Peru: “Boicotar as eleições reacionárias!”

A- A A+

Síntese e adaptação do comunicado do Comitê de Reorganização do Movimento Popular Peru intitulado “Llamamiento a boicotear las elecciones reaccionarias del 10 de abril próximo, publicado em março de 2016.

Proletários de todos os países, uní-vos!

http://www.anovademocracia.com.br/167/24.jpg

O povo não pode servir a seus exploradores e opressores, não pode ajudá-los a resolver seus problemas, não pode endossar seu sistema social, menos ainda servir a eleger outro governo de fome, mais genocida e mais vende-pátria. Este não é seu caminho nem serve aos seus próprios interesses. O único que cabe hoje é NÃO VOTAR, BOICOTAR AS ELEIÇÕES! É a única resposta verdadeiramente popular ante as eleições do Estado reacionário, explorador e genocida.

A sociedade peruana contemporânea está em crise geral e só cabe transformá-la através da guerra popular – como o vem fazendo o Partido Comunista do Peru (PCP) dirigindo o povo desde 17 de maio de 1980 – em meio a qual atualmente vem levando cabo a tarefa de sua reorganização geral e chama o povo peruano ao boicote desta nova farsa reacionária.

 O Peru contemporâneo é uma sociedade semifeudal e semicolonial na qual se desenvolve um capitalismo burocrático, um capitalismo completamente submetido ao imperialismo (em nosso caso, principalmente ianque) que de nenhuma maneira desenvolve a economia nacional, está completamente a serviço da exploração crescente do imperialismo e é totalmente oposto aos interesses nacionais, das mais básicas e urgentes necessidades das massas de nosso povo. A crise geral da sociedade peruana implica a do capitalismo burocrático que entrou em sua fase final, amadurecendo assim, plenamente, as condições para o desenvolvimento e triunfo da revolução.

 Este sistema social é defendido a sangue e fogo por seu Estado latifundiário-burocrático sustentado em suas forças armadas reacionárias. Os governos no Peru, civis ou militares, não são senão as camarilhas de turno, eleitas ou não, que exercem a ditadura sobre o povo em benefício da grande burguesia, dos latifundiários (com sua expressão do gamonalismo, de exercício de Poder no campo), em benefício das classes dominantes e do imperialismo ianque totalmente contra os interesses populares e nacionais.

 O que foi anteriormente apontado pelo PCP em seus documentos partidários, se confirma uma vez mais com o atual governo Ollanta Humala (o genocida capitão “Carlos” *) e sua pandilha. Um governo eleito, saído das urnas, resultado de um acordo entre as frações da grande burguesia. É um dos governos que mais vendeu o país ao imperialismo e, portanto, contribuiu para afundar mais a sociedade peruana na crise que se debate. Afundou o povo na mais implacável miséria e fome. As cifras do trabalho informal são de mais de 70%. O trabalho infantil e o trabalho sem remuneração das mulheres no campo têm crescido em cifras milionárias, assim como os grandes latifúndios e as grandes propriedades do solo e subsolo e água para a exploração dos bens primários, enquanto os camponeses são expulsos de suas terras e fontes de água. Assim, a porcentagem dos bens primários do conjunto das exportações do país passou dos 80% em 2003 para cerca de 90% em 2014 (CEPAL). Também esse governo – reprimindo a sangue e fogo a luta das massas para servir aos interesses das grandes empresas imperialistas e da grande burguesia nativa – bateu o sangrento recorde de seus predecessores. São 69 membros das massas assassinados durante este governo por reclamar seus direitos e opor-se ao saqueio imperialista. “A rebelião se justifica”.

 Esta é a realidade do país, da sociedade peruana e a função dos governos de turno. E o mesmo seguirá sendo enquanto não derrubemos a ordem imperante pela força das armas revolucionárias mediante à guerra popular. POR ISSO, VOTAR É ENDOSSAR O SISTEMA SOCIAL E ELEGER OUTRO GOVERNO DE FOME, MAIS GENOCIDA E MAIS VENDE-PÁTRIA.

Conteúdo exclusivo para assinantes do jornal A Nova Democracia

Em que condições se dão as novas eleições gerais?

