SP: Juventude Combatente repele a repressão fascista

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Os estudantes secundaristas de São Paulo que desencadearam em novembro a onda de ocupações de escolas contra a contra a chamada “reorganização” promovida pela gerência reacionária de Geraldo Alckmin (PSDB) prosseguem mobilizados, enfrentam o desmanche do ensino público e a repressão do velho Estado. Professores, funcionários das escolas, estudantes e pais unem-se em uma luta que conta com o apoio da população e com a solidariedade de personalidades democráticas, artistas populares, advogados, movimentos populares etc.

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A Juventude de São Paulo tem dado demonstrações de combatividade e decisão na luta

Uma nova etapa se iniciou a partir da primeira semana de dezembro. Dessa vez, para além dos muros das escolas ocupadas, a Juventude Combatente retomou as ruas com manifestações em várias regiões da capital para impedir que a truculência tucana feche escolas e avance em seu plano de desmanche da educação pública. E, como era de se esperar, o governo ordenou a mais selvagem repressão contra os estudantes. Em 3 de dezembro, a PM atacou uma manifestação no bairro Pinheiros e prendeu cinco jovens.

Nesse mesmo dia, o AND publicou um vídeo (enviado a nossa redação por um estudante) em sua fan page no Facebook que mostrava um secundarista sendo arrastado por policiais, carregado como um fardo pelas pernas e braços. Esse vídeo teve um alcance de mais de três milhões de visualizações e 49 mil compartilhamentos. Essa foi uma pequena mostra da repercussão da luta dos estudantes de São Paulo, que, a essa altura, não podia mais ser negada pelo governo e rompeu até mesmo o silêncio criminoso do monopólio da imprensa.

No dia seguinte, os jornalões da burguesia se viram obrigados a dar manchete ao fato, mas com um agravante para o “governador”: sua popularidade despencou como nunca.

Geraldo Alckmin e seu PSDB são os responsáveis diretos não só pelo desmanche da educação em São Paulo, mas também pela falta de água constante nos bairros periféricos e por vezes na região central, tendo chegado ao absurdo da população depender de água contaminada do chamado “volume morto” do Sistema Cantareira da Sabesp (que hoje tem 50% de seu capital nas mãos de acionistas na Bolsa de Valores de Nova Iorque). E é essa a mesma lógica usada para a educação: sucatear para vender, em consonância com a política também vende-pátria da gerência federal de Dilma Rousseff/PT que — sempre bom lembrar — cortou bilhões do ensino e promove seus ajustes fiscais (saque do dinheiro público para entregar aos banqueiros). Geraldo Alckmin chegou a admitir que sua “reorganização” não tem apenas “fins pedagógicos”, mas também é uma forma de “economizar”. Ou seja, faz parte do ajuste fiscal e dos rombos nos cofres municipais, estaduais e federal.

Cai o Secretário de Educação

Em várias semanas de ocupações e resistência contra as forças de repressão, os estudantes obrigaram a gerência Alckmin a frear e repensar seu plano. O governo estava, visivelmente, testando até onde avançaria seu plano de destruição da educação e a Juventude Combatente o obrigou a recuar. A repressão odiosa que ordenou contra os secundaristas desgastou ainda mais seu plano.

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Em entrevista, Alckmin disse ter “suspendido temporariamente” a “reorganização” para “aprofundar o diálogo escola por escola”. Contrário às intensões declaradas do seu próprio gabinete e do Secretário de Educação, Herman Voorwald, o governo suspendeu temporariamente as medidas da “reorganização”, sonhando que assim poria fim às ocupações para então dar novos golpes após a desmobilização dos estudantes (sonhava!).

Desmoralizado, Herman Voorwald pediu demissão no mesmo dia.

Educados na luta, os estudantes não se desmobilizaram e declararam manter as ocupações até cancelamento total do projeto de “reorganização”. No dia 5 de dezembro, os jovens realizaram um ato unificado na Avenida Paulista. Eles seguiram pela Consolação e terminaram com um jogral em frente à Secretaria de Educação, na Praça da República, reafirmando a continuidade das ocupações.

Abaixo o oportunismo!

Além de enfrentar o governo e suas forças de repressão, os secundaristas combatem um velho inimigo e auxiliar da reação: o oportunismo eleitoreiro. Se nas lutas da classe operária ele é representado, principalmente, pelo peleguismo da direção da CUT e outras centrais sindicais, no movimento estudantil ele é encabeçado principalmente por UNE/UBES/UMES, entidades burocratizadas e controladas pela juventude mensalão de PT/pecedobê.  No caso específico da luta dos secundaristas, a UBES tenta dar ares de protagonista com claro intuito de dissolver a luta radicalizada e servir aos planos do governo de pôr fim nas ocupações das escolas.

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Jovens enfrentam a polícia

Camila Lanes, presidente da UBES, foi apresentada pelo monopólio da imprensa como “líder” do movimento. Mas isso quem disse foi a Globo News. Nas ruas e escolas ocupadas a coisa é muito diferente.

Os secundaristas vão desmascarando os oportunistas e já puseram alguns filhotes de ratazanas para correr. Na manifestação do último dia 9 de dezembro, os jovens afirmaram: “A UBES não me representa!”.

Rebelar-se é justo!

E foi neste mesmo 9 de dezembro que a Juventude Combatente tomou as ruas da capital paulista com faixas, cartazes e palavras de ordem. Cerca de 12 mil jovens, professores, pais, funcionários das escolas, ativistas de movimentos populares e apoiadores da luta tomaram a Avenida Paulista, no Centro de São Paulo. O protesto era pacífico, em defesa da educação. Estavam representadas as escolas ocupadas e os setores que apoiam a justa luta dos secundaristas.

A PM seguia o protesto de forma provocadora. Em frente a Secretaria de Educação, as hordas repressivas atacaram o protesto com brutalidade. A Juventude Combatente, forjada nos protestos de 2013 e 2014 contra a farra da Fifa, não se intimidou com as bombas da polícia. Cobriu seus rostos e se perfilou com seus gritos de guerra,  fogos de artifício e pedras, exercendo a legítima autodefesa da manifestação.

Nossa brava juventude, que defende as escolas e a educação, que defende salário justo e condições de trabalho dignas para os professores e funcionários, que enfrenta as gerências de turno do Estado reacionário, repeliu a repressão policial.

Seis policiais sairam feridos da manifestação. Dez jovens foram presos, entre eles cinco adolescentes.

No dia seguinte, 10/12, como era de se esperar, o monopólio da imprensa, em particular a Rede Globo, destilou todo o seu ódio contra o povo em luta. Como em 2013, as palavras “infiltrados”, “vândalos” e “vandalismo” voltaram a ser repetidas à exaustão pelos âncoras dos telejornais, temerosos com a revolta da juventude.

A luta prossegue e o AND irá acompanhar os acontecimentos e atualizar as informações em sua fan page no Facebook: facebook.com/jornalanovademocracia.

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