A mistificação da democracia para salvar o velho Estado

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O processo de deslocamento da camarilha de PT-pecedobê e quejandos da gerência de turno do velho Estado expõe (além de tudo o que tem sido esfregado na cara dos brasileiros) a face mais sabuja do oportunismo eleitoreiro, pois para salvar a podre institucionalidade não titubeiam em lançar mão da mais rasa mistificação da democracia burguesa.

Desde sua fundação, o PT é um defensor incondicional da farsa eleitoral como redenção para os problemas do povo, bancando o engodo da “redemocratização” após os militares, processo todo teleguiado e controlado pelo imperialismo para assegurar a passagem para mãos civis da gerência de seus interesses aqui na semicolônia Brasil, apenas aguardando o momento para lançar mão do oportunismo como solução temporária para a crise iminente.

Ao longo das décadas, passando pela formulação do que eles chamam de “Constituição cidadã”, esses mesmos oportunistas se esforçaram para acordar com o latifúndio e a grande burguesia nativa os termos da sua chegada à testa do velho Estado, condição sem a qual não haveria triunfo eleitoral nenhum de Luiz Inácio.

Trataram também de converter seu discurso radicaloide dos primeiros tempos em palavras mansas de “democratizar o Estado”, para, na verdade, se fundir nele e incorrer nas mesmas práticas criminosas de todos os que ocuparam a sua gerência. Enquanto ofereciam migalhas para uma parte das massas a título de “distribuição de renda”, promoviam o céu de brigadeiro para os bancos, as transnacionais e o chamado “agronegócio”. E, paralelamente, a gerência petista se afundou nas práticas mais imundas da política, entre elas a corrupção e a compra de apoio parlamentar. Essa é sua concepção de democracia.

E por que é mistificadora?

Após desembarcar no Planalto, o PT e sua corriola, à medida que iam se entranhando nas estruturas do Estado, talvez tencionando se confundir com ele, foram lançando mão de expressões caras aos mantenedores do establishment, como a necessidade de defender o “Estado democrático de direito” nomeado na Constituição de 1988.

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Tal recurso é mistificador porque parte do princípio de que o atual velho Estado é o oposto do que existia na época do gerenciamento militar-fascista, chamado por muitos de “ditadura militar”. Tal conceituação visa levar a crer que o que vivemos deve ser defendido, sob pena do retrocesso à “ditadura”. De propósito, ignora que não há democracia nenhuma para as massas, que têm seus direitos pisoteados diariamente, também e ainda mais pela gerência de turno do oportunismo eleitoreiro.

Aos desavisados que ainda argumentam com a ausência da ampliação de direitos prometida em campanha pelo lulopetismo, e ainda com a perda de outros mínimos direitos e atos verdadeiramente antipovo cometidos em nome da “democracia”, os asseclas do oportunismo (mesmo os da oposição de “esquerda”) se apressam a defender a tese da “democracia jovem”, de “apenas” 30 anos (apenas!?).

Mas nenhum desses intelectualoides é capaz de dizer quando é que essa geringonça chamada por eles de “democracia” estará madura para, enfim, legar ao povo e à nação sua verdadeira independência.

E não são capazes disso porque a resposta é que pela via da farsa eleitoral e pelas mãos do oportunismo eleitoreiro isso nunca ocorrerá.

Para o oportunismo, fascista é sempre o outro

E assim, de eleição em eleição, de estelionato eleitoral em estelionato eleitoral, a gerência PT-FMI atravessou já mais de 13 anos, passando por ataques mais ou menos ferozes dos diferentes grupos de poder que disputam a gerência do velho Estado.

Suas bases populares, antes mobilizadas para a consecução do objetivo do triunfo eleitoral, insatisfeitas e dispersas pela política continuísta, precisavam ser novamente coaguladas sempre que o “governo” balançava, e nada melhor para isso que o bom e velho “perigo de golpe”. Essa velha tática oportunista foi usada no mensalão e em diversas oportunidades e nem era tão necessário assim, já que a gerência petista gozava do apoio do imperialismo e das classes dominantes locais.

Mas veio 2013 e tudo que parecia sólido para os petistas se desmanchou no ar. Agarrados como sanguessugas ao velho Estado e na obrigação de defender o status quo, o oportunismo eleitoreiro tratou de fazer coro com o monopólio da imprensa, criminalizando a Juventude Combatente que travava batalhas quase que diárias com as forças da repressão. Batalhões de intelectuais a soldo foram mobilizados para ver ali, e não na gerência petista, o ovo da serpente do fascismo que há muito eles mesmos haviam chocado.

Essa é a sina do oportunismo

E assim, julgando seu reinado inabalável pelos inestimáveis serviços prestados ao imperialismo e às classes dominantes, o oportunismo petista chegou à farsa eleitoral de 2014 se arrastando, conseguindo se eleger com 54 milhões de votos, sendo que seu adversário obteve 51 milhões e os votos brancos, nulos e abstenções somaram outros 37 milhões. À ilegitimidade da eleição, esse resultado patético veio acrescentar outro, talvez muito mais grave para a dominação imperialista: o fato de que o povo não aceita mais a farsa eleitoral como símbolo máximo da democracia burguesa.

Enfraquecida pelo baixíssimo apoio popular, desmascarada pelos movimentos populares independentes, chafurdando na lama da corrupção, atacada pelos grupos de poder rivais, a gerência oportunista chega a seu fim deixando como principal legado a desmoralização completa do termo “esquerda” em política, bem como a ressurreição do anticomunismo mais sórdido.

Ainda lutando para continuar bem servindo a seus amos, entretanto, o oportunismo esperneia como pode, e como já não é mais possível reunir suas próprias bases em sua defesa, agregam, mais uma vez, o conteúdo mistificador da “defesa da democracia”, que vem surtindo efeito sobretudo nas bases das demais siglas eleitoreiras, que se fingem de “oposição pela esquerda” ao PT, mas são mesmo suas linhas auxiliares.

Defender qual democracia?

A chantagem infinita que o oportunismo pratica está com os dias contados. Não há nada mais que seja capaz de mobilizar massas em apoio de sua gerência.

Aos lucros fabulosos dos bancos, renuncia fiscal às transnacionais e benesses ao latifúndio, soma-se a completa paralisação da “reforma agrária”, a retirada de direitos trabalhistas e previdenciários, a lei antiterror (leia-se antiprotesto), os massacres diários contra os pobres do campo e das cidades, etc. É essa a democracia que o oportunismo chama a defender.

Na verdade, e é preciso que isso fique muito claro para os verdadeiros democratas e revolucionários, a defesa dessa democracia de fancaria é a defesa mais desavergonhada da institucionalidade que garante a manutenção do poder do imperialismo, do latifúndio e da grande burguesia.

Agora, às portas de ser em defenestrado do Planalto, os porta-vozes do PT seguem prometendo, como na farsa eleitoral de 2014, um “novo governo” e um “novo tempo”, caso escapem do processo de impeachment.

O certo mesmo é que o povo nada pode esperar de bom de qualquer um dos resultados possíveis dessa pugna, e caso o oportunismo siga gerenciando o velho Estado, se prestará com ainda mais afinco ao papel de gendarme da contrarrevolução. Afinal, de que forma os defensores da “democracia” pretenderão conter o levantamento popular que se anuncia grande e tempestuoso?

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