Experimentando música

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Há oito anos experimentando o fazer musical de forma diferente, a banda mineira Chuva a Granelfaz uma mistura de música brasileira e blues, passando por caminhos do jazz e rock, criando um novo estilo. Com bons resultados musicais, ano passado conseguiu lançar seu primeiro EP, via financiamento coletivo.

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— Há um grande compositor brasileiro, João do Vale, que ainda é desconhecido por muitos, e em uma de suas músicas tem o verso ‘vai cair chuva a granel’. Essa música, chamada ‘Ouricuri’, fazia parte do nosso repertório não autoral bem no início da banda, e daí veio a escolha do nome — fala Jardel Rodrim, guitarrista e um dos fundadores da banda.

— O grupo começou com uma formação muito diferente da que temos hoje. Eu e Karine nos conhecemos no grupo Rosa dos Ventos, de muitos integrantes. Haveria uma espécie de audição dentro desse grupo. Juntamos mais duas pessoas, dois cantores e dois violonistas, e montamos um pequeno repertório — conta.

Atualmente a banda é formada por  Karine Amorina (voz), Jardel Rodrim (violão e guitarra), Filipe Gaeta (gaita), Marcelo Ricardo (bateria), Igor Ribeiro (baixo) e Hugo Bizzotto (teclado).

— Conhecemos o Felipe Gaeta numa escola de música em que dávamos aula, e a gaita levou para novas possibilidades e tornou o blues uma sonoridade sempre presente. Serviu como uma espécie de elemento unificador — expõe Jardel.

— Dentro dessa nova ordem foi praticamente natural a entrada do Hugo, professor da mesma escola, e com ele veio a sonoridade progressiva que hoje tanto acrescenta nos arranjos. Ele convidou o Igor e estava firmada a formação atual. Fora o Gaeta, que mora em Conceição do Mato Dentro, moramos aqui em Belo Horizonte — diz.

Jardel conta que o grupo é formado por músicos de diferentes formações, pesquisando um mesmo som.

— O Hugo e o Igor são fortemente influenciados pelo rock progressivo. O Gaeta, como todo bom gaitista, tem essa veia do blues, e desenvolve a gaita em outros tipos de música. Eu e Karine já trabalhamos com música brasileira e teatro cênico musical — relata.

— Dessa interação entre estilos é que nasce a assinatura sonora do Chuva a Granel. É interessante o quanto a personalidade de cada músico interfere naquilo que ele cria — observa.

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— Essa diversidade de temperamentos que temos dá às nossas músicas uma heterogeneidade. Há momentos de lirismo, alguns mais ácidos, ora solos explosivos, ora melodias e letras doces.

Música autoral com mistura inovadora

— No início, nosso objetivo principal era uma forma de alguns amigos se encontrarem e compartilharem o fazer musical. Músicos jovens veem nessa coisa uma forma de celebração, é um jeito de se agregar.  Mas, com pouco tempo, vimos que aquilo que fazíamos tinha potencial — conta Jardel.

— Nosso repertório inicial não era totalmente autoral. Porém, logo começamos a acreditar nas nossas músicas e no material que criávamos. Apostamos nisso e hoje temos um repertório que é inteiramente autoral — continua.

Jardel diz que, quando começaram, estavam quase com os dois pés na MPB, mas as coisas mudaram muito com a entrada da gaita.

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— Isso foi muito bom para nós como músicos também. Já tínhamos o contato com a música maravilhosa que é a MPB, e com as mudanças musicais fomos jogados numa atmosfera do blues brasileiro, do rock e, principalmente, da música independente — afirma.

— Talvez nossa maior influência hoje são contemporâneos nossos. Quando escutamos uma música bonita de um amigo, o sentimento é o mesmo que o de ouvir um compositor consagrado. Dá aquela vontade de sentar e fazer uma música também, participar deixando sua mensagem — declara.

— A composição propriamente dita nasce de parcerias entre Karine, eu e dois compositores que são parceiros de longa data: o Fabrício Belmiro e o Haroldo Lourenço. As músicas podem ser compostas também por uma só pessoa, como é o caso da Karine, que além das parcerias, faz algumas músicas sozinha — explica.

As músicas do Chuva a Granel passam por um processo totalmente coletivo.

— Depois que a composição está pronta, ela vai para o laboratório do ensaio, onde a banda se dá total liberdade para experimentar as melhores opções, discutir, testar etc. Por esse motivo os nossos arranjos não são convencionais — explica.

— Não gostamos, nessa etapa, de impor nenhuma obrigação do tipo: ‘Ah, essa música está muito grande’ ou ‘ está muito pequena’, ou coisas do tipo. E as letras do Chuva sempre trouxeram a coisa do deslocamento que se cria nas grandes cidades — fala.

— A música ‘Cadente Madrugada’ é um bom exemplo disso. A pessoa está cercada de gente por todos os lados, mas está sozinha. É uma poesia urbana e solitária que está nas letras da Karine, do Haroldo ou do Fabrício.

Ano passado, o Chuva a Granel lançou seu primeiro EP, ‘No Ar Dentro Da Caixa’, captando recursos através da contribuição de muitas pessoas, alternativa para artistas independentes.

— Mobilizamos o público num processo de financiamento colaborativo. Tivemos também vários profissionais, aos quais somos muito gratos, que gentilmente cederam seus serviços gratuitamente ou muito abaixo do valor de mercado para que este disco fosse gravado — diz.

— Todas essas pessoas, público e profissionais fizeram nosso primeiro sonho acontecer. Agora temos as músicas prontas para um segundo disco e já estamos estudando formas de começar a trabalhar para que ele aconteça — anuncia.

A banda tem feito shows por Belo Horizonte e tem recebido convites para tocar fora da cidade.

— Estivemos no Rio de Janeiro no ano passado, num festival para o qual nos classificamos com voto do público. Em Minas já tocamos em várias cidades, inclusive recebemos prêmio de melhor arranjo em Conceição do Mato Dentro com a música Cadente Madrugada — conta.

— Em Sete Lagoas, ficamos entre os nove finalistas em um festival que envolveu bandas do Brasil inteiro, mais de trezentas inscritas. O público do interior sempre foi muito receptivo com a nossa música, devemos muito a ele — finaliza Jardel.

Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. é o contato da banda.

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