Notas nacionais

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Um ano de protestos e revoltas populares!

Ao longo de 2015, o jornal A Nova Democracia acompanhou os inúmeros e legítimos protestos populares que sacudiram o Brasil de ponta a ponta. As jornadas de junho de 2013 deixaram profundas marcas na sociedade brasileira e uma das principais é exatamente a forma com que o povo, em cada rincão deste país, passou a exigir seus direitos.

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A Juventude Combatente de SP reafirma: Rebelar-se é Justo!

As massas, ao longo de anos, educadas no fogo da luta, boicotam a farsa eleitoral e não mais pedem, mas exigem seus direitos com barricadas nas ruas, bloqueio de rodovias, greves, tomadas de terra, ocupações de escolas e universidades, ocupações de prédios de instituições governamentais etc. Todos estes fatos são sempre ocultados pelo monopólio da imprensa, que tenta apresentar que “tudo vai bem” ou, quando as revoltas populares explodem, fazem campanhas de caça às bruxas, ou melhor, aos “vândalos”. A crise que se agudiza dia após dia (com cortes de direitos, salários e pacotes de medidas antipovo) e a disposição de luta com que a nossa brava juventude combatente nos brinda nos dias finais de 2015, tudo isso nos aponta que 2016 será um ano de grandes batalhas!


BA: revolta contra ação da PM de Rui Costa/PT

Três crianças e uma mulher foram baleadas em 1º de dezembro durante um suposto tiroteio entre soldados da PM genocida do “governo” Rui Costa (PT) e homens não identificados no bairro do Nordeste de Amaralina, em Salvador, Bahia.

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Ônibus incendiado pela fúria popular no Vale das Pedrinhas

As vítimas foram um menino de 5 anos, que foi baleado na cabeça; uma menina de 6 anos, baleada no braço esquerdo; e uma mulher de 37 anos, Lilian Santana dos Santos, atingida no lado direito do abdômen e no braço esquerdo. Os três foram socorridos por moradores da região e encaminhados ao Hospital Geral do Estado (HGE). Em seguida, uma menina de 9 anos deu entrada no HGE após ser baleada de raspão na perna. Lilian não resistiu aos ferimentos e, infelizmente, faleceu.

Após estes acontecimentos, dezenas de moradores do Nordeste de Amaralina realizaram uma manifestação em frente da Corregedoria da PM, no bairro da Pituba. Revoltados, os moradores do Vale das Pedrinhas incendiaram um ônibus.


MG: capitães do mato do século XXI

Em 2 de dezembro, a Liga Operária divulgou um vídeo denunciando que os patrões da construção civil de Belo Horizonte, Minas Gerais, utilizaram soldados da PM de  “como capitães do mato para tentar intimidar os operários em greve desde o último dia 23 de novembro na campanha salarial de 2015/2016”.

Segundo a Liga, “essa atitude nos mostra todo o resquício de uma semicolônia que mantém a escravidão e a opressão contra o povo, deixando cair por terra as falácias do gerente estadual Fernando Pimentel (PT) e toda corriola, que aceitam as amarras desse velho e podre Estado burguês-latifundiário que sempre vem com a cantilena de que estamos vivendo em um ‘Estado Democrático de Direito’.

A justa greve dos operários da construção civil é por eles estarem em campanha salarial, mas, sobretudo, contra as péssimas condições de trabalho... muitas vezes são colocados em trabalho escravo”. E o fato é, segundo a denúncia, “acobertado pelo monopólio de imprensa, que omite as verdadeiras razões por estar sendo bancado pelas grandes construtoras que o mantém financeiramente”. O vídeo pode ser visto no link: www.youtube.com/watch?v=3f3V6JCaE00


SC: servidores enfrentam a polícia

Em 8 de dezembro, servidores estaduais enfrentaram a Polícia Militar no hall da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), em Florianópolis. Os policiais usaram spray de pimenta contra os trabalhadores que, com palavras de ordem, se manifestavam contra alterações na carreira do serviço público estadual. As galerias da Alesc não foram abertas e foi permitida a entrada de somente 45 pessoas de cada categoria para acompanhar a assembleia. Assim como em Goiânia, Brasília e outras cidades, a PM partiu para a agressão contra servidores que lutam por seus direitos.


