Luta dos povos indígenas

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MA: indígenas retomam suas terras

Com informações do Cimi

Entre os dias 27 e 29/11, ocorreu a II Assembleia do Povo Gamela, contando com a presença de indígenas do povo Krenyê, Ka’apor,lideranças quilombolas e entidades apoiadoras. Em decisão da assembleia, o povo Gamela decidiu retomar o seu território tradicional, com o intuito de pressionar a Fundação Nacional do Índio (Funai) a iniciar o processo de demarcação do seu território.

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Encontro do povo Gamela

Após a assembleia, no dia 29/11, cerca de 100 indígenas e apoiadores realizaram uma manifestação e bloquearam a MA-014, que liga os municípios de Viana a Matinha, por quase uma hora e seguiram para a tomada de terras.

A primeira retomada ocorreu na madrugada do dia 30/11. Uma segunda retomada ocorreu no dia 1º de dezembro, em uma fazenda vizinha da primeira ocupação, pertencente a Benito Filho, ex-prefeito do município de Viana.

Os camponeses, que já vinham sofrendo ameaças, foram atacados na noite do dia 02/12 por pistoleiros armados a serviço de latifundiários locais. O bando chegou em uma caminhonete e efetuou disparos contra os indígenas acampados, que se refugiaram dentro da mata. Ninguém saiu ferido.

As 2 fazendas ocupadas, que somam cerca de 300 hectares, incidem sobre o território tradicional reivindicado pelo povo Gamela, que abrange uma área com aproximadamente 14 mil hectares, cedida aos indígenas em 1759, ainda no período colonial, e que foi sendo invadida e grilada ao longo dos séculos.


MS: indígenas ameaçados de despejo

Cimi e Comitê de Apoio ao AND – Dourados

Localizada no município de Caarapó (MS), a aldeia Tey’i Jusu, retirada de seu território tradicional na década de 1920, faz divisa com a reserva indígena Tey’i Kue. A partir daí, com a implementação de políticas que facilitaram a expansão do latifúndio, os indígenas ficaram cada vez mais confinados na pequena resguarda oferecida pelo velho Estado. Depois de anos resistindo aos cercos fascistas do regime militar, surge, com a nova Constituição de 1988, a esperança que a mudança viria através da legalidade. A lei previa que as áreas indígenas fossem demarcadas em um prazo máximo de 5 anos, porém esta farsa não tardou a cair por terra. Cansados de tanto esperar, os indígenas começaram a retomar suas terras tradicionais.

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Em 2014 se iniciou o processo de retomada, realizada por famílias tradicionais. No momento em que ergueram o acampamento, um ataque organizado com 40 caminhonetes resultou no desaparecimento da jovem Juliana Venezuela Almeida, que, após ser atingida por um tiro, foi levada pelos pistoleiros. Fato este que nem credulidade do Estado ganhou. Mesmo sob os constantes ataques, como lançamento de venenos, derrubada dos barracos, açoites, etc., a resistência indígena se fortificou.

Em novembro, foi destinada à comunidade uma ordem de reintegração de posse. Os ataques sistemáticos do Departamento de Operações de Fronteiras (DOF) e de latifundiários prenunciam uma ação violenta de despejo. Em entrevista ao Cimi, as lideranças do conselho local de Tey’i Kueanunciam: “Faremos um chamado geral e iremos todos para dentro do Tey’juçu e lá batalharemos junto com nossos parentes. É uma área já identificada, área tradicional e antiga dos Kaiowá de onde muito de nós que vivemos, aqui saímos. Não permitiremos despejo algum por aqui, já prometemos a eles e honraremos nossa promessa”.


Delcídio Amaral e os ataques aos direitos indígenas

Com informações do Conselho Indigenista Missionário (Cimi)

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), em notícia publicada em seu site, revela a ligação do pecuarista, senador e líder do “governo” no Senado, Delcídio do Amaral (PT) – preso na denominada operação Lava Jato em 25/11 – com a perseguição, criminalização e ataque aos direitos indígenas, principalmente no estado do Mato Grosso do Sul.

Em 2004, Delcídio Amaral apresentou um Projeto de Lei (PL), a PL 188/04, que submetia a demarcação das Terras Indígenas (TIs) ao Senado, bem como proibia a criação de TIs na faixa de 150 quilômetros da fronteira nacional, inviabilizando a sua criação nos estados de Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia e Roraima. A PL 188/04 “deixou de existir, mas espalhou sementes que cresceram, como a PEC 215, que hoje avança no Congresso Nacional”, ressalta o Cimi.


MS: novo ataque aos Guarani-Kaiowá

Com informações do Cimi

No município de Antônio João, Mato Grosso do Sul, no dia 29/11, os indígenas Guarani e Kaiowá do tekoha Ñanderú Marangatúvoltaram a ser atacados em uma data simbólica para eles: três meses depois da morte de Semião Vilhalva, em 29/08. Segundo comunicado do Cimi, um latifundiário e seus capangas chegaram atirando sobre acampamentos instalados nas fazendas Fronteira e Cedro. Nenhum indígena saiu ferido no ataque criminoso.

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