Só a Revolução Proletária poderá varrer o fascismo

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O Estado turco, embicado para o mais escancarado fascismo pelo gerenciamento do AKP (Partido Justiça e Desenvolvimento), de Recep Tarik Erdogan, não para de fazer presos políticos, de massacrar o povo curdo com suas sanguinárias forças de repressão e exército reacionário e de colaborar intensamente com o imperialismo ianque e potências da Europa no cenário de intensas disputas pela repartilha do mundo.

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Pessoas passam próximas a veículo destroçado durante combates em Cizre

São nuances que, entrelaçadas, fazem a situação política na Turquia cada vez mais esgarçada, com o regime fascista de Erdogan comandando uma feroz repressão, de um lado, e a luta de resistência do povo curdo que enfrenta dificuldades (e luta de linhas entre a negociação com o velho Estado turco, a resistência armada ou seguir a reboque de frações da grande burguesia), de outro. Isto além da insatisfação e revolta das massas proletárias e demais trabalhadores turcos com as políticas antipovo de Erdogan no país, bem como sua política externa de subjugação aos interesses do USA e potências europeias.

Inscrevem-se neste cenário uma série de “ataques terroristas” no território da Turquia que, na verdade, as massas, organizações revolucionárias e proeminentes democratas e lideranças do povo turco atribuem ao gerenciamento Erdogan, que, com estes ataques e massacres, procura reforçar e justificar a escalada fascista do seu governo com o álibi ensinado pelos ianques da “guerra contra o terror”.

Um dos mais recente ataque na Turquia aconteceu no dia 12 de janeiro, quando um homem sírio explodiu-se bem no centro histórico e turístico de Istambul, matando dez turistas alemães. Algumas informações apontam para um atentado de fato levado a cabo pelo Estado Islâmico, indicando, a princípio, uma natureza diversa dos ataques anteriores, que tiveram o selo direto da provocação e do açulamento da repressão sem fim do gerenciamento Erdogan. Ocorre que logo nas 24 horas subsequentes ao atentado as forças de repressão turcas prenderam quase 70 pessoas sob a acusação de “terrorismo”, entre eles três cidadãos russos. É bom lembrar que a escalada do fascismo na Turquia coincide com a entrada de cabeça do Estado turco na contenda entre os blocos de poder geopolíticos encabeçados pela superpotência única hegemônica USA e pela Rússia, superpotência atômica. Não se deve esquecer também que o gerenciamento Erdogan mantém ligações econômicas e outras relações nebulosas com o Estado Islâmico.

Em janeiro, promotores pediram a prisão perpétua de dois jornalistas que foram responsáveis pela publicação, em maio de 2015, no jornal Cumhuriyet, sediado em Istambul, de uma reportagem mostrando, com relato e imagens, membros do serviço secreto turco entregando armas a forças que atuam na Síria para a desestabilização de Bashar al-Assad. O redator-chefe do Cumhuriyet, Can Dündar, bem como o responsável pela sucursal do jornal na capital Ancara, Erdem Gül, foram denunciados pela promotoria por “espionagem” e “divulgação de segredos de Estado”. Logo depois da publicação da reportagem, Erdogan já pedia prisão perpétua para os jornalistas, que estão atrás das grades desde o dia 26 de novembro.

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Fotógrafo sendo socorrido após disparos de soldados turcos

Um vídeo divulgado no fim de janeiro em sites da imprensa democrática mostra um policial turco espancando um jovem curdo de 14 anos de idade até a morte, e depois “plantando” uma arma ao lado do cadáver.

Tamanho é o escancaramento a que chegou o fascismo do AKP: no último dia 24 de janeiro as forças armadas da Turquia emitiram comunicado se gabando de ter matado 711 curdos desde meados de dezembro, discriminando detalhadamente os números macabros: 446 na cidade de Cizre, 120 em Silopi e 145 no distrito de Sur, em Diyarbakir/Amed, no Curdistão do Norte. Além disso, as forças armadas turcas afirmam ter destruído sete mil casas do povo curdo, em uma política de limpeza étnica ora em curso na Turquia e cujos artífices, como se vê, já nem se preocupam tanto em camuflar. O PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) afirma que a esmagadora maioria das mortes é de civis, muitos crianças e adolescentes.

