Medo na Alemanha, desemprego na França, fome na Grã-Bretanha

É difícil para os capitalistas admitirem que sua crise é estrutural, e possivelmente final — o que seria equivalente a reconhecer a própria condição desenganada. Tendem, assim, a tentar dividi-la, a crise geral e prolongada, em conjunturas fracionadas: as de ontem, ditas “superadas”, e as de hoje, que estariam em vias de. Há quem fale mesmo que “a crise atual é mais difícil de resolver do que a de 2008”, conforme palavras recentes de um membro da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Ora, como se essas “duas crises” referidas não fossem, na verdade, fases agudas de uma mesma, grande e profunda crise, separadas por sazonalidades econômicas que, antes de significarem qualquer “recuperação”, representam nada mais que umas bolhas de ar em meio à agonia infinita de toda a parasitália e dos Estados que lhes dão sustentação.

Quando o ministro da Economia da Alemanha, Sigmar Gabriel, disse no fim de novembro último que a economia do seu país pode sofrer “um impacto negativo” em 2016 com as “incertezas” na China e no Brasil, foi como dizer que o ralo da crise geral do imperialismo tende a aumentar a sucção nos anos vindouros. Na verdade, a torrente que arrasta o capital monopolista em sua fase última para baixo da terra só faz aumentar, não obstante o incensamento de um ou outro indicador de “retomada do crescimento” aqui, ou “estancamento do desemprego” ali.

O que estes chefes políticos das potências não admitem de forma alguma é que quanto mais essa crise se aprofunda, tanto mais estas potências se lançam de cabeça em um acelerado e violento processo de repartilha do mundo, como os bichos selvagens invadem as casas quando escasseia a comida na floresta. Eis aqui mais alguns dados atualizados da crise geral, com foco na maneira como esta crise se abate sobre os países imperialistas europeus ora ocupados na centrifugação dos blocos de poder geopolíticos em disputa no mundo, e em vias da conflagração na Síria:

Na França, nenhum atentando, por mais sangrento que tenha sido, nem tampouco as farsas em todos os níveis que as “autoridades” ora montam por cima deles, poderá cortinar ante as massas o arrocho a quem elas vêm sendo submetidas pela administração Hollande, e que, ao longo deste ano findouro, foi alvo de grandes mobilizações classistas no país, como as marchas de abril contra as privatizações de Hollande e contra as novas leis que facilitam demissões. No terceiro trimestre de 2015, o desemprego na França atingiu a maior marca, 10,2%, em quase 20 anos, desde 1997.

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