ES: protesto em defesa da educação

Na manhã de 2 de dezembro, uma manifestação bloqueou a Rodovia do Contorno, trecho da BR-101, em Cariacica, na Grande Vitória, Espírito Santo. Os moradores do bairro Nova Rosa da Penha, com cartazes pedindo melhorias na educação, protestaram contra o fechamento de uma turma de Educação de Jovens e Adultos (EJA) de uma escola da região. Eles ergueram uma barricada de pneus e pedaços de madeira e a incendiaram.


ES: luta pela moradia

Moradores que ocuparam um terreno na Rodovia Leste-Oeste, em Vila Velha, Espírito Santo, realizaram uma manifestação na manhã de 3 de dezembro contra uma reintegração de posse determinada pela “Justiça”. O terreno fica localizado entre os bairros Rio Marinho e Vale Encantado e foi ocupado por dezenas de famílias no fim de novembro. Os manifestantes usaram pedaços de madeira para fechar a via. A luta dos sem-teto vem fervendo em diversos estados.


RS: operários protestam

Funcionários de uma empresa do Polo Naval, no município de Rio Grande (RS), realizaram um protesto na manhã de 4/12. Eles bloquearam a BR-392 e colocaram fogo em pneus e galhos. O motivo da revolta ocorreu após a empresa Ecovix informar que não pagaria os salários, o 13º e o vale-alimentação. O monopólio da imprensa tentou criminalizar o movimento noticiando que três homens foram presos por efetuarem disparos de arma de fogo no meio da manifestação.


MA: barricada na BR-135

Moradores da comunidade Inhaúma incendiaram uma barricada para bloquear o km 22 da BR-135, em São Luís (MA), na manhã de 8/12, durante o feriado municipal de Nossa Senhora da Conceição. Exigiam asfaltamento, iluminação pública e outras melhorias na região abandonada pelas “autoridades”.


BA: por melhorias na BR-116

Moradores do município de Curaçá, a 593 km de Salvador, Bahia, incendiaram objetos para bloquear os dois sentidos da rodovia BR-116, no dia 3 de dezembro. Os manifestantes, com faixas e cartazes, exigiram a recuperação da BA-210, que liga Curaçá ao município de Rodelas.

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UERJ em luta

Com informações do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR)

Em 1/12, estudantes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) realizaram duas assembleias e decidiram participar da ocupação da universidade pelo pagamento de bolsas estudantis e salários atrasados dos trabalhadores. Após a reitoria ter decretado a suspensão das aulas por uma semana, alegando “situação de insalubridade”, as aulas voltariam neste mesmo dia na mesma situação: estudantes e residentes sem bolsa, trabalhadores sem salários, o Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) sem limpeza e sem condições de funcionar.

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Estudantes denunciam atraso nas bolsas, nos salários de funcionários e sucateamento da UERJ / Foto: Guilherme Carvalho

Segundo o MEPR, “a ocupação foi feita (...) pelo Diretório Central dos Estudantes sem consulta aos estudantes e claramente orquestrada junto a reitoria, que lançou nota de apoio e liberou refeições gratuitas para os estudantes que ocupam a universidade. Bastante diferente do primeiro semestre, quando as mobilizações partiram das assembleias de curso de forma independente do DCE governista aliado do REItor, e a reitoria contratou milicianos para agredir estudantes.

Deixando claro que mais uma vez, o DCE e a reitoria se uniram para dar alguma legitimidade a essa entidade amplamente contestada pelo conjunto dos estudantes e que traiu no primeiro semestre desse ano as mobilizações, negociando às portas fechadas com a reitoria para angariar o mérito na luta da qual não participaram. Sabendo que a crise da universidade estava uma situação insustentável e que essa semana vários cursos se reuniriam e certamente haveria novas manifestações, o DCE decidiu ocupar a universidade antes que os estudantes ocupassem”. Diversas atividades vêm sendo realizadas na ocupação da UERJ e a fanpage de AND no Facebook tem divulgado a luta. No dia em que esta nota foi escrita, 11 de dezembro, uma manifestação estava sendo realizada.


Contra a falta de verbas na UFRJ

Na manhã de 4 de dezembro, centenas de estudantes, médicos e residentes se concentraram na entrada do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Ilha do Fundão, em protesto contra a falta de verbas da gerência federal para os hospitais universitários federais do Rio de Janeiro. Na primeira semana de dezembro, a unidade da UFRJ suspendeu as cirurgias e internações eletivas devido ao atraso nos repasses orçamentários e financeiros.


