Repressão ao teatro popular na Bahia

A- A A+

Ao contrário das fantasiosas propagandas do gerenciamento estadual da Bahia, — do ex-“governador” Jaques Wagner e do atual Rui Costa, ambos do PT —, onde são mostradas uma “Bahia de cultura”, essa tem sido cada vez mais esmagada através dos diversos mecanismos do velho Estado. 

http://www.anovademocracia.com.br/171/17.jpg
Ato contra a repressão ao teatro popular baiano

A arte como produto mercantil de consumo e moeda de troca para favores políticos domina em todos os campos, mas falaremos aqui em específico do teatro na Bahia. Temos um grande monopólio do teatro, predominando peças para o entretenimento das classes médias, com o riso pelo riso, que não provocam reflexão ou ainda trazem valores conservadores. De outro lado, vemos o teatro comunitário se dissolvendo e, quando tem algum apoio, é cooptado pelo oportunismo eleitoreiro através de seus projetos medíocres de fortalecimento da dependência e do controle sóciocultural. O monopólio, que era forte na época do “carlismo”, segue em continuidade com a gerência petista. Os grupos que têm destaque em Salvador possuem algum vínculo com o monopólio ou favoritismo, muito raro são os que têm um trabalho independente dos domínios oportunistas da gerência do velho Estado.

A situação se agrava com a falta de espaços públicos, entraves para conseguir utilizar os poucos espaços, projetos de aula de teatro a preço baixo ou gratuito sendo encerrados e artistas recebendo “calote”. O capitalismo anda de mãos dadas com a degradação da cultura e temos na imensa Cidade-Periférica de Salvador o maior exemplo disso. Através do capital de grandes marcas cria-se esse monopólio cultural que serve a quem nos explora.

Polícia não é para artistas!

Todo esse caos vem sendo denunciado por muitos artistas, dentre eles Dêvid Gonçalves, que tem travado uma luta pelo teatro em Salvador. Em 2015, ele fez duras criticas à negligência em ciclos de diálogos da Secult, no qual, ao invés de ser algo ao acesso do povo como deveria ser numa tal “democracia”, tinha em seu auditório a casta da “classe média” baiana, formada também por servidores públicos governistas pouco interessados com os problemas sociais da cidade. O horário em que geralmente se debate esses assuntos desfavorece quem depende do transporte público. O evento começa às 18h e termina depois das 21h, num local deserto.

Conteúdo exclusivo para assinantes do jornal A Nova Democracia

De 2015 para 2016, as críticas feitas por Dêvid viraram motivo para acirrar ainda mais a perseguição política, onde a iniciativa criada por ele (Oficina do Corpo/Teatro-Dança) recebeu boicotes, repressões e quebra de acordos, até que a situação se agravasse a ponto da diretoria de espaços culturais (da Secult) orientasse para que fosse chamada a Polícia Militar fortemente armada para tirar os artistas do espaço público. Na delegacia, os artistas foram liberados, pois, conforme dito pelo delegado de plantão, não havia nenhum ato infracional e os problemas poderiam ser resolvidos no próprio teatro, em âmbito de diálogo.

A perseguição não acabou e, em 2016, o mesmo grupo, depois de ter conseguido voltar por pressão popular ao espaço, sofreu mais perseguições de maneira qualificada. Mais uma vez teve a intervenção da PM, coerção de guardas patrimoniais, queixa de crime forjada em mentiras e acusações de depredação do patrimônio público: tudo sem provas que fossem plausíveis. Chegaram ao ponto de afirmar que sua integridade física estava correndo sério risco.

Para conhecer mais a respeito do caso, acesse as imagens, vídeos e relatos no perfil do Facebook. O endereço é: www.facebook.com/devidgoncalves 

Se quiser conhecer as iniciativas artísticas, os endereços são: 

www.facebook.com/grupoanexus

www.facebook.com/teatrooficinadocorpo

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja