Notas nacionais

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Marcha antifascista em SP

Fernando Coelho
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A juventude antifascista de São Paulo protestou contra o terrorismo de Estado ontem e hoje

Na tarde do último dia 30 de abril ocorreu, em São Paulo, a Marcha Antifascista. Cerca de mil manifestantes se concentraram na Praça da Sé, mesmo local onde, no ano de 1934, comunistas, anarquistas e progressistas em geral se reuniram para impedir um comício de membros da Ação Integralista Brasileira, partido fascista liderado por Plínio Salgado. O histórico confronto contra os integralistas ficou conhecido como a “Revoada das Galinhas Verdes”.

Mais uma vez, agora em 2016, manifestantes antifascistas se encontraram para demonstrar publicamente o rechaço ao fascismo do velho Estado burguês-latifundiário. Apesar de alguns governistas tentarem intervir e mudar o tom do ato para uma defesa oportunista da gerência Dilma/PT, a manifestação manteve as palavras de ordem combativas contra a farsa eleitoral, a repressão policial e prestou homenagens à luta dos estudantes secundaristas, professores e aos camponeses, além de brandar alto a necessidade de uma Grande Revolução no Brasil.

Organizações revolucionárias como a Unidade Vermelha (UV), o Movimento Feminino Popular (MFP), entre outras, organizaram um bloco em fileiras com retratos de militantes que verteram seu sangue na luta contra o regime militar e dirigentes da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) assassinados nos últimos anos.

O ato percorreu o Centro da cidade de São Paulo até a sede do antigo DEOPS (Departamento Estadual de Ordem Política e Social), que prendeu, torturou e assassinou os que se opuseram ao regime militar fascista. De lá, o ato prosseguiu e terminou em frente ao prédio do Centro Paula Souza, onde estudantes secundaristas das Etec’s ocupavam o prédio contra a chamada ‘máfia da merenda’ e o corte de verbas na educação.

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Ativistas do MFP homenagearam Ranato Nathan e Cleomar, dirigentes da LCP assassinados
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MG e PE: povo queima pneus contra falta d’água

Moradores do bairro Jardim das Oliveiras, no município de Itabira, Minas Gerais, realizaram uma manifestação em 26 de abril contra a falta d’água que já durava vários dias. Durante o protesto, eles queimaram pneus para bloquear as ruas Ouro Preto e Venda Nova.

A população local denunciou que a falta de água perdurava desde o dia 21/4 e que, mesmo tendo entrado em contato com o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), nada havia sido feito para resolver o problema. Até aquele dia 26, os moradores prometeram que, caso sua reivindicação não fosse atendida, novos protestos seriam realizados, inclusive em frente à prefeitura da cidade.

A Polícia Militar foi acionada, mas não houve confronto. Representantes do SAAE se propuseram a receber os manifestantes na sede da empresa para que estes pudessem relatar os problemas da falta de água, porém, isto não era novidade nenhuma para a empresa, que demorou para tomar uma atitude enquanto o povo sofria com o problema.

Em 22 de abril, uma manifestação já havia sido realizado na BR-10, altura do bairro da Guabiraba, Zona Norte do Recife, Pernambuco, também contra a falta d’água. Durante esse protesto, assim como em Itabira, manifestantes incendiaram pneus.


RJ: ato-panfletagem na Central do Brasil

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Agitação na Central do Brasil denunciou a farsa eleitoral

No último dia 3 de maio, militantes de organizações populares e classistas como o Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR), o Movimento Feminino Popular (MFP), a Liga Operária e o Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação (Moclate) realizaram um ato-panfletagem pela passagem do 1º de Maio, Dia do Internacionalismo Proletário, que caiu num domingo.

A atividade foi realizada na Central do Brasil, principal estação de trem da área metropolitana do Rio de Janeiro. Milhares de informativos do boletim ‘Luta Classista’ foram distribuídos com a manchete ‘Fora PT, PSDB, PMDB, DEM etc.! Abaixo todo esse podre sistema político, seus partidos e a farsa eleitoral!’.

O Comitê de Apoio ao jornal A Nova Democracia também esteve presente e distribuiu centenas de exemplares de edições passadas. Além de expor suas opiniões acerca da atual situação política para os trabalhadores e trabalhadoras que passavam pelo local com um megafone, ativistas do MEPR levantaram uma faixa com a palavra de ordem ‘Abaixo a farsa eleitoral!’. Muitos que passavam pelo local paravam para pegar os panfletos, conversar sobre o atual cenário brasileiro e entender o caminho independente, de luta, combativo e classista proposto pelas organizações autenticamente revolucionárias.


SE: protesto contra violência policial

Moradores do bairro Coqueiral, em Aracaju, capital de Sergipe, fecharam a Avenida Euclides Figueiredo, na noite de 25 de abril, em manifestação contra o assassinato de Jackson Antônio da Silva, 27 anos, na noite do dia anterior, um domingo.

Indignados, os manifestantes, entre eles familiares e testemunhas, afirmaram que os vários disparos que acertaram Jackson vieram de um policial. A Polícia Militar foi acionada e enviou mais de dez viaturas ao local. Os moradores, justamente, se mostraram inconformados com a presença da polícia e, por várias vezes, tentaram bloquear a rua novamente, sendo impedidos pelos agentes de repressão, que chegaram a lançar spray de pimenta.

Segundo a página infonet.com.br, “o pai de Jackson, o Sr. Gerson Antônio da Silva, acredita que o filho foi assassinado por um policial e aproveitou para pedir justiça. ‘Meu filho era trabalhador, ajudante de pedreiro. Foi assassinado covardemente por um policial, e nós queremos que ele pague por isso’”. A irmã do rapaz, Ana Gardênia, também em declaração ao Infonet, assim como o pai, afirmou que o assassinato foi cometido por um policial: “Ele foi abastecer a moto com um amigo por volta das 20h. Depois soubemos que ele foi ameaçado por um policial próximo à ponte, e um pouco depois deu oito tiros no rosto do meu irmão. O outro rapaz também ia morrer, mas para se salvar, pulou da ponte”.


ES: população pede asfalto e é reprimida

Na manhã de 25/4, moradores de comunidades quilombolas e camponeses de São Mateus e Boa Esperança, no norte do Espírito Santo, realizavam uma manifestação que exigia a conclusão do asfaltamento da rodovia ES-315, quando foram reprimidos pela Polícia Militar e pela Polícia Rodoviária com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.

Existe um projeto que prevê o asfaltamento de 65 km da rodovia, porém, quando faltavam 25 km, a obra foi interrompida, o que causou indignação nos moradores da região, que dependem da estrada para escoar a produção e para se locomoverem entre os municípios.

O protesto já havia sido programado com antecedência e, por esse motivo, o gerente estadual Paulo Hartung/PMDB enviou o secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Roberto, e o líder do “governo” na Assembleia Legislativa, o deputado Gildevan Fernandes (PMDB), para tentar convencer os moradores a não realizarem a manifestação. Estes foram enviados sem sucesso, pois a população realizou o protesto, porque ela não quer enrolação, e sim que suas reivindicações sejam atendidas. A concentração do ato ocorreu a partir das 5 horas da manhã em uma marginal da BR-101, na altura do Centro Universitário Norte do Espírito Santo, e, assim que iniciou, foi atacada pelas forças de repressão.


Divulgação do AND em Manaus e Recife

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O Comitê de Apoio ao AND de Manaus (AM) tem se lançado à divulgação do jornal na região por meio de brigadas de venda das novas edições e distribuição de exemplares antigos. No início de maio, os companheiros enviaram à redação de AND o relato de suas últimas experiências e o balanço geral dessas atividades. Num total de 6 brigadas foram vendidos 143 exemplares e distribuídos 457 de edições antigas: “Nosso método tem sido de ir às feiras populares, portos e regiões de grande circulação de pessoas para vender o jornal de mão em mão, oferecendo-o às pessoas e falando sobre ele”.

No dia 1º de maio, o Comitê de Apoio ao AND de Recife (PE) também nos enviou um relato de uma brigada de divulgação do jornal no bairro de Engenho do Meio. Segundo o relato, “a receptividade foi excelente! Feirantes e clientes demonstraram sua indignação, rechaçaram os políticos e partidos eleitoreiros e debateram com nossos brigadistas sobre toda a podridão do velho Estado e seu podre sistema de governo”.

