Oportunismo e oligarquias unidas para salvar o velho Estado

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Nem bem Temer esquentou a cadeira como gerente semicolonial interino, os escândalos pipocam a todo momento, não passando um fim de semana em que não fiquemos na expectativa de que escuta envolvendo algum alto dignitário dessa república de fancaria vazará na segunda-feira.

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Sucessivos gerentes de turno da semicolônia Brasil e membros do Partido Único

Apesar disso, ao invés de aproveitar o momento para atacar a gerência que chamam de golpista, o oportunismo eleitoreiro cerra fileiras em torno das velhas oligarquias de sempre para salvar o velho Estado e a farsa eleitoral. Não era de se esperar, deveras, o contrário.

Coisa velha

Tais arranjos para salvar o sistema não são novidade, principalmente em se tratando de PT/Pecedobê e as siglas do partido único que eram oposição à gerência Dilma.

Basta lembrar da CPI da Petrobras, em 2014, concluída sem encaminhar o indiciamento de absolutamente nenhum político, graças a um enorme arranjo para que não fossem chamadas pessoas -chave no esquema e não fosse incriminado nenhum figurão.

O mesmo aconteceu na CPI dos Correios e na CPI do Cachoeira, o bicheiro goiano que tinha todo mundo na mão. Como em toda CPI, essas também não concluíram pelo indiciamento de nenhum parlamentar.

Em todos esses casos, as diversas siglas do partido único desfrutavam de duas posições em comum:

1 Estão todas envolvidas na corrupção sistêmica do velho Estado brasileiro, que é o que move as campanhas eleitorais milionárias e a prática do ‘toma lá, dá cá’ que caracteriza as relações entre o Executivo e o Legislativo.

2 Estão também todos mais preocupados em que não se desmorone o pouco que resta do desmoralizado sistema político para que se construa em cima do que sobrar algum projeto de uma fração qualquer da burguesia, não importa qual seja. É aí, principalmente que se revela a verdadeira face do oportunismo eleitoreiro, que posa de vítima de “golpe”, mas age para resguardar toda a engrenagem que o apeou da gerência do Estado.

Afinal, de que maneira lhe seria permitido se reconstruir enquanto opção viável do imperialismo para voltar a gerenciar os interesses do latifúndio, dos bancos e dos monopólios transnacionais?

Janot pede prisão

No início de junho, após a divulgação de conversas gravadas pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, com Sarney, Romero Jucá e Renan Calheiros, nas quais todos tramam para barrar a Operação Lava Jato, o procurador Rodrigo Janot pediu ao STF a prisão dos três capi peemedebistas.

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Enquanto os militantes restantes e “apoiadores críticos” do PT cometiam ousadias na internet comemorando o fato, os senadores petistas articulavam para que os pedidos de prisão não prosperassem, já que mesmo se aceitos pelo STF, deveriam ser aprovados pelo plenário do Senado.

Ainda no mesmo dia do pedido de prisão, após manifestação indignada, como deveria ser, de Renan, o senador Jorge Viana declarou: “Eu queria cumprimentar vossa excelência pela serenidade, firmeza e senso de responsabilidade com que vossa excelência, ainda há pouco, se dirigiu à nação e a todos nós, seus colegas aqui do Senado”.

Sabe-se ainda que a própria Dilma telefonou a Renan para prestar solidariedade. Claro, o PT ainda deposita um fio de esperança na lealdade de Renan, o condutor da comissão que julga o impeachment, mas no caso de afastamento de Calheiros, seria Jorge Viana o seu substituto. Muito mais conveniente, não? Só que não.

“Acordo de leniência partidário”

Entretanto, mais uma evidência de que o oportunismo eleitoreiro está mais preocupado em salvar putrefato sistema eleitoral foi a revelação feita pela Folha de São Paulo, no dia 13 de junho. Segundo o jornal, José Dirceu e João Vacari Neto estariam sugerindo a correligionários que o PT fizesse um “acordo de leniência partidário”.

Embora o próprio Dirceu tenha negado isso, seu advogado, Roberto Podval, havia admitido: “Não sei se foi o Dirceu que pensou nisso, mas ele defende. Pensamos nessa possibilidade e em outras. A ideia é passar uma régua na história do PT, assumir a culpa e fazer com que isso reflita nas pessoas físicas”.

O pulo do gato aí é que a proposta se estenderia a todos os partidos envolvidos em corrupção, que pagariam seus pecados, por assim dizer, e continuariam existindo como antes. Note-se que a proposta não beneficiaria Dirceu pessoalmente, mas é mesmo uma tentativa de dar sobrevida ao sistema.

A ‘brilhante’ ideia de FHC

De seu sarcófago, FHC sai de vez em quando para publicar artigos e cometer entrevistas no monopólio de imprensa.

Responsável pelo maior desmonte do patrimônio estatal brasileiro da história, continuado pelos subsequentes gerenciamentos petistas, recentemente Cardoso publicou artigo intitulado “Luz no fim do túnel?” (The Globe, 5 de junho. Ver mais sobre na página 3 da presente edição de AND), onde se lê:

“Não foram só um governo e o partido que o sustentava que desmoronaram. Há a implosão de todo um sistema político-eleitoral que aparta o Congresso, os partidos e mesmo o Executivo do sentimento popular”.

E em troca de quê o príncipe dos sociólogos diria uma obviedade dessas se não fosse para tecer uma entediante arenga sobre uma reforma política capaz de tirar a velha política do buraco.

E é claro que, no mesmo sentido das iniciativas petistas, o prócer do PSDB defende que, além da própria sigla, PT e PMDB (que segundo ele foram os únicos que “se propuseram a ‘liderar’ o país”) trabalhem na reforma política. Ainda segundo FHC, esses três grupamentos seriam os únicos que chegariam perto de sua definição de partido: “um partido não pode ser apenas uma organização nem um lobby. Precisa defender valores, ter uma mensagem que mostre sua visão do país e da sociedade”.

Mais adiante, Cardoso, “localiza” o problema: o chamado Centrão: “expressão que caracteriza os agrupamentos de pessoas e interesses clientelísticos, ‘fisiológicos’ e corporativistas, que, sem terem um projeto político nacional, mantêm a sociedade amarrada ao reacionarismo político e cultural”. Ou seja, para ele o centrão é o culpado pelas mazelas do país, ao passo que PSDB, PMDB e PT são a solução. Mas, não seria esse mesmo centrão, cuja personalidade mais proeminente é Eduardo Cunha, aquele grupo cevado nas migalhas do imperialismo servidas por esses mesmo partidos “essenciais” mencionados por FHC?

Importante que neste mesmo artigo, FHC se apressa a dizer que: “Estruturas políticas (como as econômicas e as sociais) não mudam de repente nem o fazem em sua totalidade, salvo em momentos historicamente revolucionários, o que claramente não é o nosso caso”. Pois bem, ficamos aqui a pensar o que mais é necessário, do ponto de vista objetvo, para que pelo menos se fale em revolução no Brasil.

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