Editorial - 2016: a politicalha e o arrocho serão rechaçados com rebeliões

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As manchetes dos jornais diários e os noticiários das rádios e canais de televisão empenhados, por um lado, em atrair a atenção do povo para as falsas polarizações da politicalha entre PT x PSDB, o impeachment ou não de Dilma e a cassação ou não de Cunha, e por outro, o alarde sensacionalista e policialesco sobre a “violência” que assola o país, misturando com as lutas, protestos e rebeliões populares por direitos, contra as injustiças e a repressão policial que se avolumam dia a dia, terminam revelando as duas faces da realidade brasileira. Enquanto se arrasta o desenrolar no Partido Único de seus nauseabundos capítulos, Dilma, Luiz Inácio, Eduardo Cunha, Temer e Renan Calheiros seguem se engalfinhando na sarjeta da política para ver qual das facções deterá o manejo do gerenciamento do velho Estado, o povo enfrenta o pioramento da já dura realidade.

Sob permanente ataque dos aparatos repressivos, o povo resiste e protesta contra a total falência dos serviços públicos de saúde, educação, saneamento, transporte, moradia etc. O desemprego se alastra enquanto o arrocho se aprofunda e a delinquência chega a níveis alarmantes.

 Mas, já há muito tempo que o povo vem perdendo a paciência e reage a tudo isto com mais decisão e fúria. Estudantes ocuparam as escolas públicas em São Paulo. Moradores apedrejam ônibus em Guarulhos para protestar contra enchentes causadas pela falta de saneamento. No Rio de Janeiro, o total descalabro da saúde leva a população a protestar diante de hospitais contra as mortes de parentes. Moradores da periferia de São Paulo tocam fogo em paus e pneus para protestar contra os buracos nas ruas. Trabalhadores do Centro Olímpico incendeiam instalações em protesto contra o não pagamento de seus direitos. A juventude luta contra os absurdos aumentos das passagens, sai às ruas das principais capitais em protestos e enfrenta a repressão policial. Em Santa Catarina, o povo sai às ruas em protesto contra o assassinato de uma criança indígena. Camponeses tomam terras por todo o país e em Rondônia não recuam diante da escalada de assassinatos dos grupos de extermínios de pistoleiros e policiais a soldo do latifúndio e sob a cobertura do “governador” e juízes corruptos.

Se 2015 foi por demais negativo para a maioria dos brasileiros, particularmente para as massas populares, com a virada no fechar do ano já ficou escancarado o arrocho com o pior natal e virada dos últimos tempos. O choro dos lojistas pela queda das vendas de eletroeletrônicos e, principalmente, para as massas o futuro preocupante ficou patente com a drástica redução em suas compras no supermercado e, até, pela falta de comida em muitos lares. A sobra de fabuloso estoque de panetones nos mercados mostra bem que, diante da insuportável inflação para os mais pobres, somada ao desemprego e ao arrocho de salários, as festas de fim de ano só poderiam ter o sabor amargo. Para os pequenos e médios comerciantes uma perspectiva sombria.

Como tudo que está ruim ainda pode piorar, o governo federal, os governadores, prefeitos, os monopólios de transporte e da distribuição de alimentos desencadearam um verdadeiro tsunami de aumento de preço das passagens, energia, gasolina, alimentos básicos e outros itens que incidem, principalmente, na cesta básica dos mais pobres. Para não ficar por aí, as despesas do Estado com saúde, educação e saneamento foram cortadas (para se assegurar antecipadamente o pagamento farto de juros à banqueirada) nos três níveis de gerenciamento, prenunciando um verdadeiro caos na prestação destes serviços. Nos municípios, que é onde o povo vive, prefeituras já fecham as portas, atrasam salários de professores e servidores, deixam de recolher o lixo e fecham postos de saúde.

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Não resta dúvida de que, com o agravamento da crise, as massas, que já vem lutando nas escolas, hospitais, bairros e favelas, ainda de forma isolada, vão se levantar em grandes ondas por todo o ano de 2016.

2016 em todo mundo será tormentoso

Da mesma forma, no plano internacional, em que a crise do imperialismo está se agravando a largos passos, assistimos a radicalização da luta de classes, luta que os monopólios de comunicação, principalmente ianque, como porta-vozes da indústria da morte, pintam como guerra de civilizações. Na verdade, guerra de rapina, camuflando sua secura belicista que chega ao ponto de armar os dois lados em disputa no Oriente Médio, conflagrando a região em uma luta fratricida para, daí, satisfazer sua insaciável gula pelas fontes de energia, matérias-primas, mercado consumidor e ocupação geopolítico-militar estratégica.

As lágrimas de crocodilo de Obama não podem esconder seus crimes hediondos através do indiscriminado bombardeio com drones, tudo para tentar sufocar a resistência persistente dos povos, destacadamente desta região, que, apesar de não disporem ainda de direção proletária revolucionária, combatem bravamente e não se renderão.

As massas estão combatendo, e combatem ao seu modo. De sua fúria não escaparão nem os ianques e seus cúmplices da França, Alemanha, Inglaterra, Japão e Itália: paus mandados que praticam o genocídio contra os migrantes que fogem da guerra e da miséria. Tampouco escaparão os principais imperialistas contestadores do domínio hegemônico único do USA, Rússia e China. Guerra imperialista de saqueio e dominação dos povos oprimidos.

Certamente, em 2016, os povos oprimidos do mundo inteiro darão passos decisivos na formação de uma poderosa Frente Anti-imperialista, hoje, vanguardeada pelos países que desenvolvem a luta armada revolucionária como Guerra Popular, tendo a frente os povos da Índia, das Filipinas, do Peru e da Turquia, e ampliada pelo bravo povo palestino em sua heroica resistência contra o sionismo israelense, a resistência dos povos iraquiano, sírio, afegão e demais da Ásia, África e América Latina.

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