Resistência Tessalônica

Durante os dias 19, 20 e 21 de junho de 2003 sucederam-se diversas ações, manifestações e atos de protestos contra a Cúpula Européia de Chefes de Estado, realizada em Tessalônica, na Grécia. 

No dia 21 uma manifestação partiu da universidade até o centro de Tessalônica e, antes de terminada, a polícia (com o uso de grande aparato repressivo e ataques totalmente despropositados) cortou o ato público em dois. Uma parte pôde regressar à universidade, mas a outra ficou dividida pelas ruas da cidade quando, então, aconteceram as detenções. Das 120 pessoas, 29 passaram à disposição judicial com a acusação de delitos graves por danos, resistência à autoridade, desordem pública, alteração da paz pública, incêndios, posse e uso de armas. Destas, sete foram encarceradas em prisão preventiva acusadas ainda de delito continuado por posse e uso de explosivos (coquetéis molotov).

As únicas “provas” apresentadas contra eles são declarações da polícia, de que portavam mochilas com estilingues, porcas de parafusos e coquetéis molotov (há um vídeo em www.wombles.org.uk, onde se pode ver perfeitamente como a polícia troca a mochila azul de um dos acusados, por outra cheia de artefatos incendiários).

Os presos são:

  • Suleiman Dakduk, procedente da Síria, em situação irregular (sem papéis), vive na Grécia há 18 anos. No momento de sua detenção se encontrava separado da zona de enfrentamentos, distribuindo panfletos sobre o problema de imigrantes. Um processo de extradição, se concluído, levará Suleiman à prisão perpétua, pendente na Síria por motivos políticos. Já antes da manifestação contra a Cúpula, havia pedido asilo político, que foi negado.
  • Simon Chapman, de nacionalidade inglesa, foi brutalmente golpeado com cassetetes pela polícia durante pelo menos duas horas. Trocaram sua mochila por outra cheia de coquetéis molotov, usando-o então como escudo humano contra os manifestantes que enfrentavam a polícia, com as costas repletas de material inflamável. No momento de sua prisão, nas margens da manifestação procurava por seus companheiros.
  • Carlos Martinez, espanhol, sofreu maus tratos durante sua detenção (lhe arrancaram mechas do cabelo e tinha graves hematomas nos braços), levava uma pochete com uma camiseta e documentos, que foi trocada por uma mochila com estilingues e porcas de parafusos.
  • Fernando Perez, também de nacionalidade espanhola, levava uma mochila com uma máscara de gás. Foi acusado de atirar coquetéis molotov e sua bolsa foi trocada por uma cheia de estilingues. Durante a prisão o golpearam, chegando a quebrar um dente e provocando problemas de respiração e dores no peito.
  • Spyros Tsistas, grego, também sofreu maus tratos e ameaças durante sua prisão.
  • Michalis Trikapis, grego, por não ter completado ainda 20 anos, se encontra desde sua detenção na prisão para menores de Avlona, Grécia.
  • Dimitris Friouras, grego e na mesma situação de Michalis.
  • Jonathan, estadunidense, detido num centro de internação em 18 de julho, foi posto em liberdade condicional, devido a pressões do embaixador ianque e do apoio recebido pelo Fórum Social Internacional.

Todos os acusados denunciaram haver sofrido maus tratos, ameaças e irregularidades durante as detenções, na delegacia e posteriormente na prisão (de Tessalônica e Avlonas).

É importante explicar: os chefes de todas as polícias européias estavam em Tessalônica, assistindo em uma grande tela as manifestações (retransmitidas diretamente por dezenas de câmeras localizadas em toda cidade).

A assistência legal aos detidos vem sendo realizada por um grupo de advogados penais que dispensa honorários, organizado, a princípio, para dar cobertura às manifestações contra Cúpula da União Européia. Segundo os advogados, a polícia tenta criar uma imagem falsa de alta periculosidade, principalmente com relação aos dois espanhóis (acusados de anarquistas) e ao sírio Suleiman, que já consideraram culpado.

Por várias vazes foram impetrados recursos para a libertação, primeiramente invocando inimputabilidade por detenção irregular, falta de provas ao que se juntam declarações policiais contraditórias e confusas (o que lhes foi negado em setembro passado), e soltura mediante fiança, para impedir a prisão preventiva superior a 18 meses, também negada.

Suleiman iniciou no dia 21 de setembro de 2003 uma greve de fome com fim indefinido para impedir sua deportação à Síria e esta atitude foi seguida por Carlos Martinez, Fernando Perez, Simon Chapman e Spyros Tsistas em apoio às reivindicações de Soleiman e para denunciar os maus tratos sofridos e sua falta de defesa legal. Para pressionar a justiça grega as manifestações em todo mundo foram amplas e diversificadas, porque as consequências da greve de fome poderiam ser trágicas e as liberdades dos cinco resistentes tinha de ser imediata. Até que no dia 26 de novembro foram libertados com a condição de não saírem da Grécia até a data do julgamento.

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