A arte combatente de Vini Oliveira

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O cartunista carioca Vinícios Santos de Oliveira, ou simplesmente Vini Oliveira, é um jovem talento que dedica suas charges em benefício e apoio às lutas populares no Rio de Janeiro, no Brasil e em todo o mundo. Em sua obra, encontramos desde críticas à violência policial, às opressões, ao oportunismo eleitoreiro e aos crimes cometidos contra a população pobre até o apoio à resistência dos povos contra a agressão imperialista, como o bravo povo palestino. Divulgando seu trabalho no Facebook, rapidamente a página de Vini ganhou um grande número de seguidores e simpatizantes.

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Em depoimento ao AND, Vini nos contou que foi em 2013, o ano das grandes revoltas populares, que ele teve o seu despertar para os assuntos políticos e para os problemas que a sociedade enfrenta. Assim como o cartunista, a partir das jornadas de protestos ocorridas em junho e julho deste ano, milhares de jovens passaram a se interessar por mudanças sociais.

— Bem, era 2013 quando tudo começou. Eu não era chegado em política, mas não é preciso ser alguém amplamente entendedor do assunto pra conseguir apontar as velhas práticas cometidas contra o povo pelos partidos eleitoreiros quando se mora numa favela do Rio, na região mais esquecida, que é a Zona Oeste. As Jornadas de Junho foram fantásticas pra mostrar a força que os trabalhadores podem ter quando unidos. E isso numa época de escândalos de corrupção em obras da Copa, por exemplo, enquanto que, para o povo humilde, honesto, as coisas pra variar não iam nada bem. Foi também nessa época que conheci o AND, por meio de professores do Ensino Médio, verdadeiros guerreiros do povo. A gente discutia toda aquela situação todos os dias, era incrível — lembra.

— No início de 2015, por acaso, eu e um amigo capixaba chamado Julyano, que tinha se tornado meu amigo justamente no decorrer de todas aquelas movimentações populares em 2013, quando éramos dois menores de idade indignados com a situação do povo no nosso país, fazíamos os mais variados desenhos no computador para enviar um ao outro. Começamos, então, a arriscar desenhos sobre política e vimos que poderia sair algo dali. Tive o apoio não só dele, como da minha namorada Thais. Quem me deu a ideia de criar uma página pra tornar tudo aquilo público foi um outro capixaba que conheci na internet, mas que já mora no estado do Rio há mais de 10 anos, Roberto Júnior. Nem na melhor das hipóteses eu iria imaginar que em menos de um ano eu teria todo esse alcance. A adesão do povo é fantástica — diz.

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O jovem tenta, através de sua arte, criar reflexão e marcar uma posição democrática acerca dos fatos polêmicos que estão em voga na sociedade, sempre em defesa do povo, uma verdadeira ‘arte militante’.

— Eu vejo os desenhos como uma maneira de tentar materializar e resumir uma explicação que poderia ser muito complexa de maneira que fique acessível até mesmo ao trabalhador que tem suas horas roubadas pelos grandes empresários, que é privado do direito de pensar, refletir, agir. Então, claro, os temas das charges na grande maioria das vezes abordam os problemas cotidianos do nosso povo. Tanto a violência do Estado, como os genocídios contra os camponeses, o povo indígena e os moradores de comunidades. A exploração exercida por aqueles que, cada vez mais, estão mais ricos às custas da população. Mas também procuro ficar por dentro dos problemas que enfrentam os povos mundo afora. É bem interessante, pois, apesar de suas particularidades, esses problemas sempre emanam da mesma fonte, que é o sistema ao qual o mundo está subjugado — afirma.

Contra o oportunismo eleitoreiro

Marxista declarado, Vini, que ultimamente tem sido alvo de calúnias de setores ligados ao governo, em particular da “militância” do PT, também fala sobre o papel que o oportunismo eleitoreiro cumpre como parte integrante deste sistema de exploração. Exatamente devido a sua arte contestadora, o artista sofre ataques nas redes sociais tanto de reacionários declaradamente fascistas quanto de setores oportunistas e governistas travestidos de “esquerda”.

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— Olha, não é preciso pesquisar muito para saber que o nosso povo já não aguenta mais e sua indignação o mostra como solução apenas algo muito radical. O oportunismo de esquerda é contrário justamente à essa posição da população. Enquanto o povo se revolta com os ataques, os roubos que sofre, a esquerda nacional ainda bate na tecla das eleições, dos meios institucionais, pacíficos. E a posição contrária da população em relação à esquerda muito se deve exatamente à essa questão. Hoje, os que nos dão soluções radicais são os igualmente oportunistas e exploradores da direita mais convencional. Você vê discursos de ódio contra o próprio povo sendo adotados em massa pela população, pois são pregados justamente por aqueles que prometem com soluções simplistas e completamente infundadas resolver problemas na saúde, educação, segurança, lazer, etc. Enquanto não pensarmos em mostrar para o povo que nós daremos nossas vidas para o defender, enquanto não pararmos com nossas cegueiras partidárias oportunistas, o povo não irá confiar, pois a prática é o critério da verdade.

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E, sobre os ataques, rebate:

— O que aconteceu foi algo já esperado. Por não ser mais um militante hipócrita de esquerda [eleitoreira], por falar todas as verdades e mostrar as contradições dentro desse meio sujo político, sempre em defesa do povo, aqueles que jogam sujo contra o povo normalmente atacam. Como já dizia um grande homem defensor dos povos trabalhadores do mundo, ‘o nosso sacrifício é consciente, é a quota a pagar pela liberdade’. Então, o que aconteceu era algo que, dentro da normalidade, aconteceria, bem como a reação do povo em minha defesa ao ver tamanha injustiça. Expuseram meus dados pessoais, endereço, fotos, pessoas próximas, enfim. Tudo em nome do medíocre partido que governa este país — denuncia Vini, que fez um vídeo explicando sobre as calúnias sofridas pelos oportunistas.

A arte a serviço do povo

Quem quiser conhecer mais do trabalho de Vini Oliveira pode ter mais informações no Facebook, no YouTube e no Instagram (/vinioliveiracharges). Ele agradece a todos os que o apoiaram e promete um 2016 “sem hipocrisia” e “sem demagogia”.

— Quero deixar o meu muito obrigado ao jornal A Nova Democracia por sempre estar solidário e acompanhar de perto meus trabalhos desde o início e ceder esse espaço pra eu falar um pouquinho de cada coisa, bem como por ser uma mídia independente que funciona movida pela força e o amor que toda essa galera tem pelo nosso povo. Saudações e total apoio à mídia independente, popular e democrática!

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