Autoridade dos camponeses desmascara mentiras da polícia e do latifúndio

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Atendendo ao chamamento da Comissão Nacional das Ligas de Camponeses Pobres (LCP), camponeses de diversas áreas de Rondônia, personalidades democráticas e ativistas de organizações populares compareceram a duas importantes manifestações, em Jaru e Ariquemes (RO), contra as perseguições, reintegrações de posse, sequestros, torturas e assassinatos de camponeses e lideranças.

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As bandeiras vermelhas tomaram as ruas de Ariquemes durante o vigoroso ato camponês

Os atos denunciaram, particularmente, a grave situação no Vale do Jamari, onde está em curso uma odiosa campanha de criminalização de dirigentes e ativistas do movimento camponês empreendida pelo latifúndio, seus bandos de pistoleiros e a Polícia Militar — sob o comando do coronel Ênedy Dias de Araújo —, que, com o suporte da imprensa venal do latifúndio, nas últimas semanas, despejou toda sorte de mentiras e insultos contra os camponeses de Rondônia, objetivando criar um ambiente favorável para perseguições e assassinatos.

Ato em Jaru

 A primeira manifestação ocorreu no dia 23/02, em Jaru, contando com a participação de camponeses de diferentes áreas do estado e de organizações e entidades democráticas e revolucionárias.

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Entre as organizações estiveram presentes a LCP de Rondônia e Amazônia Ocidental, o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (Cebraspo), a Associação Brasileira dos Advogados do Povo (Abrapo), a Liga Operária, o Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR), o Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação (Moclate), o Sindicato dos Trabalhadores da Construção de Belo Horizonte e Região (Marreta), o Sindicato dos Nutricionistas do Estado do Rio de Janeiro (Sinerj), o Movimento Classista em Defesa da Saúde do Povo, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e o Conselho Estadual dos Direitos Humanos.

O ato contou com o apoio de dezenas de comerciantes, entidades e personalidades democráticas de Jaru e Porto Velho, que contribuíram com alimentos e dinheiro, demonstrando que o povo deve apoiar-se nas suas próprias forças, pois as massas organizadas podem fazer tudo.

Antes da atividade, como forma de justificar o ostensivo aparato policial, a imprensa do latifúndio espalhou boatos em suas páginas na internet “noticiando” que a LCP bloquearia uma rodovia.

Em sua intervenção, o representante da Comissão Nacional das LCPs afirmou:

Não temos medo desta canalha milionária de sanguessugas assassinos covardes. Nenhuma campanha de difamação e mentira vai nos intimidar. O terrorismo dos latifundiários com seus bandos de assassinos a soldo, acobertados por agentes do Estado, por governos e juízes mercenários não pode e nem vai parar a luta pela terra. Os criminosos travestidos de ‘autoridades’, com cargos e funções obtidos com corrupção e na farsa das eleições pensam que podem afogar em sangue a luta pela terra. Enganam-se, senhores! O sangue derramado de nossos companheiros rega a nossa sagrada luta por exterminar o latifúndio e pela entrega das terras para os camponeses pobres sem terra ou com pouca terra, seus verdadeiros e legítimos donos.

A LCP rechaça todos os ataques caluniosos lançados sistematicamente pela polícia, governantes e essa ‘imprensa’ latifundiária venal contra os camponeses pobres, contra a luta pela terra e contra seus abnegados militantes. A LCP reafirma sua posição de defender intransigentemente os camponeses pobres sem terra ou com pouca terra, de lutar com as massas por conquistar a terra para pôr fim ao secular latifúndio, causa das maiores desgraças do povo pobre, do atraso de nosso país e da subjugação da nação por potências estrangeiras.

Camponeses pobres do Brasil e de Rondônia: unam-se com a LCP e levantemo-nos em grandes ondas para varrer o latifúndio do mapa, entregando a terra a quem nela vive e trabalha!