 Economicamente, seu reimpulso ao capitalismo burocrático fracassou. Seu famoso crescimento baseado na maior demanda e maiores preços das exportações de produtos agroextrativos está se esfumando e a crise que se dá em nível mundial repercutirá cada dia com maior dureza em nosso país devido ao caráter da sociedade peruana que assinalamos no começo.

 Politicamente, o velho Estado não tem sequer uma constituição válida. A constituição de 1993 não é válida – segundo a constituição de 79 – porque esta só poderia ser reformada pelos mecanismos que ela contempla e esta foi deixada de lado por um “golpe de Estado”, o chamado “autogolpe de Fujimori”, em abril de 1992. Com amparo da “Constituição de 93” é que vem se centralizando cada vez mais o Poder nas mãos do Executivo para passá-lo às Forças Armadas genocidas, que por sua vez, seguindo o ditado pelo imperialismo ianque, vêm assumindo cada vez mais as tarefas de “segurança”, sob o pretexto de combate à delinquência. Cada dia mais estas mesmas Forças Armadas, suas forças policiais e auxiliares, assim como o Presidente, sua “primeira dama”, ministros, juízes, fiscais e presidentes regionais, alcaides, etc., são denunciados não só pela corrupção, mas também por favorecer, auxiliar ou ser parte da delinquência comum organizada, como é o caso dos helicópteros destas forças armadas no VRAE (Vale dos Rios Apurímac e Ene), que transportam toneladas de droga à base da Força Aérea do Peru em Pisco, etc.

Tudo anteriormente mencionado tem levado a maior crise de sua “democracia representativa” e de seus partidos. Podemos dizer que todos esses partidos são simples cascas de ovo para inscrever candidaturas de caudilhos baseados em “forças ou partidos regionais” financiados pelos programas de “assistência social”, pelos recursos estatais e de empresas, pelo narcotráfico.

Como já apontou o PCP, é cada vez maior o desprestígio, a desordem e o caos. Maior a corrupção e mais desavergonhado o cinismo que corrói o Estado latifundiário-burocrático, cujo governo competem frívola e alegremente, com escaramuças verbais e quiçá um ou outro choque, uns quantos demagogos de mal encobertos interesses e ambições desenfreadas, como os cerca de 18 candidatos, entre eles alguns descarados acomodados “esquerdistas” do velho revisionismo, verdadeiros e fiéis defensores do sistema dominante, representantes da mais desenfreada expressão do velho caminho do oportunismo eleitoreiro, do cretinismo parlamentar no país.

 Frente a tudo isso, a nós, no estrangeiro, nos corresponde servir a impulsionar a luta de classes de nosso povo, que passou a se desenvolver como guerra popular contra a velha ordem social, o velho Estado e suas forças armadas e policiais reacionárias. Guerra revolucionária que se dá já há quase trinta e seis anos e que, apesar de toda a “guerra de baixa intensidade” do imperialismo ianque e a reação peruana, não se pôde aniquilá-la e, nesta tarefa, também fracassou o governo de Humala.

 A guerra popular tem mudado radicalmente as condições, tem mostrado como, com as armas, se derruba por partes o caduco sistema e se cria o Novo Poder para o povo, para os oprimidos. E este novo e irreversível processo continuará desenvolvendo-se mais e mais como o problema principal do Estado peruano, pois é sua negação, sua destruição e contra ele terá que empenhar-se mais e mais em defesa das classes exploradoras e seu amo imperialista enquanto o povo, as massas e, principalmente, a guerra camponesa, marcha pois, como disse Lênin: a mesma fome o impulsiona.

 Portanto, o que corresponde é servir à reorganização geral do Partido para que este dirija a guerra popular e culmine a revolução democrática, e passar de forma imediata e ininterrupta à revolução socialista e à ditadura do proletariado.

Eleições, Não! Guerra Popular, Sim!

Não votar! Boicotar as eleições!

Servir a reorganização geral do Partido Comunista do Peru!

Viva o Presidente Gonzalo!

Glória ao Marxismo-Leninismo-Maoísmo, Pensamento Gonzalo!

Comitê de Reorganização do Movimento Popular Peru

Março de 2016

* Nome falso utilizado por Humala quando comandava as torturas e assassinatos perpetrados na base militar de Madre Mia, entre 1992 e 1993.

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja