Argentina: imensas colunas das massas no 1º de maio

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Buenos Aires - Nem as centenas de pombos inofensivos que abundam na Praça de Maio, nem as aves de rapina que infestam a Casa Rosada, sede do governo da Argentina. No último 29 de abril, não houve ser vivente encastelado no alto dos prédios ou nas altas instâncias do Estado argentino que não tenha se espantado e ouriçado a penagem de tanto pavor com as bombas, tambores, palavras de ordem e ante as retumbantes marchas de sindicatos e movimentos sociais que partiram de quase todas as esquinas do centro da capital Buenos Aires para confluírem à maior manifestação multitudinária das últimas décadas na Argentina. Centenas de milhares de pessoas estiveram nas ruas por conta do primeiro Dia do Trabalhador com o país sob o gerenciamento do funcionário padrão dos monopólios e das potências capitalistas, Mauricio Macri.

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1º de Maio argentino foi um dia de protestos e duras críticas às medidas de Mauricio Macri

Tremeram-se os corvos, abutres e demais carniceiros do povo argentino ante uma das mais inconstestáveis demonstrações da autoridade das classes trabalhadoras nos últimos tempos na América Latina.

O grande ato do Dia do Trabalhador na Argentina foi realizado numa sexta-feira, dia 29 de abril, dois dias antes do 1º de maio, pelo fato deste cair em um domingo. As lideranças sindicais entenderam que o momento político na Argentina, e sobretudo a situação das massas trabalhadoras castigadas pelas medidas draconianas de Macri, exigiam uma grande manifestação em dia útil. Tais gravidades também foram evocadas também como justifica para o fato de que as cinco grandes centrais sindicais da Argentina marchariam juntas pelas primeira vez.

As concentrações para o ato começaram ainda pela manhã. No famoso obelisco de Buenos Aires, erguido no meio da avenida mais larga da cidade, a 9 de Julho, integrantes do sindicato dos funcionários públicos municipais da capital preparavam desde cedo muito material para o ato, como enormes bandeiras, grandes faixas e pequenos cartazes que seriam carregados por cada um dos trabalhadores e onde já se liam as principais palavras de ordem do grande 1º de maio argentino: não ao “ajuste”, imediata reposição salarial ante a galopante inflação e estancamento das demissões. Algumas bandeiras traziam pintado o mapa de toda a América Latina, simbolizando a certeza de que aquela, esta, é uma luta internacionalista. Amarrada às grades do Obelisco podia-se ver uma faixa que lembrava a todos que é preciso manter os ânimos altivos: “A única luta que se perde é aquela que se abandona”.

 Na esquina da avenida Diagonal Norte com rua San Martin concentraram-se os bancários, com grandes bonecos de papelão ridicularizando Macri e seus ministros; em outros pontos do chamado Microcentro reuniram-se os trabalhadores do comércio, caminhoneiros, taxistas, professores, ferroviários, trabalhadores de empresas de energia e tantas mais categorias em que se possa pensar.

Hebe: ‘20 mil de pé por cada companheiro demitido!’

Ao meio-dia daquela sexta-feira toda a imensa região central da cidade já estava tomada pelas massas. Por volta das 14h, todas as fileiras de trabalhadores confluíram pela avenida Independência e pela avenida Belgrano para o ponto central do ato multitudinário convocado pelas centrais: o monumento Canto ao Trabalho, no Paseio Colón, a poucas quadras da Casa Rosada, que, naquela altura, estava cercada por um grande contingente das forças de repressão e protegida por um perímetro gradeado de aproximadamente 150 metros. Em torno da sede do governo explodiam as bombas e ecoava o canto das massas, alvoroçando os pombos e causando calafrios nos poderosos.

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Muitas colunas que desceram as avenidas Independência e Belgrano vinham saudadas desde o alto dos prédios e lideradas por uma linha de frente de homens e mulheres de braços dados e marchando altivos e confiantes na luta contra as políticas antipovo que ora lhes tentam enfiar goela abaixo. São as políticas que se poderia esperar de um grupo de poder que se viabilizou para render o oportunismo “kirchnerista” a fim de cumprir à risca e com celeridade a agenda do imperialismo em crise. Em quatro meses de “governo”, Macri implementou um “tarifazo” (aumento estratosférico de quase todas as taxas e contas que incidem sobre o dia a dia da população, da luz ao gás, passando pelos preços das passagens do transporte público), voltou a colocar a Argentina no prego do sistema financeiro internacional (o que ele chama de “voltar aos mercados”) e pôs em prática um inclemente processo de demissões em massa no setor público, além de dar sua benção, muito “pragmática”, a uma leva semelhante de demissões em empresas privadas.

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“A única luta que se perde é a que se abandona”

O Centro de Economia Política da Argentina calcula em 150 mil o número de trabalhadores postos no olho da rua desde que Mauricio Macri entrou como “presidente” na Casa Rosada, sendo que quase metade desse total é de funcionários públicos. O gerenciamento Macri, no entanto, nega mesmo que tenha havido tantas demissões, tal e qual a oportunista Cristina Kirchner negava que em seu turno havia tanta inflação. Isto levou um jornal de Buenos Aires a comparar Macri a Dario Lopérfido, o secretário de Cultura da capital da Argentina que recentemente negou que tenha havido 30 mil desaparecidos durante o regime militar no país, dizendo que não foram tantos...

Apesar do caráter francamente agigantado, classista e combativo das marchas de trabalhadores que cruzaram a cidade e confluíram ao Canto ao Trabalho, o imenso palco principal do ato, recheado de dirigentes das cinco grandes centrais sindicais argentinas, estava impregnado pelo “kirchnerismo”, pelo “peronismo”, enfim, pela lógica eleitoreira em geral, bem como os discursos ao microfone foram pontuados pelos apelos a que Macri se reúna com os sindicatos antes de tomar decisões — postura um tanto conciliatória e um tanto contrastante com o evidente e fervente ânimo das massas para a luta mais radicalizada.

No dia seguinte às grandes manifestações multitudinárias, as Mães da Praça de Maio ocuparam, com familiares e militantes dos Direitos Humanos, a parte da praça além das grades de Macri — que ainda estavam lá, “protegendo” seu gerenciamento das massas buliçosas — para celebrar 39 anos desde sua primeira marcha contra o gerenciamento militar na Argentina.

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