Cizre, Silopi e Sur estão há meses sob Estado de sítio — e de terror — instaurados pelo gerenciamento de Erdogan. Situação semelhante vive a população dos bairros populares de Istambul. Sempre sob o álibi da “guerra contra o terrorismo”, Erdogan ordena sistemáticos e covardes ataques a estes bairros, quando sua polícia política leva até centenas de pessoas presas de uma só vez, como aconteceu em julho do ano passado, quando quase 300 pessoas foram presas em um só dia. Vários mártires do povo já tombaram nestes ataques.

Foi o caso de Dilek Dogan, uma mulher de 25 anos de idade assassinada no dia 18 de outubro de 2015 dentro de sua casa no bairro de Küçükarmutlu, em Istambul, durante uma “operação contra o Estado Islâmico” da polícia de Erdogan. Ela foi morta com um tiro no peito diante de seus familiares. Os policiais relataram o caso aos seus superiores dizendo que “uma mulher militante do DHKP-C [Partido da Frente Libertação Popular Revolucionária] foi eliminada durante um enfrentamento”. Desde o dia do crime, o assassinato de Dilek vem espalhando ainda mais a centelha da revolta iminente nos bairros proletários de Istambul. Recentemente, a polícia turca atacou violentamente um acampamento onde manifestantes faziam greve de fome pedindo punição para seu assassino.

No início de fevereiro, diante das imagens chocantes do exército de Erdogan abrindo fogo contra um grupo de curdos desarmados e agitando uma bandeira branca em Cizre, a ONU revolveu se pronunciar sobre a situação na Turquia, dizendo, pela voz do seu alto-comissário para os Direitos Humanos: “apelo às autoridades turcas para respeitarem os direitos fundamentais dos civis nas suas operações de segurança”.

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O episódio, cujas imagens em vídeo correram o mundo via internet, aconteceu no último 20 de janeiro. Pelo menos 10 pessoas ficaram feridas. O repórter Refik Tekin que registrou o covarde ataque também ficou ferido, e pode ser preso e processado por ter divulgado o vídeo.

A Confederação de Trabalhadores Turcos na Europa (ATIK) tem publicado uma série de artigos em sua página denunciando a escalada fascista promovida pelo regime de Erdogan e seus amos imperialistas. Os regimes fascistas na Turquia e Europa realizam uma caçada implacável contra os lutadores do povo, criminalizam, perseguem e prendem democratas e revolucionários. Em 15 de abril do ano passado a polícia alemã prendeu sete membros da ATIK em um ataque violento executado simultaneamente em várias casas. Também na Suíça, um membro desta organização foi preso e o mesmo ocorreu na França e na Grécia, num total de 12 presos políticos. Tal operação e as prisões foram baseadas, pelo Ministério da Justiça da Alemanha, na chamada lei “antiterror” 129a e 129b.

Em 22 de janeiro, enfrentando um frio de 7ºC negativos, ativistas reuniram-se em Wasserturm, Alemanha, exigindo a libertação imediata dos dez presos políticos da ATIK que ainda são mantidos encarcerados arbitrariamente há quase um ano na Europa. Em um artigo recente publicado em sua página, a ATIK apontou: “Temos de dizer alto e claro: somos antifascistas, mas também devemos desenvolver uma consistente luta anti-imperialista. Estamos em uma luta de morte entre revolução e contrarrevolução. É uma luta entre um punhado da classe dos capitalistas e os milhões dos povos oprimidos do mundo. Se agirmos de forma correta, com uma linha justa, triunfaremos. Somos a maioria e somos fortes. Estamos pagando nosso tributo de sangue nas aldeias, nas montanhas, nas cidades, nas ruas, nas fábricas, no campo, nas prisões, nas escolas. Precisamos lutar juntos até a vitória. Camponeses, operários, contra o regime corrupto e fascista no nosso país”.

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