As olimpíadas e o terrorismo de Estado

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Em 2016 ocorrerão as olimpíadas no Rio de Janeiro. É fácil perceber que foram realizadas mudanças e práticas do Estado contra o povo aliás, não muito boas de modo a garantir que o evento seja sediado no Brasil. Convêm propor uma reflexão sobre quais as práticas terroristas que foram e têm sido realizadas, a que interesses esse megaevento atende e perguntar quem serão as principais personagens a ocupar as cadeiras privilegiadas e os camarotes dos estádios e centros esportivos.

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Operação dos cães de guarda da prefeitura carioca contra moradores da Vila Autódromo

Não é difícil lembrar as práticas terroristas executadas pelo Estado no último período: as remoções abruptas, com o seu aparato repressor na Vila Autódromo, localizada na  Zona Oeste do Rio de Janeiro, de onde o povo foi expulso de suas casas para a construção da infraestrutura para as olimpíadas. Além de terem sofrido a repressão da tropa de choque e serem expulsas das casas, as famílias da Vila Autódromo sequer tiveram assistência psicossocial, indenização ou reassentamento digno. Um caso parecido aconteceu também nos preparativos para a copa em 2014, quando moradores da favela Metrô-Mangueira foram retirados de suas casas, sem aviso prévio, para a construção de um estacionamento para a copa (que não foi construído ainda), tendo um desfecho não diferente das famílias da Vila Autódromo.

É esse o mesmo Estado, gerenciado pelo PT, que reprime o povo da forma mais brutal dizendo-se “democrático e dos trabalhadores”. Que afirma em sua constituição que “todo cidadão tem o direito a moradia”, e desata feroz repressão contra os camponeses em luta pela terra, as famílias em luta pela moradia nas cidades e expulsa famílias de suas casas para um evento que só renderá lucros para o imperialismo e seus monopólios. Que deixa o povo à margem, não atendendo de forma plena as suas necessidades mais básicas. Afinal, a sua função é gerir os interesses das classes dominantes e, se tem alguém que acaba perdendo com isso, sem sombra de dúvidas esse alguém é o povo!

É importante ressaltar também a opressão que ocorre nas favelas todos os dias. Ela tem se acentuado ainda mais na medida em que a gerência instalou suas Unidades de Polícia “Pacificadora” (UPPs) e colocou o seu exército nas favelas, como é o caso do Complexo da Maré, onde, sob o pretexto falso de trazer “mais paz para a população”, trouxe foi mais violência contra o povo. Não é à toa que essas chamadas políticas públicas foram aplicadas em regiões estratégicas onde muitos turistas passarão a caminho dos eventos dessas olimpíadas dos monopólios. Longe de trazer pacificação, essas práticas visam apenas assegurar um evento em que o povo pobre não é o convidado (nem desejado) e muito menos o beneficiado.

Durante a copa em 2014 no Brasil, diversas manifestações sacudiram o país ecoando o “NÃO VAI TER COPA”, no intuito de denunciar a tamanha roubalheira que a Fifa, os políticos e empresários estavam fazendo, e os sucateamentos dos diversos serviços públicos para gastos com a copa. Não diferente houve também muita repressão e perseguição contra manifestantes, inclusive a instauração de um processo injusto contra 23 ativistas, enquadrando-os em crimes inexistentes e também perseguindo muitos outros jovens, lutadores do povo, todos que se mostravam hostis à copa e à ordem burguesa.

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Nos últimos meses, o gerenciamento petista reforçou ainda mais seu caráter antipovo com os trâmites para a Lei Antiterrorismo. É mais uma das leis para enquadrarem o povo de um modo geral, mas de maneira particular os lutadores do povo e movimentos mais combativos que não estão sob o cabresto do velho Estado e do oportunismo, de modo a coibir os protestos, criminalizando toda e qualquer forma de manifestação contrária ao velho Estado e ao evento esportivo. Inclusive, os agentes da grande burguesia e do imperialismo na gerência do velho Estado já clamam por “ajuda” dos serviços de espionagem e repressão estrangeiros durante as olimpíadas para o combate ao “terrorismo”.

Essas e tantas outras medidas antipovo das gerências de turno vende-pátria, que lambem as botas dos grandes empresários e se submetem docilmente ao imperialismo, têm como finalidade colocar o terror nas massas, com o objetivo de desmobilizá-las, fazendo-as acreditar que o fato delas lutarem por aquilo que é de direito (e sim, manifestar-se contra a velha ordem é um direito!) está errado.

O que os reacionários mais temem é que a revolta do povo desemboque em um processo revolucionário. Mas isso eles não podem impedir.

Não é preciso fazer muito esforço para imaginar quem serão as possíveis figuras a ocupar os assentos nessas olimpíadas. Não serão aquelas pessoas que foram removidas de suas casas, o proletariado em geral.

Além de uma parcela que torra todas as suas economias para poder assistir um ou outro jogo secundário, acreditando estar participando de algo épico que não se repetirá mais em nosso país, estarão lá grandes empresários, ladrões de colarinho branco e mãos sujas de sangue, grandes empreiteiros, grandes burgueses e seus puxa-sacos.

Afinal, pergunto: olimpíadas para quem?

Em 2014 a juventude combatente e milhões de pessoas em todo o país declararam com palavras e ações a sua posição do “NÃO VAI TER COPA”. Em 2016 (e desde já) dizemos: “NÃO VAI TER OLIMPÍADAS!”

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*Beatriz Gomez é estudante de Ciências Sociais da UERJ

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