Vigorosa manifestação camponesa

 No dia 24/02, aproximadamente 500 pessoas, entre camponeses e apoiadores da luta pela terra, como professores, estudantes, advogados e representantes de organizações populares de várias regiões de Rondônia e outros estados tomaram as ruas do centro de Ariquemes, no Vale do Jamari, agitando bandeiras vermelhas e cartazes.

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Ato em Jaru rechaçou a campanha de criminalização da luta pela terra em Rondônia

Os manifestantes denunciaram os crimes do latifúndio e seus bandos armados, os despejos criminosos e as ameaças de reintegração contra áreas em que os camponeses vivem e produzem há anos, as perseguições, prisões de dirigentes e ativistas, torturas, assassinatos e desaparecimentos de camponeses.

Desfilaram pelas ruas longas colunas de camponeses das áreas 10 de Maio 1 e 2 (município de Buritis); Monte Verde e Luiz Carlos (município de Monte Negro); Canaã, Raio do Sol, Renato Nathan 2, Nova Estrela e Terra Prometida (município de Ariquemes); Bacuri (município de Rio Crespo); Rancho Alegre 1 e 2 (município de Pimenta Bueno) e área Zé Bentão (Corumbiara).

O protesto agitou a cidade. Os camponeses não foram para pedir nada. Levaram seu próprio alimento e a fartura da produção nas áreas. Muita banana, abóbora, mandioca, milho, inhame, feijão, arroz, quiabo, limão, cana, coco... Eles avançaram com suas bandeiras, palavras de ordem e agitação pelas ruas e foram acolhidos com aplausos e admiração pela população de Ariquemes, que ouviu com atenção as intervenções e leu os panfletos distribuídos.

Os jornais do latifúndio ridiculamente tentavam diminuir o tamanho da manifestação e alardeavam que a LCP tentaria “invadir quartel da polícia” para justificar o grande aparato policial montado. De fato, o 7º Batalhão da PM estava no trajeto da manifestação e passar por ele era um de seus objetivos. E os camponeses marcharam altivos contra o Batalhão da PM, denunciaram os crimes do latifúndio e as perseguições fascistas da polícia. Denunciaram, principalmente, o papel do seu comandante geral — o coronel Ênedy — e a campanha apócrifa de criminalização do movimento camponês desatada por ele e excretada em páginas na internet e jornais reacionários locais. As mentiras e ataques da polícia foram desmascarados pela autoridade dos camponeses.

Em frente ao fórum da cidade, camponeses desembarcaram grande quantidade de sua produção nas áreas que abastecem as mesas da população de toda a região. Motoristas paravam seus veículos e recebiam os alimentos direto das mãos calejadas de quem os produziu.

A combativa manifestação derrotou o aparato de repressão montado para tentar intimidar os que apoiam a luta pela terra. Segundo a Comissão Nacional das LCPs, a manifestação foi vitoriosa, pois “desmontou as mentiras do latifúndio e da polícia, que tenta criminalizar e isolar o movimento camponês para assassinar seus dirigentes e ativistas”.

 — Devemos manter e ampliar nossa mobilização, prosseguir com as denúncias e aumentar ainda mais a propaganda da luta pela terra, pelo fim do latifúndio, denunciar as reintegrações de posse, as perseguições, o assassinato e desaparecimento de camponeses. A manifestação mostrou a força dos camponeses organizados e em luta. Mostrou a justeza da nossa luta e isso desmascarou as mentiras dos latifundiários e da polícia. Mas não podemos abaixar nossas bandeiras. Toda essa campanha odiosa tem como objetivo criminalizar a luta pela terra e assassinar nossos companheiros e, por isso, devemos seguir mobilizados. Reforçamos nosso chamado aos democratas, aos intelectuais honestos, a todas as pessoas de bem, para apoiarem decididamente a luta pela terra e somarem todos os esforços para barrarmos os ataques fascistas contra o movimento camponês — afirmou um dirigente da Comissão Nacional das LCPs.

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