Editorial - Da desordem à nova ordem

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Desde quando a sociedade se dividiu em classes, sendo uma dominante e outra dominada, o Estado surgiu como necessidade para impedir que tal antagonismo eliminasse a mesma sociedade. Assim, o Estado se impôs, independente da vontade dos homens e mulheres, como instrumento especial de repressão da classe dominada pela classe dominante. Para encobrir tal realidade, a classe dominante impingiu a ideia do Estado acima de toda a sociedade, arvorando seus interesses como os interesses de toda a sociedade. Para tanto, erigiu a figura do Estado como guardião de seus ordenamentos como se fora o de toda a sociedade.

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Coube à classe dominada, uma vez que a velha ordem estabelecida era a responsável pela sua exploração e decorrente opressão, insurgir-se contra ela. Ordem e desordem, velho e novo, construção e destruição são unidades cujos aspectos contrários e opostos são interdependentes, que lutam e sucedem-se contínua, inevitável e indefinidamente como movimento da matéria e como parte da história e sociedade humanas.

Sem destruição não pode haver construção: destruição já traz em si construção. Da desordem, nova ordem.

Spartacus se pôs à cabeça da rebelião dos escravos de Roma para destruir a ordem escravista. O mesmo aconteceu com as guerras camponesas dirigidas pela burguesia para pôr fim à ordem feudal e com as revoluções socialistas para pôr fim à ordem capitalista.

Todas estas revoltas, rebeliões e revoluções foram consideradas, pelas classes dominantes em sua época, ao longo dos milênios, como desordens, e pelos explorados como destruição da velha ordem de exploração e opressão por uma nova ordem.

Na história do Brasil, desde quando os portugueses invadiram este território e aqui estabeleceram um ordenamento mercantil-feudal-escravocrata, verificamos, em contrapartida, as revoltas dos povos indígenas como a Confederação dos Tamoios e dos escravos negros, com destaque para o Quilombo dos Palmares liderado por Zumbi.

Tivemos ainda revoltas e rebeliões de libertação como as lideradas por Felipe dos Santos, Tiradentes, Frei Caneca, Cipriano Barata e outros, e também guerras camponesas como Trombas e Formoso, Canudos, Contestado, Caldeirão, Porecatu, dentre outras.

Fazem parte das desordens, também, rebeliões militares como os dois 5 de Julho, dos quais resultou a Coluna Prestes-Miguel Costa, o maior movimento armado rebelde da história do país e um dos maiores de contestação da ordem estabelecida da história das Américas.

Os 500 anos de formação da Nação brasileira está feita destas ordens e desordens. Todos estes levantamentos fazem parte da lei do povo de lutar e fracassar, lutar novamente e fracassar outra vez, voltar a lutar até alcançar a vitória, antípoda da lei dos impérios de causar distúrbios e fracassar, causar distúrbios novamente e fracassar outra vez, voltar a causar distúrbios e fracassar definitivamente.

No Brasil de hoje segue se impondo o já secular ordenamento semicolonial e semifeudal, responsável pela exploração e opressão de nosso povo e garroteamento da Nação pelo imperialismo, a grande burguesia e o latifúndio. Contra esta ordem, como no passado, seguem se levantando os camponeses e o povo pobre nas cidades.

Diante do apodrecimento acelerado da velha ordem, saudemos as novas desordens dos camponeses, das camadas mais profunda da classe operária, da juventude combatente, das mulheres do povo do campo e da cidade, dos moradores das favelas e das periferias, enfim, das massas populares empobrecidas de nosso rico e imenso Brasil, que em suas manifestações podem escrever: VIVA A DESORDEM, A REBELIÃO SE JUSTIFICA!

Abaixo a velha e corrupta democracia! Pela NOVA DEMOCRACIA e o NOVO BRASIL!

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