Benayon: o significado de uma homenagem

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Para nós, revolucionários e revolucionárias, a maneira de celebrarmos os nossos mortos é enaltecendo sua luta, o seu pensamento e, na prática, dar continuidade a eles, verdadeiros pressupostos de sua imortalidade. Deixar passar em branco a justa homenagem a um lutador é desmerecer o homem, sua obra, a causa, enfim, a sua memória.

Fortalecendo a frente única

Quando, há quatorze anos, elaboramos a linha editorial do A Nova Democracia, embasada no Programa da Revolução Democrática, Agrária e Anti-imperialista, apontávamos a necessidade da formação de uma frente única de todos os setores da produção e da vida nacional, vítimas da exploração do latifúndio, da grande burguesia e do imperialismo, e da opressão exercida por seu instrumento de poder e dominação, o velho Estado brasileiro

Ao entrarmos em contato com os artigos do Professor Adriano Benayon, vimos a possibilidade de estendermos uma sólida ponte entre o nosso projeto revolucionário como imprensa popular e democrática com as correntes nacionalistas de nosso país. Assim, os artigos assinados pelo professor Adriano Benayon passaram a ter lugar cativo a partir da edição de número 2 do AND.

Unidade e luta

Colocando a política no posto de comando, como nos ensinaram os mestres do Marxismo, sempre procuramos fortalecer a unidade sobre nossas convergências sem, entretanto, descurar de travarmos a luta sobre os pontos discordantes. Para fortalecermos ainda mais nossa unidade, muitos telefonemas foram dados, muitos e-mails foram trocados e muitas visitas foram realizadas.

Essa relação do AND com Benayon é a maior resposta aos que nos acusam de sectários, assim como é uma verdadeira lição para os mais jovens de como se faz uma imprensa revolucionária, centralizada em seus princípios e democrática no debate das ideias.

Democrata e nacionalista sincero

Como muitos que combatem a atual política de subjugação nacional imposta pelo imperialismo e implementada pelas classes dominantes lacaias e seu velho Estado, Benayon não era um comunista, entretanto, tinha com o programa da Revolução Democrática uma interseção bastante acentuada.

Ao mencionarmos alguns pontos de nossa unidade com Benayon desejamos, ao mesmo tempo, reafirmar nossa disposição de manter relação cada vez mais estreita com aqueles que defendem a independência e a soberania nacionais, sem abrir mão do debate em torno do caminho para conquistá-las.

Primeiro na caracterização do país como semicolonial-semifeudal, submetido ao imperialismo, principalmente ianque, como expressão da principal contradição no mundo atual, época da decomposição mais avançada do imperialismo, em que o USA se impôs como superpotência hegemônica única, o qual Benayon especificava como oligarquia financeira anglo-saxônica.

A questão da dívida com todos os seus componentes como empréstimos, juros, parcelamentos, serviços etc., por constituir-se no principal elo da cadeia de espoliação de nosso país, recebeu de Benayon uma especial atenção. Ele denunciou inúmeras vezes as armadilhas montadas, tanto dentro da Constituição de 1988 quanto na legislação ordinária, para priorizar o pagamento da dívida e seus derivados como, por exemplo, a Lei de Responsabilidade Fiscal e a famigerada Lei Kandir.

Outro elo dessa cadeia são os chamados IED (investimentos externos diretos) que Benayon definia como plataformas de incremento da dominação estrangeira pelo efeito da remessa de lucros.

AND sempre destacou a questão dos investimentos externos como uma das principais expressões do capitalismo burocrático imperante em nosso país. Capitalismo engendrado nos países atrasados pelo capital financeiro, através da sua fusão com capitais desses de origem feudal e logo com o Estado, conformando-se como capital monopolista de Estado.

Para contrarrestar o entreguismo praticado durante o regime militar e após o mesmo com o gerenciamento de Sarney, Collor, Itamar, Cardoso, Luiz Inácio e Dilma, Benayon, por diversas vezes, enalteceu as tentativas de Getúlio Vargas e João Goulart de limitar a remessa de lucros das transnacionais, inclusive, uma das causas dos golpes de deposição de ambos.

Nossa luta

A denúncia da farsa eleitoral como parte relevante da linha editorial do A Nova Democracia foi motivo de muitos debates, combatendo o que nós apontávamos como ilusão eleitoral do Professor.

Depois de vivenciar a própria experiência eleitoral como candidato a deputado federal, nas eleições de 2014, Benayon concordou conosco sobre o caráter farsesco das eleições no Brasil. Afirmou que nenhum candidato a presidência chega ao segundo turno sem se submeter expressamente à política de subjugação nacional. Ele relembrava o episódio do escanteamento de Brizola em 1989 para colocar Luiz Inácio e Collor no segundo turno e concluía que as transformações econômicas só seriam possíveis mediantes a substituição das instituições políticas, o que, no nosso entendimento, combina com a nossa posição de que somente uma Revolução Democrática poderá estabelecer uma nova política, uma nova economia e uma nova cultura para o Brasil.

Diante do exposto, com toda segurança, afirmamos: Companheiro Benayon, Presente na Luta!

 

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