretende encaminhar.

Essa “nova” diretoria da empresa, presidida pelo antigo presidente do Banco do Brasil, Bendine (que os petroleiros apelidaram de Vendine), já deu diversos sinais de que está disposta a vender partes da Petrobras para empresas estrangeiras, e tem a intenção de ampliar as demissões em massa. Até agora já foram mais de 100 mil desempregados, direta e indiretamente ligados a Petrobras.

Frente a essas ameaças, o sindicato dos petroleiros, mesmo apoiando o governo e fazendo parte dele, precisou convocar uma greve. É claro que o governo que colocou a diretoria que pretende demitir e privatizar não poderia aceitar que seus aliados na diretoria do sindicato dos petroleiros frustrassem o plano. A ideia era uma greve de telecash, aquelas lutas simuladas de mascarados. O sindicato fingia que lutava e a Petrobras se comprometia a montar um grupo de trabalho para debater com representantes do sindicato o futuro da Petrobras.

A manipulação ficou muito clara para a maioria dos petroleiros e, através do boca a boca e das redes sociais, começou uma revolta contra as diretrizes do sindicato. Uma assembleia que a diretoria do sindicato pretendia desmobilizar a greve sem conquista nenhuma, teve participação massiva e o indicativo da FUP repudiado. A greve continuou à revelia da FUP e começou a crescer. Com os maiores piquetes da história do movimento petroleiro, a Greve de 2015 impediu voos para plataformas marítimas, tomou o controle de heliportos, carregamentos de insumos e o controle da produção em diversas plataformas. Foi uma das maiores greves da história do movimento petroleiro. Durou mais de 20 dias, paralisou a produção em diversas unidades de produção. Mas, a maior conquista dos petroleiros foi a superação dos limites impostos pelo sindicato governista, a FUP, que, de todas as maneiras, tentou desmobilizar o movimento grevista, até que, em uma assembleia marcada às 8 horas, em Macaé, em um feriado, conseguiu aprovar, por uma pequena margem, o indicativo de terminar a greve.

  O jornal A Nova Democracia acompanhou o movimento dos petroleiros em diversos aeroportos, colheu relatos e buscou informações entre os grevistas. Para a próxima edição prepararemos uma matéria completa sobre essa importante greve.

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