Saudamos os Comitês de Apoio de Manaus e Recife pelas excelentes iniciativas de divulgação da imprensa popular e democrática!


ES: atropelamento gera revolta

Moradores de Feu Rosa, na Serra, Grande Vitória (ES), bloquearam a Avenida Talma Rodrigues, na manhã de 27/4, em protesto realizado em frente à Escola Professor Naly da Encarnação Miranda para denunciar o atropelamento de Aline Vicente Ferreira, 30 anos, no dia anterior. Ela teria sido atingida por um veículo numa faixa de pedestres após deixar a filha de 5 anos na creche. Os manifestantes, entre eles pais de alunos, ergueram e incendiaram uma barricada de pneus para exigir das “autoridades” melhor sinalização no local.

Na manhã de 2 de maio, moradores do bairro Divinópolis, também na Serra, bloquearam o km 254 da BR-101 exigindo pavimentação e drenagem de ruas da região.


Reitoria da Unicamp ocupada

Em 10 de maio, recebemos, por leitores do AND em Campinas (SP), a notícia da ocupação da Reitoria da Unicamp.

Centenas de estudantes tomaram a iniciativa da ocupação em protesto contra o anúncio de corte de verbas e por um programa de cotas étinico-raciais. Além dessas pautas, os jovens fixaram faixas exigindo a ampliação das moradias estudantis, entre outras reivindicações.

No intuito de preservar suas identidades e evitar as perseguições por parte da reitoria e mesmo da própria polícia, os estudantes cobriram os rostos, num gesto simbólico de resistência da juventude. Os estudantes afirmam que a redução das verbas  provocará o congelamento de concursos e da contratação de professores e funcionários além de afetar a carreira docente.


PA e PB: contra a falta de luz e reintegração de posse

Residentes da Avenida Bernardo Sayão, no bairro do Jurunas, em Belém, estado do Pará, interditaram a via com uma barricada de madeiras e objetos em chamas, na tarde de 5 de maio, durante uma manifestação contra a falta de energia elétrica na região. Os moradores iniciaram o protesto por volta das 13h30min.

Dois dias antes, 3 de maio, moradores ocupantes do antigo Hotel Tropicana, no Centro de João Pessoa, na Paraíba (PB), bloquearam a Rua das Trincheiras numa manifestação contra o fato de a energia elétrica ter sido cortada no local. Uma barricada de objetos, madeira e colchão foi incendiada pelos manifestantes.

Em 4 de maio, outro protesto foi realizado, desta vez por moradores de uma ocupação na cidade de Cabedelo, na Grande João Pessoa (PB). Os manifestantes bloquearam o trecho do km 7 da BR-230 para protestar contra a reintegração de posse realizada pela Polícia Militar e pela prefeitura de Cabedelo na área. Indignadas, as famílias ergueram uma barricada com pneus em chamas.


RJ: protestos em São Gonçalo

Moradores da comunidade da Coréia, no Pita, município de São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio de Janeiro, bloquearam a Rua Doutor Pio Borges, na tarde de 23 de abril, para realizar uma manifestação contra uma ação da Polícia Militar (PM) ocorrida no dia 21 que terminou com a morte de um jovem de 16 anos. Outros dois rapazes foram baleados, mas não correm risco de morte.

Segurando cruzes e cartazes de revolta contra a forma truculenta que a PM atuou na comunidade, dezenas de pessoas participaram do protesto. Entre as palavras escritas nos cartazes estavam: ‘Ele era inocente que foi baleado... Leonardo’, ‘Saudades, Ramón vive!’ e ‘Até quando policiais vão entrando, matando inocentes e invadindo casas de moradores?’.

Quatro dias antes, 19/4, centenas de moradores de Maria Paula, também em São Gonçalo, realizaram um protesto na RJ-100 no fim da noite. Eles exigiram melhorias na sinalização da rodovia e a instalação de um radar na altura de uma localidade conhecida como ‘Eucalipto’. Os manifestantes ergueram e incendiaram uma barricada de objetos para bloquear a via.

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