Repressão ao teatro popular na Bahia

Ao contrário das fantasiosas propagandas do gerenciamento estadual da Bahia, — do ex-“governador” Jaques Wagner e do atual Rui Costa, ambos do PT —, onde são mostradas uma “Bahia de cultura”, essa tem sido cada vez mais esmagada através dos diversos mecanismos do velho Estado. 

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Ato contra a repressão ao teatro popular baiano

A arte como produto mercantil de consumo e moeda de troca para favores políticos domina em todos os campos, mas falaremos aqui em específico do teatro na Bahia. Temos um grande monopólio do teatro, predominando peças para o entretenimento das classes médias, com o riso pelo riso, que não provocam reflexão ou ainda trazem valores conservadores. De outro lado, vemos o teatro comunitário se dissolvendo e, quando tem algum apoio, é cooptado pelo oportunismo eleitoreiro através de seus projetos medíocres de fortalecimento da dependência e do controle sóciocultural. O monopólio, que era forte na época do “carlismo”, segue em continuidade com a gerência petista. Os grupos que têm destaque em Salvador possuem algum vínculo com o monopólio ou favoritismo, muito raro são os que têm um trabalho independente dos domínios oportunistas da gerência do velho Estado.

A situação se agrava com a falta de espaços públicos, entraves para conseguir utilizar os poucos espaços, projetos de aula de teatro a preço baixo ou gratuito sendo encerrados e artistas recebendo “calote”. O capitalismo anda de mãos dadas com a degradação da cultura e temos na imensa Cidade-Periférica de Salvador o maior exemplo disso. Através do capital de grandes marcas cria-se esse monopólio cultural que serve a quem nos explora.

Polícia não é para artistas!

Todo esse caos vem sendo denunciado por muitos artistas, dentre eles Dêvid Gonçalves, que tem travado uma luta pelo teatro em Salvador. Em 2015, ele fez duras criticas à negligência em ciclos de diálogos da Secult, no qual, ao invés de ser algo ao acesso do povo como deveria ser numa tal “democracia”, tinha em seu auditório a casta da “classe média” baiana, formada também por servidores públicos governistas pouco interessados com os problemas sociais da cidade. O horário em que geralmente se debate esses assuntos desfavorece quem depende do transporte público. O evento começa às 18h e termina depois das 21h, num local deserto.

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De 2015 para 2016, as críticas feitas por Dêvid viraram motivo para acirrar ainda mais a perseguição política, onde a iniciativa criada por ele (Oficina do Corpo/Teatro-Dança) recebeu boicotes, repressões e quebra de acordos, até que a situação se agravasse a ponto da diretoria de espaços culturais (da Secult) orientasse para que fosse chamada a Polícia Militar fortemente armada para tirar os artistas do espaço público. Na delegacia, os artistas foram liberados, pois, conforme dito pelo delegado de plantão, não havia nenhum ato infracional e os problemas poderiam ser resolvidos no próprio teatro, em âmbito de diálogo.

A perseguição não acabou e, em 2016, o mesmo grupo, depois de ter conseguido voltar por pressão popular ao espaço, sofreu mais perseguições de maneira qualificada. Mais uma vez teve a intervenção da PM, coerção de guardas patrimoniais, queixa de crime forjada em mentiras e acusações de depredação do patrimônio público: tudo sem provas que fossem plausíveis. Chegaram ao ponto de afirmar que sua integridade física estava correndo sério risco.

Para conhecer mais a respeito do caso, acesse as imagens, vídeos e relatos no perfil do Facebook. O endereço é: www.facebook.com/devidgoncalves 

Se quiser conhecer as iniciativas artísticas, os endereços são: 

www.facebook.com/grupoanexus

www.facebook.com/teatrooficinadocorpo

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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