CE: violência policial em Fortaleza

Com informações de Karol Saldanha

Atualmente, Fortaleza é a capital mais violenta do Brasil, onde os crimes com características de execução são os mais comuns. A região da Messejana, na periferia da cidade, foi palco da maior chacina da história da capital cearense. Em um período de aproximadamente três horas e meia, 12 pessoas foram assassinadas durante uma madrugada de novembro. Nove dos onze assassinados tinham entre 16 e 19 anos.

Segundo depoimentos de familiares, policiais militares fardados invadiram suas casas, arrastaram as vítimas e as mataram a tiros. A possível motivação do crime é o assassinato do soldado Valterberg Chaves Serpa, 32 anos, ocorrido no mesmo dia da chacina. No entanto, nenhum dos mortos tinha antecedentes criminais graves. Há tempos, moradores da periferia denunciam a truculência policial nas áreas mais pobres da cidade. A capital do Ceará é a que tem o maior índice de assassinatos de adolescentes.

“Nota da Oposição Classista e Combativa ao DCE da UFC

Fortaleza, hoje, é a capital mais violenta do Brasil e a sétima do mundo, sendo a região Nordeste a que concentra os maiores índices de violência e extermínio da juventude negra e pobre. No último dia 12 de novembro, em menos de quatro horas, os bairros Curió, Messejana e Alagadiço Novo, que compõe a Grande Messejana, viveram um massacre. Oficialmente, 12 jovens, com faixa etária de 16 a 19 anos, tiveram suas casas invadidas por policiais e suas vidas executadas. No entanto, o relato de moradores revela que mais 7 foram executados no entorno, contabilizando 19 mortes, sendo assim, considerada a maior chacina da história da capital. 

Querem calar nossa voz, querem acabar com a juventude negra e pobre. Mas não o farão. A juventude se rebela. Não esqueceremos e nem perdoaremos o extermínio da Juventude Pobre e Negra! PT, PMDB, PSDB e suas políticas antipovo, de criminalização e extermínio da juventude pobre, são culpados por derramar o sangue e o choro da periferia de Fortaleza”.


AM: despejo na Cidade das Luzes

Em 11 de dezembro, o Comitê de Apoio ao AND em Manaus nos enviou a informação de que, desde a manhã desse dia, a polícia estava destruindo as residências e expulsando os moradores da comunidade Cidade das Luzes. Um dia antes foi tentada uma liminar com o desembargador Chaloub, mas ele manteve a decisão do juiz.

Segundo o defensor público deveria ser retirada apenas 50 metros a partir do igarapé com o intuito de preservar suas margens. Mas estão destruindo tudo e até tocando fogo. Um morador tocou fogo no próprio corpo no desespero da situação. Parece que vários moradores foram atingidos por balas de borracha e bombas de gás. Uma verdadeira operação de guerra contra o povo orquestrada pelo prefeito Artur Neto e o Secretário de Segurança Pública.

O prefeito não apresentou sequer alternativas de moradia. A ação está tendo apoio direto da família D’Carli. Os mesmo pretendem construir mais um condomínio de casas, mais um dos muitos da região, fruto da especulação imobiliária e da grilagem de terra. Está claro que somente o povo pode garantir suas demandas por moradia. Se morar é um direito, ocupar é um dever!.


MS: contra falta de luz

Em 11 de dezembro, moradores da favela Cidade de Deus, no bairro Dom Antônio Barbosa, na saída para Sidrolândia (MS), incendiaram uma barricada de pneus e madeiras para bloquear a BR-262. O motivo do protesto foi a falta de luz na região. A Energisa havia realizado o corte na manhã do dia 10.


AL: falta d’água

Em 3/12, moradores do Povoado Poção, em Arapiraca (AL), realizaram uma manifestação contra falta de água na região, que chega a durar 4 meses. Os manifestantes bloquearam a rodovia AL-110 ateando fogo numa barricada de pneus e galhos e exigindo que as “autoridades” resolvam o problema.


SE: população exige asfalto e luz

Moradores do Povoado Ceilão, em Campo do Brito, Sergipe, realizaram uma manifestação na manhã de 3/12 exigindo o calçamento de uma via que dá acesso à barragem do município e aos povoados da região. O protesto ocorreu em uma localidade conhecida como Cruzinhas, onde os manifestantes colocaram fogo em madeiras e pneus.

Já no dia 11/12, moradores de um terreno ocupado bloquearam a BR-101, próximo à entrada da capital Aracaju. Os manifestantes, em luta por moradia, criticavam a interrupção da energia em cerca de 600 moradias.

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