Professores, funcionários e estudantes em greve no Rio

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Inicia nova batalha em defesa do ensino público

A greve da rede estadual de educação teve início no dia 2 de março com intensas mobilizações que pararam o Rio de Janeiro contra as medidas da gerência Luiz Fernando Pezão (PMDB) que se configuram em verdadeiros ataques contra direitos dos trabalhadores, como o parcelamento do 13º, reajuste salarial zero em 2015, turmas superlotadas, ataques ao sistema previdenciário, entre outros.

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Bloco combativo agitando bandeiras na manifestação de 2/3

Era manhã e grupos combativos de estudantes secundaristas avançavam em passo apressado para a agitada assembleia dos educadores que lotou a Fundição Progresso, na Lapa, capital do estado. Após a assembleia, milhares de professores, funcionários e estudantes tomaram as ruas do Centro. Assim iniciava nova batalha em defesa do ensino público, por melhores salários e condições de trabalho, por um ensino de qualidade e contra a acelerada destruição das escolas, fruto das políticas antipovo das sucessivas gerências de turno. No estado do Rio de Janeiro, além da rede estadual, estudantes, professores e funcionários da Fundação de Apoio à Escola Técnica (FAETEC) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) também deflagraram greves. Tem sido assim nos últimos anos. Quando uma categoria se levanta em uma greve combativa, outros setores se mobilizam e deflagram lutas que se estendem e rompem as barreiras impostas pelo corporativismo, atropelando as direções oportunistas e fazendo tremer os pelegos, governos e patrões.

Na UERJ, a greve (aprovada em assembleia com a presença de mais de 400 pessoas em 1º de março) começou no dia 7 com uma manifestação. Estudantes e funcionários se concentraram na entrada principal do campus Maracanã, na Avenida São Francisco Xavier, e partiram até o Hospital Universitário Pedro Ernesto, na Avenida 28 de Setembro, em Vila Isabel. Os trabalhadores terceirizados denunciavam os três meses de salários atrasados e expressavam sua revolta com faixas e cartazes.

Na manifestação do dia 02/03, a reportagem de AND ouviu professores, funcionários e estudantes.

A saúde e a educação do Rio faliram e o nosso dinheiro continua sendo gasto em olimpíadas e com empresas envolvidas nesse evento. Não temos hospitais funcionando direito e as escolas estão, muitas vezes, caindo aos pedaços. Hoje somos milhares aqui protestando contra esse governador bandido que é o Pezão. Eu gostaria aqui de ressaltar a presença dos estudantes. Além de estarem presentes aqui nessa manifestação, eles estão realizando protestos em seus bairros, fechando ruas, assembleias, panfletagens e ocupando escolas — afirmou a professora Maria Carvalho, ressaltando a participação da juventude, que tem realizado protestos nas zonas Norte, Oeste, Sul, além da Baixada Fluminense e outras regiões do estado.

Em Niterói, São Gonçalo, São João de Meriti, Nova Iguaçu, Caxias e em muitos outros lugares, a juventude não vai deixar passar esses cortes. Os protestos estão acontecendo quase todo dia. E assim vai ser até conseguirmos nossos direitos. Nas escolas, as reivindicações têm sido formuladas em assembleias, tudo tem sido discutido e assim vamos tocando a luta. Vamos para a rua! — conclama a estudante secundarista Vanessa Couto, de 16 anos.

As eleições municipais se aproximam e muitos oportunistas vão querer se utilizar destas lutas para promover seus candidatos. Precisamos, além de lutar por melhorias na educação, combater este oportunismo que se apresenta como ‘popular’, mas que, na verdade, é um inimigo do povo e da educação. Este é o caso do PT, que é um antigo aliado do PMDB no Rio de Janeiro. PT e PMDB vêm planejando, há muitos anos, os ataques contra o ensino público, não só no Rio, mas em todo o Brasil. Pezão e companhia são os principais ‘companheiros’ da tal ‘pátria educadora’ de Dilma. Além dos governistas, também denunciamos os demais oportunistas que cavalgam a justa insatisfação da população por motivos eleitoreiros. Estamos alertas, nas ruas, nas escolas, continuaremos exigindo nossos direitos de forma independente! — afirmou um ativista do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR), que, após falar com nossa reportagem, reintegrou o combativo bloco de estudantes agitando sua bandeira.

Ativos nas mobilizações, integrantes do Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação (Moclate) nos enviaram uma mensagem dando sua opinião sobre as recentes lutas em defesa da educação pública.

Para o Moclate, “a gerência Luiz Fernando Pezão, patinando na desculpa da crise, vem desferindo duros golpes aos servidores públicos, desenhando um quadro de desvalorização salarial, atraso, parcelamento de salários e uma série de medidas restritivas que contribuem para o aprofundamento do processo de sucateamento dos serviços públicos no estado do Rio. Nesse cenário, a educação se consolida na posição de alvo permanente e se debilita com os enormes cortes orçamentários. Para se livrar da lama que se colocou, o governo avança brutalmente sobre os direitos dos trabalhadores em educação, nos negando o mínimo necessário ao exercício de nossa profissão”.

“Deparamo-nos todos os dias com unidades escolares precarizadas, carecendo de estruturas básicas (ventiladores, aparelhos de ar-condicionado, material de limpeza, laboratórios, etc.); com a lastimável condição dos funcionários terceirizados, submetidos a uma jornada estafante, desviados de função, com baixos salários (constantemente atrasados), além da instabilidade expressa pelas massivas demissões; mesmo nessas condições, persistem as cobranças arbitrárias, antipedagógicas e burocráticas regulamentadas em portarias e executadas pelas inspeções da Secretaria de Educação, nitidamente uma tentativa de vencer pelo cansaço os que se mantém firmes diante de todos esses ataques. O governo não cumpre a lei que garante 1/3 da carga horária para planejamento, segue impondo aos educadores e educadoras a divisão em várias escolas, exige o lançamento das notas no sistema conexão (duplo trabalho) e não abdica do custoso SAERJ — pilar do falido plano meritocrático. Soma-se a isso uma redução real dos salários em consequência da ausência de reajuste (2015 e 2016), atrasos e parcelamentos no pagamento”.

Novas manifestações estão marcadas para acontecer e os estudantes seguem realizando atos e outras atividades em diversas localidades, tanto na capital quanto no interior fluminense. A fan page do jornal A Nova Democracia seguirá acompanhando as mobilizações e divulgando as novidades em tempo real.

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