Leonard Peltier cumpre 40 anos como preso político no USA

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Ativista pelos direitos dos povos originários foi condenado a duas prisões perpétuas, sem provas, em um processo viciado de manipulação e ilegalidades.

Nas décadas de 1950, 60 e 70, o governo de USA travava uma dura persecução pelo desmantelamento dos movimentos de esquerda, de defesa dos direitos civis dos negros e dos povos originários. Peltier, índio da tribo Lakota, era dirigente do combativo AIM (American Indian Movement), que lutava pelos direitos dos aborígenes.

No ano de 1975, além das forças do governo, grupos paramilitares vinculados ao FBI, formados por indígenas atuando mercenariamente, aterrorizavam a empobrecida reserva indígena Pine Ridge, do povo Sioux, situada em Oglala, no estado de Dakota do Sul. Além de abusos e espancamentos, mais de 60 índios tinham sido assassinados impunemente nos últimos tempos sem que o governo demonstrasse a menor preocupação. Os ataques contra o povo tinham piorado depois que empresas mineradoras descobriram jazidas de urânio e carvão.

A reserva vivia em permanente tensão, armada para se defender. Peltier, assim como outros ativistas do AIM solidários com o povo de Pine Ridge, atenderam aos pedidos de ajuda e se juntaram para participar da proteção.

Em 26 de junho de 1975, dois agentes do FBI ingressaram na propriedade particular onde estavam acampados os ativistas da AIM com o pretexto de prender um acusado de roubar um par de botas usadas. Estavam em um carro sem identificação, com roupas civis e passaram a perseguir uma caminhonete. Desconhece-se o motivo que desencadeou um forte tiroteio que culminou com a morte dos dois agentes do FBI e um índio.

Prontamente, o FBI, com dezenas de agentes, cercou a área para deter os culpados pela morte dos policiais. Dois ativistas do AIM foram presos depois que o carro em que fugiram pegou fogo. Peltier conseguiu driblar o cerco e atravessou a fronteira, refugiando-se no Canadá.

Os dois ativistas foram julgados inocentes, além de não existirem provas de que tivessem alvejado os agentes. Foi considerado que eles estavam defendendo o lugar habitado por mulheres e crianças. A partir de então, gente do governo ianque decidiu fazer uso de todos os meios para condenar Peltier.

Começaram obrigando uma mulher indígena, que sequer estava no local, a assinar uma declaração falsa de que ela era noiva do Peltier e que o tinha visto atirar a queima-roupa nos agentes. Com esse documento, conseguiram que o Canadá o extraditasse.

O processo contra Peltier é um acúmulo de manipulações e ilegalidades. Documentos obtidos com base na ‘Lei de Liberdade de Informação’ mostram como o caso foi montado de forma fraudulenta, chantageando e ameaçando testemunhas, forjando pericias balísticas.

O governo ianque já reconheceu que os meios que usou para pedir a extradição ao Canadá eram falsos. O fiscal encarregado admitiu que o governo não tinha provas para determinar quem assassinou os agentes. A Anistia Internacional, o Parlamento Europeu, parlamentares ianques, numerosas organizações e personalidades têm denunciado o caso e pedido a imediata libertação de Peltier. Bill Clinton, quando ocupava o cargo de presidente de USA, prometeu interceder, mas desistiu ante as pressões do FBI.

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