Migrantes: muito frio, muito calor, muita humilhação

É grave a situação das massas migrantes em todo o mundo. À parte as agruras próprias das grandes migrações e os aproveitadores de toda ordem que veem oportunidade na desgraça, é de cunho cada vez mais claramente fascista a reação das potências da União Europeia e de outros países, como o Estado criminoso de Israel, à chegada à suas fronteiras e à entrada em seus territórios de grandes contingentes de deserdados da terra. São trabalhadores, crianças e velhos a quem, com a miséria, a violência e a barbárie mordendo-lhes os calcanhares, restou não mais do que a arriscada e humilhante jornada da emigração, na maioria das vezes dita “clandestina”, a fim de postular a condição de refugiado em países onde, julga-se, é possível viver com alguma, ao menos alguma dignidade.

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Refugiados protestam no campo de detenção de Holot

Na Europa, a situação dos migrantes que chegam da África e do Oriente Médio se encontra em estágio particularmente dramático na Grécia, onde cerca de 150 mil pessoas, a maioria sírios, veem o passar dos dias amontoadas em campos improvisados, estádios de futebol e outros tipos de confinamento reservados pelo “ideal europeu” a quem chega sem ser convidado.

Nos primeiros dias de março, cerca de 30 mil migrantes se espremiam sob o frio e contra os aramados da fronteira grega com a Macedônia, novamente fechada em meados de fevereiro pelo governo daquele país, e sob regras arbitrárias, humilhantes e hipócritas, resumidas no anúncio de que podiam embarcar em trens para a Sérvia quem viesse de “cidades que estão em guerra”.

Podiam passar, assim, cidadãos que comprovassem ser de Allepo, cidade síria onde o monopólio da imprensa gravou e fez repercutir imagens chocantes e comoventes da barbárie da guerra civil, mas não podiam passar cidadãos que vinham, por exemplo, de Damasco ou de Bagdá, como se nas capitais da Síria e do Iraque, países arrasados por agressões e ingerências das potências capitalistas, não houvesse motivo para a emigração. Em Bagdá, a explosão de um caminhão-bomba destroçou pelo menos 60 pessoas no dia 6 de março. Em Damasco, no fim de fevereiro, três incidentes deixaram 87 mortos e 180 feridos.

Na Palestina invadida, Israel fascista tenta se livrar de imigrantes provenientes da Eritreia e do Sudão prometendo-lhes dinheiro para que procurem outro lugar para viver, conforme mostrou reportagem publicada em fevereiro pela BBC. Israel fascista, que acolhe menos de 1% dos pedidos de refúgio que recebe, manda a maioria dos imigrantes que chegam ao seu território ao campo de refugiados (verdadeiramente um campo de detenção) de Holot, no deserto de Negev, onde milhares de sudaneses e eritreus padecem sob o calor sufocante, carências alimentares e falta de cuidados de saúde.

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