GO: revolta estudantil contra a venda da educação pública

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Denunciamos desde sempre que a estratégia de avanço do plano adotado em todo o Brasil (nas esferas municipais, estaduais e federal) é torpe: o sucateamento e burocratização dos serviços públicos e sua seguinte privatização ou terceirização como “solução” para que se resolva esta defasagem. O objetivo do governo é entregar a gestão das escolas para Organizações Sociais (OSs) — empresas privadas — que, segundo o estado, serão sem fins lucrativos. Porém, pegando exemplos de outros estados, tais empresas costumam ser geridas por parentes de políticos, abrindo margem para vários tipos de fraudes.


Jovens protestam contra a terceirização

Com esta gestão há também o fator desempenho: quanto mais elevada a nota tirada no IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), maior a verba que a escola irá receber. Mas as aparências podem enganar, pois, para alcançar esse alto índice, a gestão privada das escolas poderá ter a liberdade de selecionar o aluno que estudará ali, afastando os que possuem dificuldade de aprendizagem.

O governo intensifica a campanha na TV falando que os pobres finalmente poderão estudar em escolas para ricos, exaltando essa futura administração. Porém, o que a campanha deixa claro é a falta de vontade do estado em administrar com qualidade tais serviços básicos que a sociedade exige e deve possuir por direito. Várias escolas tradicionais de Goiânia se encontram abandonadas. Foi preciso que estudantes secundaristas as ocupassem para que a  situação estrutural tivesse uma leve melhora.

Conscientes e consequentes de que uma educação assim nada tem de popular, os estudantes secundaristas, com o amplo apoio de diversas parcelas da sociedade, se levantaram uma vez mais para mostrar que o poder deve pertencer ao povo.

Em poucos dias, mais de 20 escolas foram ocupadas em todo o estado, algo realmente animador para quem vê que, aos poucos, os secundaristas, depois de muito tempo, se levantam em grande quantidade e detêm a hegemonia do movimento. Não é de se surpreender que este número de escolas ocupadas virá a crescer estrondosamente, visto que o gerente estadual Marconi Perillo escolheu a época do final de ano para implementar suas medidas de militarização e terceirização da educação.

Antes das ocupações das escolas, os estudantes, professores e a sociedade goiana já estavam se organizando e enfrentando a repressão e articulando manifestações. Numa delas, os manifestantes foram atacados com jatos d’água pela PM e Corpo de Bombeiros. A resposta a estas ações repressivas foram as ocupações das escolas que fizeram com que a luta em defesa da educação pública desse um salto e alçasse mais êxitos.

Na maioria das ocupações o que se encontrou foram escolas (que um dia foram referência para a sociedade goiana e consideradas patrimônios para a comunidade) completamente abandonadas e sucateadas. No Instituto de Educação de Goiás (IEG), segundo maior colégio do estado e um dos mais ilustres em tempos passados, os estudantes encontraram três piscinas semiolímpicas abandonadas e com focos de mosquitos da dengue. O estado deixa abandonado aquilo que poderia ser desfrutado pela comunidade e servir de lazer aos estudantes, incentivando a prática de esportes.

A experiência na Saúde em Goiás

Um setor público onde já podemos comprovar o quanto a terceirização é antagônica ao povo é a saúde, onde as Organizações Sociais foram implementadas. O governo estadual a utiliza como maior meio de propaganda para dizer que este modelo é “eficaz”.

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Uma breve síntese do que de fato aconteceu: os hospitais estavam extremamente sucateados e superlotados, com verba insuficiente para sua gestão. As OSs entraram e, depois de um ano, concluíram (‘que surpresa!’) que este dinheiro era insuficiente para gerir os hospitais.

Então, o governo estadual mais que dobrou a verba em alguns destes hospitais, como é o caso do HUGO (Hospital de Urgências de Goiânia), e as OSs reduziram consideravelmente o número de atendimentos por dia, provando por ‘a+b’ que o problema, de fato, era a falta de recursos e dinheiro, e não a gestão pelo setor público em si.

A repressão se intensifica

Depois de iniciada a luta e com várias escolas ocupadas, um tradicional jornal de Goiás lançou uma matéria, sem nenhuma assinatura e de página inteira, denunciando supostos líderes das ocupações, mostrando a quem este monopólio da imprensa serve. Vários ativistas tiveram seus rostos expostos na capa de tal jornal, sendo eles atacados de maneira desleal. Longe de serem lideranças, são apenas apoiadores de um movimento que cresce e se intensifica. Na verdade, as ocupações das escolas têm uma única cara, a dos secundaristas que lá estudam.

Na última edição do nosso jornal, foi relatada uma tentativa de reintegração de posse em uma das escolas ocupadas, e essa intimidação apenas se intensificou em outras escolas. No Colégio Estadual Cecília Meireles, estudantes denunciaram a agressão que sofreram por um sargento da PM. O canal Desneuralizador divulgou no YouTube um vídeo com o relato do estudante que recebeu um golpe de cassetete nas costas apenas por ter filmado o rosto do policial. Durante esses dias de ocupação, várias escolas foram atacadas com bombinhas. Algumas tiveram até a energia sabotada por pessoas de fora.

Mas a repressão tem sofrido derrotas. O governador do estado havia entrado com liminar de pedido de reintegração de posse. Não demorou muito e a resposta saiu de maneira vitoriosa para o movimento popular: o juiz negou a reintegração alegando a legitimidade política do movimento de ocupações.

Entra 2016 e as ocupações continuam

O “governo” de Goiás acreditava que, com as festas de fim de ano, os estudantes desocupariam os colégios. Os ocupantes se mostraram inabaláveis e demonstram um exemplo grandioso para a luta popular em Goiás. A ceia de natal e ano novo ocorreram nas escolas ocupadas pelos jovens. A população doou alimentos e celebrou um fim de 2015 de luta.

Já na primeira manifestação de 2016, no dia 4 de janeiro, cerca de 150 estudantes saíram as ruas pra mostrar que o movimento continuava de pé. O protesto parou vias importantes de Goiânia, como a Avenida Perimetral Norte e o Eixo Anhanguera, e enfrentou, mais uma vez, os agentes da repressão do velho Estado. Um policial infiltrado apontou a arma para os estudantes, que denunciaram que uma câmera foi roubada por um P2. Outro policial, fardado, foi flagrado dando um soco em um estudante secundarista. O vídeo desse caso foi postado na internet e chegou a ter mais de 100 mil visualizações somente no primeiro dia.

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