Estudantes secundaristas reafirmam o caminho da luta

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A gerência de turno do oportunismo do PT/pecedobê, que, em 2015, adotou como slogan “Brasil, pátria educadora!”, seguiu fazendo o que fez durante todo seu “governo”: cortes de verbas, sucateamento e favorecimento às instituições privadas da educação, que cresceram exponencialmente nesses últimos 13 anos.

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Debate realizado no C.E. Clóvis Monteiro no dia 3 de maio

Aos níveis estaduais não poderia ser diferente. Os gerenciamentos de todas as siglas do Partido Único, atuando em um só coro, vão cortando cada vez mais verbas da educação pública, com o palavreado de ser uma medida “necessária” para conter a crise. Enquanto isso seguem enviando rios de dinheiro para os bancos, agronegócio, grandes empresas etc., fazendo com que, mais uma vez, quem tenha que pagar pela crise sejam os trabalhadores e trabalhadoras.

Em São Paulo, seguindo a linha nacional da “pátria educadora”, o gerenciamento estadual de Geraldo Alckmin/PSDB criou, em 2015, o projeto de “reorganização” das escolas estaduais, que, na verdade, poderia ser chamado facilmente de “precarização” e que previa fechamento de escolas, salas superlotadas e diminuição das verbas. Em resposta a essa política conjunta dos “governos” federal e estadual, estudantes secundaristas — atropelando a conciliação e o peleguismo de UNE, UBES, UMES etc. — ocuparam dezenas de escolas em todo o estado, resistindo aos constantes ataques das forças de repressão do velho Estado, e derrubaram o projeto de “reorganização” das escolas. A luta secundarista seguiu forte em Goiás, onde, igualmente, dezenas de escolas foram ocupadas contra o projeto de Marconi Perillo/PSDB de deixar as escolas nas mãos das chamadas “Organizações Sociais” (OS), terceirizando, assim, o ensino público.

Desde o início do ano letivo nas escolas estaduais de São Paulo, a merenda, que já era pouca, passou a não existir mais. Um grande esquema de corrupção, envolvendo políticos dos mais diversos escalões no estado, liderado por Fernando Capez (vereador do PSDB), foi o que levou a situação absurda de precarização das escolas. No final do último mês de abril, Alckmin anunciou que iria cortar 78% das verbas das Escolas Técnicas Estaduais (ETECs). Os alunos das ETECs, que já estavam com problemas de infraestrutura, falta de professores e falta de merenda, fizeram uma assembleia conjunta no dia 20 de abril e decidiram se organizar.

No dia 28 de abril, uma manifestação com estudantes de diversas ETECs da capital paulista e região metropolitana terminou na sede do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza (CEETEPS, organização responsável pelas ETECs), que foi ocupado. Desde lá, 14 ETECs chegaram a ser ocupadas. As forças de repressão do velho Estado estão atacando constantemente, tanto psicológica como fisicamente, os alunos que seguem na luta, tendo resistido a três pedidos de reintegração de posse do CEETEPS.

Estudantes também ocuparam, em 3 de maio, a Assembleia Legislativa de São Paulo, acompanhando as sessões sobre a CPI da máfia das merendas. O gerenciamento estadual e o CEETEPS foram ao monopólio da imprensa declarar que o que os alunos estão fazendo é “tática nazista”, no intuito de justificar a reintegração de posse violenta realizada pela tropa de choque da PM, na manhã do dia 6 de maio, no Centro Paula Souza.

Dessas atitudes fascistas do velho Estado burguês-latifundiário cada vez mais cresce a revolta popular e a juventude combatente se coloca na luta. Mais estudantes de ETECs estão aderindo às ocupações, que tendem a aumentar, para desespero do “governo”, que faz mil falsas promessas, desde o cancelamento dos cortes de verbas até a “criação de mais de 10 refeitórios em várias escolas diferentes”, com as mesmas fraseologias baratas de sempre para tentar desmobilizar a luta.

Na manhã de 13 de maio, a PM, em atitudes fascistas, desocupou pelo menos três diretorias de ensino e uma Escola Técnica na Avenida Tiradentes, região central de SP, levando os estudantes para três delegacias.Dezessete jovens que ocupavam a Etesp Tiradentes foram levados num ônibus policial para o 3º DP.

A Procuradoria Geral do Estado orientou as secretarias de Alckmin a desocupar os prédios públicos do estado sem decisão judicial. O parecer de Elival Ramos,  procurador geral do estado, foi dado após consulta do ex-secretário de segurança Alexandre de Moraes.  Um dia antes, 12 de maio, Alexandre de Moraes foi empossado como novo ministro da “justiça” pelo gerente federal em exercício Michel Temer/PMDB.

