‘Parem o massacre de jovens negros e pobres!’

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Madrugada de 29 de novembro de 2015: cinco jovens são fuzilados cruelmente por policiais militares do 41º Batalhão em Costa Barros, bairro localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro. Roberto de Souza, 16 anos; Carlos Eduardo da Silva Souza, 16; Cleiton Corrêa de Souza, 18; Wesley Castro, 20; e Wilton Esteves Domingos Júnior, 20, voltavam do Parque de Madureira, também na Zona Norte, quando foram surpreendidos pelos assassinos. Os policiais responsáveis pelas execuções dispararam 111 tiros (81 de fuzil e 30 de pistola) contra o carro que transportava os garotos, sendo que pelo menos 50 deles ficaram marcados no automóvel.

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Manifestantes exigiram o fim da violência policial e o massacre contra negros e pobres

O comando da PM, com a tradicional desculpa esfarrapada, afirmou que as execuções dos jovens conflita “com as orientações do Comando da Corporação” e exonerou o tenente-coronel Marcos Netto — comandante do 41º BPM e personificação do caráter sanguinário de sua corporação — “em razão dos últimos lamentáveis acontecimentos envolvendo policiais sob o seu comando”.

Abaixo a violência contra o povo

Duas manifestações foram realizadas alguns dias depois, 3 e 4 de dezembro, em Madureira e no Palácio Guanabara, no bairro das Laranjeiras, na Zona Sul, em repúdio não só ao assassinato dos 5 jovens em Costa Barros, mas de todos os jovens que rotineiramente têm suas vidas ceifadas pelo aparato policial fascista do velho Estado brasileiro.

A manifestação de 3 de dezembro teve início no fim da tarde, quando centenas de pessoas se reuniram no Viaduto Negrão de Lima e, com faixas, cartazes e palavras de ordem, partiram em passeata até o Parque de Madureira, onde foi realizado um ato.

— Estamos aqui pra protestar contra essa política de extermínio de negros, pobres e jovens de favelas. A morte dos 5 garotos em Madureira deixa claro que essa polícia tem como alvo preferencial: negros e pobres. E protestamos não só contra isso. Além da violência policial, protestamos contra o racismo que sofremos diariamente. Exigimos que parem o massacre de jovens negros e pobres! — disse a estudante secundarista Vanessa Souza, 16 anos.

— Quando nossos filhos saem de casa, nós temos que dar ‘graças a deus’ quando eles retornam, porque é um racismo institucional. A polícia acha que tem o direito de matar a juventude negra. Ela mata e depois muda a cena do crime. Isso é a banalização do extermínio da juventude negra — denunciou uma das oradoras que discursaram no microfone.

— Não é possível que o número de jovens negros seja tão alto e eles sejam exterminados. Uma prática clara que para mim é, que para nós é genocídio. Eu não acredito mais em assassinato, não acredito mais em qualquer ato que possa justificar o extermínio dessa população negra. Para mim eles não querem mais que essa raça exista. E para isso eles, o governo, o poder, têm a prática de assumir o extermínio e o genocídio — disse a manifestante Sílvia em entrevista à Mídia Independente Coletiva (MIC).

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