MS: Guarani-Kaiowá sofrem série de ataques

A- A A+
Pin It

Os Guarani-Kaiowá vêm sofrendo com uma série de ataques e ameaças por parte de bandos de pistoleiros a mando de latifundiários no estado do Mato Grosso do Sul.

Conteúdo exclusivo para assinantes do jornal A Nova Democracia

No dia 10/03, no tekoha Kurusu Ambá, no município de Coronel Sapucaia, fronteira com o Paraguai, pistoleiros provenientes de fazendas que incidem sobre o território indígena efetuaram disparos de arma de fogo contra a aldeia. Nenhum indígena saiu ferido. O ataque ocorreu horas depois do fim da visita de Victoria Tauli-Corpuz, relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos e as Liberdades Fundamentais dos Povos Indígenas, que visitou áreas indígenas nos estados da Bahia, Mato Grosso do Sul e Pará, entre os dias 7 e 17/03, para identificar e avaliar os principais problemas enfrentados pelos povos indígenas no Brasil.

No dia 12/03, no tekoha Ita Poty, localizado no limite entre os municípios de Dourados e Itaporã, pistoleiros atacaram a aldeia, atirando contra os indígenas. Na ação, Isael Reginaldo foi atingido, sendo socorrido e levado para o hospital, onde constatou-se ao menos oito perfurações pelo corpo. Isael Reginaldo, apesar dos ferimentos, não corre risco de morte.

No dia 14/03, outro ataque ao tekoha Ita Poty, no qual os pistoleiros atacaram utilizando armas com munição não-letal. Um indígena de 70 anos foi atingido por uma bala de borracha, não correndo nenhum risco. De acordo com uma liderança indígena: “Quem atirou estava de caminhonete, tinha umas duas, três caminhonetes. (...) Parou um dos carros, saiu um de dentro, e deu o tiro no rezador”. Conforme a liderança indígena, latifundiários e pistoleiros estão utilizando tanto munições letais como não-letais, visando manter os ataques, mesmo com a presença de forças policiais.

Na noite de 17/03, Jonemar Terena, de 38 anos de idade, foi atingido por dois tiros nas costas, em mais um ataque a Ita Poty. Em nota divulgada na página do Facebook do Conselho Aty Guasu, os indígenas do Tekoha Ita Poty acusam os “proprietários” da fazenda Cristal de serem os responsáveis por essa onda de ataques.

O território Ita Poty, área retomada e reivindicada pelos Guarani-Kaiowá, que conta com cerca de 60 famílias, incide sobre a fazenda Cristal, um latifúndio que pertenceria aos mesmos proprietários de uma rádio FM da localidade.

A Terra Indígena (TI) Kurusu Ambá está em processo de identificação e delimitação há quase uma década, onde o relatório de identificação sobre a área aguarda a aprovação da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) de Brasília. Nesse período, 4 indígenas já foram assassinados nessa área, sendo que nenhum inquérito acerca dos homicídios foi concluído.

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond
Sebastião Rodrigues
Vera Malaguti Batista

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja