América Latina

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Plano Colômbia é renovado e rebatizado por Obama

No início de fevereiro o chefe de turno do imperialismo ianque, Obama, recebeu em Washington o gerente de turno do país transformado em grande enclave do USA na América do Sul, Juan Manuel Santos, “presidente” da República da Colômbia. O tête-à-tête aconteceu para que ambos pudessem alinhavar diante das câmeras os últimos detalhes da renovação, mais uma, do Plano Colômbia, que é a forma jurídica, contratual, no âmbito da boa diplomacia e das boas relações internacionais, com que os vende-pátria encastelados desde sempre nas altas instâncias políticas desta semicolônia subjugam o país e seu povo aos interesses do império.

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Santos e seu chefe Obama comemoram plano antinacional

Agora, entretanto, o famigerado Plano Colômbia, que tanta desgraça já levou ao povo daquele país — e tanta ameaça faz pairar, mais que nunca, sobre toda a América Latina —, é rebatizado por Obama de “Paz Colômbia”. E justamente no momento em que a “parceria” (como se fosse possível haver algo que denota pé de igualdade entre um país imperialista e um país semicolonial) completa 15 anos de vigência, ao longo dos quais o imperialismo ianque mobilizou recursos da ordem de US$ 10 bilhões para montar ou incrementar suas sete bases em território colombiano, transferir tropas e equipamentos militares e para treinar e armar as forças armadas locais.

Obama já requisitou ao congresso ianque a aprovação de mais US$ 450 milhões a título de “ajudar” na “desmobilização das guerrilhas” na Colômbia ao longo dos próximos cinco anos, na sequência do avançado processo de deposição de armas pelas Farc. A crônica da imprensa do USA prevê que a requisição deve ser aprovada sem dificuldades, mesmo que o congresso atual seja dominado por políticos do Partido Republicano, tendo em vista que a renovação do Plano Colômbia, sob a maquiagem da Pax, seja assunto de “interesse nacional”, ou seja, de interesse do imperialismo.

Em entrevista coletiva sobre o novo-velho “Paz Colômbia”, Juan Manuel Santos, que estava lado a lado com o secretário de Estado ianque, John Kerry, disse cinicamente: “Condições impostas pelo governo do presidente Obama à Colômbia? Nenhuma!”.

Não obstante, a “Paz” segue a mesmíssima linha do “Plano”: por trás da fumaça da “desmobilização das guerrilhas” — álibi que além do mais escamoteia o terror no campo colombiano instaurado não exatamente por guerrilheiros, mas sim por hordas paramilitares ligadas ao poder de Bogotá — o objetivo é perpetuar na Colômbia um projeto colonial-militar modelo do imperialismo. Uma invasão branca de uma nação da América Latina com soberania dilacerada nas últimas décadas pelas facções de Álvaro Uribe, Andrés Pastrana e, finalmente, Juan Manuel Santos, e fazendo das próprias forças armadas colombianas uma força de intervenção local de 270 mil homens treinados e comandados pelo Pentágono, prontos para o combate.

Foi em conjunto com estas forças armadas subordinadas ao Pentágono que as forças armadas do Brasil realizaram exercícios militares no final do ano passado ao longo da fronteira comum entre os dois países, na selva amazônica. As operações Anostomus II (na Colômbia) e São Joaquim (no Brasil) foram realizadas entre 20 de novembro e 10 de dezembro de 2015. O objetivo? Combate à “narcoguerrilha”. O exército brasileiro informou que novas operações desse tipo deverão acontecer em 2016. Um general do lado de cá disse o seguinte à imprensa, com discurso idêntico àquele com que se legitima a transformação da Colômbia em enclave do USA: “o narcotráfico só começa aqui, depois gera problemas sociais e chega às capitais das grandes cidades, onde destrói mais vidas”.

As forças armadas brasileiras pretendem ainda propôr manobras militares conjuntas ao Peru, precisamente o país latino-americano onde o USA recentemente aumentou a presença de suas tropas de 125 para 3200 soldados. Pelo visto, na América do Sul, não só apenas as forças armadas colombianas estão subordinadas ao Pentágono.


Bolívia: Morales derrotado em circo do referendo

O gerente de turno da Bolívia, Evo Morales, foi derrotado em um “referendo constitucional” convocado por ele próprio como ato final de uma ampla manobra política para tentar se garantir (e à sua fração político-eleitoreira) mais alguns anos encastelado nas altas instâncias do Estado boliviano, afirmando que o povo deveria escolher nas urnas se queria consolidar sua “independência” ou se queria, de outro modo, voltar à “dependência”.

Evo Morales não poderá, assim, concorrer a um quarto mandato consecutivo na farsa eleitoral prevista para 2019. Morales ainda tem, entretanto, mais quatro anos de “mandato” pela frente, tendo já cumprido quase 10 anos de governo de muita retórica, e apenas de muita retórica, anti-imperialista, não obstante os monopólios sempre preferirem lidar com a direita puro-sangue, os vende-pátria mais assumidos, por assim dizer, do que com o oportunismo tentando se equilibrar entre o compromisso com a servidão e as promessas vazias de compromisso com as massas.

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