Notas da América Latina

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Peru: para que serve afinal a farsa eleitoral

Neste momento, sopram desde o Peru os ventos mais fortes daquilo que os propagandistas do capitalismo burocrático na América Latina apresentam como “consolidação das instituições”, “afirmação da democracia”, “respeito à vontade do povo”, ou seja, todas essas expressões tão empoladas quanto vazias com que os parasitas que se acotovelam para se encastelar no topo dos velhos e podres Estados do continente tentam perpetuar seus países na mais dramática condição semicolonial, via farsa eleitoral.

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Peruanos recordam assassinatos cometidos na era Fujimori

Depois da “sudestada” chamada Mauricio Macri, que varreu do gerenciamento da Argentina o oportunismo de Cristina Kirchner, para substituí-lo pelo mais perfeito e “puro-sangue” funcionário dos monopólios internacionais, agora o Peru está prestes a enxotar mais um alto representante da assim chamada “nova esquerda latinoamericana” — mais esta bela alcunha para algo sujo, o oportunismo —, que atende pelo nome inca de Ollanta Humala, para substituí-lo, em mais um caso dessa estirpe, por uma perfeita e legítima emissária do imperialismo, Keiko Fujimori, filha do facínora Alberto Fujimori e candidata derrotada pelo próprio Humala cinco anos atrás.

Com o segundo turno da farsa eleitoral peruana marcado para o próximo dia 5 de junho, Keiko ora tenta surfar o desencanto, a decepção e o niilismo que constituem uma das maiores desgraças deixadas como legado por essa estirpe de políticos que venceram eleições na última década na América Latina jurando serem representantes das esquerdas, de Hugo Chávez a Luiz Inácio, do casal Kirchner a Evo Morales, mas na prática pondo em andamento a agenda dos monopólios, do latifúndio e da grande burguesia local, infelicitando as massas latinoamericanas tanto quanto o fariam, tintim por tintim, seus adversários da direita assumida por eles derrotados nas urnas.

Só mesmo graças às idas e vindas das sucessivas farsas eleitorais, portanto, que Keiko Fujimori hoje se sente à vontade para, em busca de votos, propor, às vésperas do segundo turno de mais uma eleição no Peru, medidas absolutamente draconianas e antipovo, mas contraditoriamente tidas por “populares”, como a volta da pena de morte ao país e a mobilização do exército para reprimir protestos nas ruas. É para isto que, afinal, serve a farsa eleitoral: para tentar fazer o povo avalizar, com seu voto, as políticas de miséria, exploração e repressão que recairão sobre ele de qualquer maneira, seja pela mão da direita, seja por obra dos mercadores de ilusão do oportunismo.

No Peru, onde legítimos representantes das massas logram manter ativa uma pujante guerra popular, a doença infantil da crença no voto como “arma do povo” está em processo de cura. Mas, como se vê, é uma chaga ainda capaz de causar grandes sofrimentos. É preciso erradicar o mal de uma vez!

Argentina

Torturadores vão ao paraíso (fiscal)

A revelação dos chamados “Papéis do Panamá” confirmou o que desde há muito já se suspeitava na Argentina: gorilas do gerenciamento militar daquele país esconderam em paraísos fiscais recursos que foram roubados de resistentes e democratas que morreram sob tortura, ou simplesmente executados, na famigerada Escola de Mecânica da Armada, a Esma, na sigla em espanhol — centro clandestino de carnificinas do regime militar argentino.

Entre as contas descobertas, muitas delas ativas, estão as de Ricardo Miguel Cavallo, antigo encarregado de sequestros políticos do gerenciamento militar, e de Norma Radice, irmã de Jorge Radice, outro gorila de Videla e companhia. Tanto Ricardo Miguel Cavallo quanto Jorge Radice foram condenados por crimes contra a humanidade.

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