Notas nacionais

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RJ: jovem é assassinado durante operação da PM

Na segunda quinzena de fevereiro, moradores do Parque União, no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio de Janeiro, flagraram policiais civis da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) retirando o corpo do jovem Igor Firmino da Silva, de 18 anos, do local onde foi assassinado. Igor foi alvejado no lado esquerdo do peito, mas os agentes de repressão alegaram que teriam “prestado socorro”.

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O jovem Igor

O rapaz — mais uma vítima da política fascista de criminalização da pobreza — trabalhava numa padaria no Parque União e foi atingido durante uma operação assassina da polícia na comunidade. Segundo o portal G1, o delegado da Core, Fabrício Oliveira, alegou que “Igor foi morto durante confronto com a polícia”. No entanto, nas redes sociais, a revolta era grande e moradores afirmaram que o garoto não tinha qualquer envolvimento com o tráfico de drogas.


PI: contra a falta de luz

Revoltados com a constante falta de energia elétrica, na noite de 3 de março, moradores do bairro Monte Alegre, na Zona Norte de Teresina, capital do Piauí, realizaram um protesto ateando fogo numa barricada de pneus e madeira. A população local reclama que, praticamente todos os dias por volta das 20h30, a luz acaba e só retorna no dia seguinte.

Alguns dias antes, em 29 de fevereiro, centenas de moradores do Residencial Dom Hélder Câmara, na Zona Sudeste da cidade, já haviam realizado um protesto apreendendo dois carros que prestam serviços para a Eletrobras. Os manifestantes afirmaram que, somente no dia 28/2, o residencial passou mais de 13 horas sem energia e carros da Eletrobras estiveram no local cinco vezes, mas sem resolver o problema.


Abandono e descaso no extremo sul de SP

Victor Prat e Taís Reis

No dia 15 do último mês de fevereiro, a comunidade do Jardim Guanabara foi inundada por um rio de lama devido a uma obra que está paralisada. Após uma chuva forte na região, o escoamento de água e terra da obra da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos invadiu e inundou casas trazendo destruição e revolta.

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Não bastassem as más condições em que o povo vive, a obra da CPTM veio para piorar

Representantes da CPTM foram conferir o ocorrido e, a princípio, se recusaram a falar com a população. Depois de muita pressão, a resposta “oficial” foi de que não poderia ser feito nada, porque ali seria uma área de risco e o que havia ocorrido seria um “desastre natural”. Porém, como relatado nas gravações dos moradores, é possível ver os funcionários afirmando falta de planejamento. No vídeo enviado por um morador ao AND, o gerente da obra disse: “Quando eles fizeram o desenho, eles esqueceram que lá poderia atingir. É igual sua casa, vou fazer um muro aqui, só que se você não estudou ele direito, vai prejudicar o seu vizinho, foi o que aconteceu agora”. Também foi insinuado aos moradores que as reclamações só estavam sendo feitas porque eles queriam tirar dinheiro do governo. A região tem histórico de remoções decorrentes dessa mesma obra que, por vezes, foi adiada e suspensa. O povo resiste nas suas adjacências e convive com o descaso e a violência.

No dia em que a reportagem do AND esteve presente, o clima era de tristeza e indignação. A prefeitura, apressada em encobrir a ingerência em conjunto com o estado, logo convocou equipes de limpeza para retirar os móveis, eletrodomésticos e pertences perdidos. A moradora Andreia, mãe de 4 filhos e responsável pelo irmão deficiente, relatou:

— A gente leva anos e anos pra conseguir, aí segunda-feira entra água na nossa casa, leva os móveis que eu ainda estava pagando… Conclusão, a gente entrou em contato com a CPTM, eles vieram e falaram que eram causas naturais, da natureza mesmo, que a culpa não é deles. Como a gente pressionou um pouquinho mais, eles abriram um buraco, porque ontem, às 2h da manhã, a gente ainda estava tentando recolher o que sobrou. Muita gente perdeu móveis, eu perdi meus móveis todinhos. Meus filhotes de cachorro que tinham nascido um dia antes foram levados pela água, perdi minha cachorra. A água encheu tanto que quebrou a tubulação, ou seja, estou sem banheiro, sem chuveiro, sem água e sem luz e a prefeitura não pode fazer nada e nem a CPTM  — denuncia.

— Eles simplesmente falaram que era desastre natural o que a gente falou. Eu moro aqui há 22 anos e nunca passei por isso, isso nunca aconteceu. Foi depois que eles começaram essa obra aí que a gente teve esse prejuízo enorme. Minha casa rachou de fora a fora e eles falam que é de antes. Estão querendo tirar o corpo fora, não querem ter a responsabilidade de assumir isso e não sabem se vão pagar também. Eles acham que a gente que mora na favela é burro.

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