Notas internacionais

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Grécia: fracasso do oportunismo

No último 25 de janeiro completou-se um ano desde a chegada do partido dito “de esquerda radical” Syriza ao gerenciamento do Estado grego, tendo à frente o “primeiro-ministro” Alexis Tsipras, eleito porque prometera acabar com as políticas de arrocho ao povo ditadas pela Troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI) e levadas a cabo pelas mãos dos sabujos do gerenciamento anterior, até o limite do insuportável para as massas trabalhadoras.

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Não demorou um ano, porém, para que viesse à tona um dos maiores estelionatos eleitorais da história da Europa. Em vez de romper com a Troika, como prometera, Tsipras logo sentou-se à mesa para “negociar” com os “credores”; em menos de seis meses já havia sacrificado mais direitos e mais um tanto de patrimônio do povo grego no altar da “austeridade”; e agora, um ano depois, é saudado pelos chefes da Europa do capital monopolista — e até pelo sionismo — por ser até “mais realista que o rei”.

O saldo é que, em um ano, Tsipras renovou com a Troika compromissos de superávits bilionários, e consequentemente aumentou impostos que incidem sobre o dia a dia da população, vendeu bancos públicos a fundos especulativos, privatizou aeroportos e portos marítimos e não se cansa de “reformar” a previdência dos trabalhadores gregos.

Tamanha traição constituiu um duro golpe no combativo povo grego, que antes da eleição do Tsipras lograva levar a cabo combativos protestos de massa, sucessivas greves gerais e altivos enfrentamentos com as forças de repressão mobilizadas para defender o interminável arrocho.

As forças progressistas e democráticas mais combativas da Grécia, entretanto, aos poucos conseguem esconjurar o oportunismo e o oficialismo das suas fileiras e agora já ocupam as ruas com novas, retumbantes e frequentes manifestações multitudinárias, como a do último 23 de janeiro na capital Atenas, que reuniu milhares de pessoas. Desde o início de janeiro as massas estão nas ruas especialmente para fazer parar mais uma investida de Tsipras contra a previdência. O “primeiro-ministro” quer cortar ainda mais as aposentadorias dos gregos, que já diminuíram 30% nos últimos anos. Além disso, quer promover mais um aumento da idade para se aposentar, como lhe requisitam os “credores”.

No dia 4 de fevereiro o povo grego se mobilizou em massa para a primeira greve geral de 2016 contra o gerenciamento Tsipras, que, como seus antecessores, mandou para as ruas as forças de repressão, visando tentar aplacar a fúria das multidões. As violentas escaramuças voltaram às ruas de Atenas. A Grécia arde em chamas novamente com a juventude e o proletariado unidos em defesa do seu patrimônio e dos seus direitos historicamente conquistados.


França: jornada de lutas classistas

O dia 26 de janeiro foi marcado por inúmeras greves e protestos de setores do funcionalismo público na França, com o incremento de ações também por parte dos controladores aéreos e de taxistas. Foram mais de mil ações de classe espalhadas por todo o país. As manifestações têm como pano de fundo central o arrocho subrreptício que o “socialista” François Hollande vem tentando empurrar goela abaixo das classes trabalhadoras, com depreciação salarial, corte de postos de trabalho e consequente dilapidação dos serviços públicos, sobretudo do setor de educação. Os salários do funcionalismo público estão congelados na França desde 2010.


Tunísia: rebelião popular

Berço da onda de massivos protestos populares que ganharam a fama de “primavera árabe” há alguns anos, a Tunísia voltou a ser palco de agigantadas manifestações em janeiro, com protagonismo da juventude tunisiana castigada pelo desemprego e pela carestia. O gerenciamento reacionário do país, resultado das conformações das classes dominantes para se manterem no poder na sequência da “primavera”, decretou toque de recolher entre as oito da noite e as cinco da manhã. O estado de ebulição popular na Tunísia obrigou o “primeiro-ministro” Habib Essid a cancelar uma viagem que faria à Europa para a assinatura de mais acordos de lesa-pátria com o imperialismo.

Dezenas de pessoas foram presas e centenas ficaram feridas após confrontos com as forças de repressão de Essid. As massas trabalhadoras buliçosas e a juventude insubordinada da Tunísia têm à frente a tarefa de centuplicar suas ações contra o Estado que lhes oprime e a urgência da formação de lideranças consequentes e verdadeiramente compromissadas com os anseios de classe do povo, sob pena de as classes dirigentes, sempre com o apoio do imperialismo, novamente articularem politicamente para a manutenção do status quo.

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