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Rio de Janeiro

Até o fechamento desta edição, as ocupações estudantis seguiam em mais de 70 escolas do estado do Rio de Janeiro. Essas ocupações, que tiveram início em apoio à greve dos professores, avançam com reivindicações por uma educação pública de qualidade*. Na manhã do dia 3 de maio, o Comitê de Apoio ao AND esteve no Colégio Estadual Clóvis Monteiro, em Manguinhos, na Zona Norte da capital, e acompanhou um debate sobre a criminalização da juventude pobre. Além dos estudantes e professores grevistas, também marcou presença a ativista Ana Paula, mãe de Jonathan, jovem assassinado em 2014 por policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

Numa clara tentativa de desmobilizar as ocupações, a gerência estadual de Pezão/Dornelles (PMDB/PP), juntamente com a Secretaria de Educação do Estado (Seeduc), decretaram a antecipação das férias escolares nos colégios ocupados para o dia 2 de maio. Essa medida implica no corte do passe dos estudantes, além da reposição das aulas durante o período das olimpíadas. Nos primeiros dias de maio, os jovens realizaram manifestações em diversas localidades do estado.

Na ocasião, também conversamos com um estudante do 3º ano do Clóvis Monteiro, que nos relatou as perseguições que a ocupação vem sofrendo, ainda mais com o fato dessa escola estar localizada numa favela que possui uma UPP. O estudante nos relatou:

— Eu estava no portão com mais dois. E eu vi a sirene, a luz vermelha, pelo portão. Aí eu abri a janelinha e olhei. Aí ele pediu pra eu abrir. Eu disse que só podia entrar com mandado e o PM disse ‘que mandado o que’, tudo com fuzil na mão em três viaturas. Ele veio falando uma história doida de que tinha aluno mantido em cárcere privado. Chegaram falando pra intimidar mesmo. Acabou que ele entrou na escola, pois ele estava armado, não podíamos fazer nada. Ele perguntou quem era o responsável e eu insisti em dizer que os responsáveis éramos todos nós. Todo mundo falou que todos nós éramos responsáveis. O policial então disse que tinha algum maior de idade que tinha que responder. Acabou que se apresentou um amigo nosso. Pegaram o nome e o endereço dele, e não sabemos qual foi o fim da história em relação ao nome e endereço — relatou o jovem, que preferiu não se identificar. E prosseguiu:

— E teve outro episódio também, só que com a Polícia Civil. Ela veio até aqui. Não sei o que falaram, que não era eu que estava lá. Sei que chegaram aqui falando que era o trabalho deles, com a mesma história da PM, só que falando que eram uma ‘polícia mais séria’, não tão armada. Não apresentaram documento, não apresentaram nada. Foi um total desrespeito porque temos a nossa ocupação e temos que saber quem é que está entrando aqui. Chegaram na maior arrogância, como se tivessem o direito — denunciou.

Além disso, durante a visita, o Comitê de Apoio também distribuiu edições passadas do AND aos estudantes e professores. À convite de estudantes da ocupação da Escola Técnica Juscelino Kubitschek, no Jardim América, Zona Norte, no dia 10 de maio, o professor Fausto Arruda, diretor do jornal A Nova Democracia, deu uma palestra sobre a situação política brasileira. No fim de abril, o professor Fausto também foi convidado para um debate no Colégio Estadual Herbert de Souza, no Rio Comprido, também na Zona Norte.

Contra ameaças do governo

Segundo a página do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR), “No dia 04/05, ocorreu, em diferentes pontos do Rio de Janeiro, manifestações dos colégios estaduais ocupados. Foram atos em que os estudantes colocaram para a população as suas pautas. No ato do Grande Méier, pela manhã, estiveram presentes cerca de 200 estudantes, enquanto que pela noite ocorreu o ato da Tijuca, que contou com a participação de cerca de 100 estudantes”.

Entre as inúmeras arbitrariedades que os estudantes e professores grevistas vêm sofrendo, recebemos, através de e-mail, a denúncia das ameaças recebidas pela professora de sociologia Aluana Guilarducci, que está sofrendo perseguições, inclusive com ameaças de agressão física. Ela vem sofrendo tais perseguições por parte de grupos que se organizaram — incentivados pelo “governo” estadual e pelo monopólio da imprensa — contrariamente à greve da rede estadual e às ocupações, que a acusam de incentivar seus alunos da ocupação do C.E. Prefeito Mendes de Morais, na Ilha do Governador, Zona Norte. Em 10 de maio, estas mesmas pessoas, organizadas para impedir o avanço da luta, desocuparam esta escola na base de agressões.

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