Viva os 130 anos do 1º de Maio!

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Há 130 anos, milhares de operários, a maioria imigrantes, tomaram as ruas de Chicago, nos Estados Unidos, desfraldando a reivindicação de jornada de oito horas de trabalho em protesto contra a superexploração e a opressão a que eram submetidos. Combateram as forças de repressão e vários verteram seu sangue nas combativas lutas pela reivindicação trabalhista e pela libertação da classe. No 1º de Maio de 1886, as organizações sindicais classistas acordaram que os trabalhadores deviam impor a jornada de oito horas e fechar as portas de qualquer fábrica que não aderisse. A demanda de oito horas iria se transformar, de uma reivindicação econômica dos trabalhadores contra seus patrões imediatos, em uma reivindicação política de uma classe contra outra.

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Célebre gravura de dinamite explodindo no meio de policiais durante protestos em Chicago

O folheto que circulou em Chicago, em 1885, já conclamava:

“Um dia de rebelião, não de descanso! Um dia não ordenado pelos porta-vozes arrogantes das instituições que têm algemados os trabalhadores! Um dia em que o trabalhador faça suas próprias leis e tenha o poder para executá-las! Tudo sem o consentimento nem aprovação dos que oprimem e governam. Um dia que, com uma força tremenda, o exército unido dos trabalhadores se mobilize contra aqueles que hoje dominam o destino dos povos de todas as nações. Um dia de protesto contra a opressão e a tirania, contra a ignorância e as guerras de todos os tipos. Um dia para começar a desfrutar de oito horas de trabalho, oito horas de descanso e oito horas para o que nos agradar.”

Durante essas jornadas de lutas operárias em Chicago, as forças policiais a serviço da burguesia atacaram as massas com selvageria, assassinaram vários operários, encarceraram e processaram oito dirigentes proletários. O julgamento durou vários meses e as palavras do promotor Julius Grinnell mostravam o temor da burguesia e a manipulação para condenar os dirigentes operários: “A lei está em julgamento. A anarquia está em julgamento. O júri escolheu e acusou estes homens porque eles eram os dirigentes. Eles não são mais culpados do que os milhares que os seguiram. Senhores do júri, condenem a estes homens, deem-lhes um castigo exemplar, enforquem-os e salvem nossas instituições, nossa sociedade”.

August Spies, Adolf Fischer, George Engel e Albert Parsons foram cruelmente enforcados no dia 11 de novembro de 1887. Louis Lingg havia sido encontrado morto um dia antes em sua cela. Oscar Neeb foi condenado a 15 anos de trabalho forçado. Michael Schwab e Samuel Fielden foram condenados à prisão perpétua e depois tiveram comutadas suas penas devido ao grande protesto e justa revolta que gerou o processo farsante. Prestes a ser enforcado, August Spies pronunciou com firmeza: “A voz que vais sufocar será mais poderosa no futuro que quantas palavras pudesse eu dizer agora!”

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Os dirigentes operários não só desmascararam categoricamente as acusações, mas também denunciaram as armações políticas do julgamento tramado pela burguesia. Os discursos que pronunciaram no tribunal, assim como seus comportamentos, são exemplos admiráveis de valentia e de integridade.

Seguem ecoando fortes as firmes e contundentes palavras pronunciadas pelos dirigentes das heróicas jornadas operárias de 1886 em Chicago. Pronunciadas por esses dirigentes operários que não delataram, não traíram seus ideais nem seus companheiros, ao contrário do comportamento abjeto de delatores e alcaguetes que têm assumido atualmente no Brasil os políticos e empresários presos com os bolsos e cofres atolados de propinas, roubo e corrupção.

Seguem ecoando o ensinamento e o comportamento exemplar dos dirigentes das jornadas operárias de Chicago que mantiveram toda sua integridade, valentia e clarividência.

August Spies: “Se com o nosso enforcamento vocês pensam em destruir o movimento operário — este movimento do qual milhões de seres humilhados, que sofrem na pobreza e na miséria, esperam a redenção —, se esta é a sua opinião, enforquem-nos. Aqui terão apagado uma faísca, mas lá e acolá, atrás e na frente de vocês, em todas as partes, as chamas crescerão. É um fogo subterrâneo e vocês não podem apagá-lo.”

Albert Parsons: “Nos estados do sul eram meus inimigos os que exploravam os escravos negros; no norte, os que querem perpetuar a escravidão dos trabalhadores.”

George Engel: “Todos os trabalhadores devem se preparar para uma última guerra final que vai por fim a todas as guerras.”

Adolph Fischer: “Sei que é impossível convencer aos que mentem por ofício, os mercenários diretores da imprensa capitalista, que cobram por suas mentiras.”

Oscar Neebe: “Fiz o quanto pude para fundar a Central Operária e engrossar suas fileiras; agora é a melhor organização operária de Chicago, tem 10.000 filiados. É o que posso dizer sobre a minha vida operária.”

Louis Lingg: “O Estados Unidos é um país da tirania capitalista e do mais cruel despotismo policial.”

Michael Schwab: “Milhões de trabalhadores passam fome e vivem como vagabundos. Inclusive os mais ignorantes escravos do salário se põem a pensar. Sua desgraça comum leva-os a compreender que necessitam se unir e o fazem.”

Samuel Fielden: “Os operários nada podem esperar da legislação. A lei é somente um biombo daqueles que lhes escravizam.”

O Brasil precisa de uma Grande Revolução

Neste 1º de Maio de 2016, a situação de penúria e opressão imposta aos trabalhadores não é diferente e o Brasil e o mundo se encontram assolados por profunda crise; crise cíclica desse sistema de opressão e superexploração. Esse agonizante sistema imperialista e seu processo eleitoral farsante mostram todos os seus apodrecimentos, decomposições, parasitismos e crueldades. No Brasil, a crise do podre sistema político, seus partidos e a farsa eleitoral põem a nu a degeneração dos políticos das diversas siglas do Partido Único e grupos de poder que se engalfinham na disputa pelos cargos e recursos do podre e genocida Estado burguês-latifundiário, serviçal do imperialismo, e também a degeneração das cúpulas das centrais sindicais que acorrem a bajular o provável novo ungido ao gerenciamento federal, Michel Temer ou as que seguem bajulando o combalido governo de Dilma Rousseff. O próximo fim do ciclo do gerenciamento petista, ao contrário do que o oportunismo alardeia, não é o fim de um governo democrático dos trabalhadores, e sim o fim de uma farsa, de um gerenciamento que mais beneficiou os banqueiros, os grandes grupos econômicos, latifundiários, que continuou a aparelhar e incitar a repressão contra os pobres e a juventude nas cidades, nas favelas e no campo.

Fique quem for no gerenciamento desse podre Estado, o imperialismo, a grande burguesia e o latifúndio exigem mais arrocho sobre os trabalhadores e o povo; exigem mais cortes de direitos e recursos para as áreas sociais e mais desnacionalização; exigem ainda mais entrega e o saque das riquezas do país. Mais do que nunca, os operários são convocados a pôr abaixo toda essa ordem de opressão, enganação e exploração. Pôr abaixo este sistema de mentiras, corrupção, atrocidades e de guerras imperialistas que assolam inúmeros países, que comete assassinatos pelas bombas, tiros, pela fome, pela imigração forçada e pela superexploração. Milhões e milhões de trabalhadores são jogados por esse sistema na pobreza, na miséria e na ruína.

Como bem apontou a Frente Revolucionária de Defesa dos Direitos do Povo (FRDDP) durante as grandiosas jornadas de junho e julho de 2013: O Brasil e todos os países do mundo precisam é de uma Grande Revolução!.

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