Luta pela terra

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RO: aumento da repressão contra camponeses

Com informações da LCP de RO e Amazônia Ocidental

Na manhã do dia 14/06, por volta de 10 policiais fortemente armados do Grupamento de Operações Especiais (GOE) e do Núcleo de Inteligência do 2º Batalhão da PM – instalado no município de Ji-Paraná –, estiveram no Acampamento Jhone Santos de Oliveira, montado na “fazenda” Santa Aline, localizado no distrito de Rondominas, no município mencionado.

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Camponeses preparados para garantir sua área retomada

Na operação de “reconhecimento da área” e de “patrulhamento”, os policiais militares se aproximaram do acampamento através de uma fazenda vizinha, buscando vigiar e intimidar os camponeses que ocupam parte do latifúndio. Entretanto, os camponeses com os rostos cobertos para protegerem as suas identidades, não recuaram e se posicionaram na cerca, cantando canções e gritando palavras de ordem, demonstrando a firme decisão de permanecer na luta pelo direito à terra.

 De acordo com relatos de camponeses, ao saírem do acampamento, os PMs pararam em um morro, de onde dois tiros de arma de fogo foram efetuados para o alto. Além disso, os policiais estariam acompanhados por um pistoleiro da região.A Polícia Militar de Rondônia, em notícia divulgada em seu site, acusa a LCP de “intimidar” os policiais e de utilizar “táticas de guerrilha”, além de destacar que no acampamento as crianças são “exploradas” pelos seus pais e sofrem “maus tratos”.

Em nota, a LCP ressalta o conluio entre o latifúndio, os órgãos do velho Estado, principalmente as polícias (civil e militar) e a “justiça”, além do monopólio de imprensa, que caluniam, perseguem, criminalizam e assassinam os camponeses e suas lideranças.

A organização camponesa registra que está em curso em Rondônia “um plano orquestrado por latifundiários e agentes da segurança pública, levado a cabo pelo fascista Ênedy Dias [comandante-geral da Polícia Militar do estado], com o objetivo de exterminar a luta camponesa combativa. Criminalizam famílias que lutam por um direito previsto na Constituição Federal na tentativa de enganar a opinião pública e isolar estes lutadores de apoiadores. Este é o primeiro passo para justificar a repressão que se segue: com despejos, operações policiais e uma verdadeira caçada a lideranças camponesas. Este tem sido o novo modus operandi da PM, desde que Ênedy assumiu o comando geral, há 6 meses. Principalmente no Vale do Jamari, a população tem sido aterrorizada por grupos de extermínio compostos por pistoleiros e policiais”.

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A LCP finaliza a nota conclamando a todos os trabalhadores e trabalhadoras, professores, estudantes, pequenos comerciantes, intelectuais honestos e todos os verdadeiros democratas a se unirem na luta contra a tentativa de latifundiários locais, com o apoio ativo do gerente estadual Confúcio Moura (PMDB), de Ênedy Dias de Araújo e da “justiça”, de levarem o terror contra camponeses pobres e sua sagrada luta pela terra.


RO: corpo de dirigente do MAB é encontrado

Com informações do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)

O corpo da dirigente do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Nilce de Souza Magalhães, de 58 anos, foi encontrado no dia 21 de junho no lago da barragem da Usina Hidrelétrica de Jirau, em Porto Velho (RO).

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Nilce de Souza, mais uma vítima do latifúndio

De acordo com nota do MAB, trabalhadores da hidrelétrica descobriram o corpo, que estava com as mãos e pés amarrados com uma corda e ligado a uma pedra.

Como denunciamos em AND nº 164, Nicinha, como era popularmente conhecida, estava desaparecida desde o dia 7/1, quando foi avistada pela última vez no acampamento em que residia, que se localiza na altura do km 871 da BR-364, no sentido Porto Velho-Rio Branco, que abriga pescadores atingidos pela Hidrelétrica de Jirau, no rio Madeira.

No dia 15/1, a Polícia Civil havia prendido Edione Pessoa da Silva, de 26 anos, que confessou ter executado com tiros de espingarda calibre 20 a pescadora. Edione fugiu da Penitenciária Estadual Edvan Mariano Rosendo no dia 11/04.

Nicinha era uma liderança do MAB, conhecida pela sua luta em defesa dos direitos do povo frente às violações perpetradas pelo consórcio Energia Sustentável do Brasil (ESBR), responsável pela usina de Jirau, realizando ao longo dos anos diversas denúncias contra a hidrelétrica, além de participar de audiências públicas e atos.

Os familiares de Nicinha rechaçam a versão dada pelo assassino foragido, de que seu assassinato teria sido motivado por desavenças pessoais e afirmam que a sua morte foi encomendada devido a sua atuação política.


MG: Área Revolucionária Cleomar Rodrigues de Almeida

Com informações da LCP do Norte de MG e Sul da BA

No dia 13/06, as famílias camponesas guiadas pelo Comitê de Defesa da Revolução Agrária (CDRA) celebraram cinco meses da retomada das terras do latifúndio Pedras de São João, no município de Pedras de Maria da Cruz, no norte do estado de Minas Gerais (MG), onde o dirigente camponês Cleomar Rodrigues de Almeida foi covarde e brutalmente assassinado por pistoleiros e policiais a mando dos latifundiários em 22 de outubro de 2014.

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Celebração dos 5 meses da área revolucionária

Desde 2008, os camponeses pobres de Pedras de Maria da Cruz, organizados pela LCP, lutam pela desapropriação do latifúndio, com mais de 5.800 hectares, situado na margem do Rio São Francisco. As terras retomadas constituem hoje a Área Revolucionária Cleomar Rodrigues de Almeida, justa homenagem a quem verteu o seu suor, sangue e vida por essa terra.

Nesta área já se realizou o Corte Popular, com a entrega de parcelas de terras para quem nela vive e trabalha. Área em que as famílias camponesas se organizam e trabalham coletivamente para construir os barracos, o estacionamento, a horta, a cozinha, o barracão da assembleia, os banheiros públicos, as estradas e agora estão construindo casas.

Essas conquistas foram obtidas através de muitas lutas e sacrifícios, sem ilusão com o velho Estado e suas instituições, tal como a “justiça”, que escancara o seu caráter de classe quando libera Marcos Gusmão e Marcos Aurélio, participantes do assassinato do Cleomar, e quando não julga e pune outros executores e os mandantes deste crime. Ou como as forças policiais, que não investigaram o ataque sofrido por José Osmar Rodrigues Almeida – presidente da Associação e irmão do Cleomar –, atacado no dia 19/01.

A reocupação das terras do latifúndio é a manifestação concreta da consigna do 8º Congresso da LCP de Norte de Minas e Sul da Bahia: Contra a crise: tomar todas as terras do latifúndio!

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