Notas América Latina

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Sobre as FARC e os ‘acordos de paz’

Jailson de Souza

Na última edição de AND (nº 172), já havia sido noticiado a conclusão das conversações de paz entre o velho Estado colombiano e a direção das FARC rumando a um “acordo de paz”, anunciado oficialmente em Havana no dia 23 de junho, cujo conteúdo é a capitulação, desarmamento e desmobilização dos grupos guerrilheiros que estão sob o mando das FARC. Prosseguimos agora com uma abordagem mais completa sobre o tema.

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O gerente federal colombiano e o líder das Farc apertam as mãos na frente de Raúl Castro

Os grupos guerrilheiros das FARC — “Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Exército do Povo” — surgiram na década de 1960 como resultado da agudíssima contradição entre a massa de camponeses pobres sem terra e o latifúndio, tendo forma de guerrilha camponesa. Sem uma direção capaz de alavancar a luta ideológico-política e dar-lhe consequência revolucionária, os grupos guerrilheiros sempre tiveram desvios militaristas e um caráter de revisionismo armado.

Prova desse revisionismo é que, embora sustentando durante largas décadas uma luta armada, esta sempre teve o papel de pressionar o velho Estado colombiano para que este realizasse reformas que visassem uma “abertura democrática”, tais como a reforma agrária, ‘democratização das forças armadas’ e demais medidas democráticas e populares. Só que tais medidas demandam e dependem de uma Revolução Democrática e não do velho Estado, pois sabe-se que um velho Estado serviçal do imperialismo (tal como o colombiano) não é capaz, não pode sê-lo e não tem o propósito de realizar tais medidas, porque isso seria sua própria negação.

Sem construir novo Poder mediante guerra popular dirigida por um Partido Comunista maoísta, consolidando a Revolução de Nova Democracia ininterrupta ao socialismo, que destrói por completo o velho Estado semifeudal e semicolonial, as guerrilhas só poderiam mesmo servir de objeto de negociação e moeda de troca de uma direção revisionista e capitulacionista.

Na história dos grupos guerrilheiros colombianos similares às FARC, muitas negociações de paz foram levadas a cabo.

Em 1984, Belisario Betancourt, à época gerente de turno do velho Estado colombiano, logrou iniciar e dirigir o processo pela conformação da ‘União Patriótica’ (legenda eleitoreira que reunia toda a esquerda oportunista e revisionista) como centro da estratégia do imperialismo ianque por desmobilizar as lutas armadas na América Latina. Tal processo foi concluído em 1985 com a legalização desta sigla e desmobilização parcial de vários grupos guerrilheiros.

Partindo daquela ocasião, foi levada a cabo uma verdadeira campanha de extermínio de militantes e dirigentes de diversos grupos guerrilheiros colombianos pelo velho Estado, como o M-19 (principal alvo daquela campanha), com mais de 3.000 mortos anos a fio, incluindo dois candidatos à presidência pela sigla UP, Jaime Pardo Leal e Bernardo Jaramillo Ossa. Apresentou-se aí com sangue a lição de que não há de confiar no velho Estado, lição não aprendida pela direção das FARC conforme demonstrado recentemente. Tudo indica que se repetirá a história com outros personagens.

Hoje, completamente desgastada pela própria barreira que impõe o revisionismo e o caráter pequeno-burguês armado das FARC, tudo indica a morte deste grupo enquanto grupo guerrilheiro. Com isso, a tendência que já vinha ocorrendo e fermentando em suas bases, é de que com a capitulação da cabeça do revisionismo armado, surjam outros grupos reivindicando o caminho da luta armada e contribua para que a luta ideológica no seio das organizações revolucionárias do país se aprofunde e permita que as posições científicas do proletariado possam triunfar e dirigir estas lutas.

Destaca-se o papel reacionário que jogou o revisionismo cubano como serviçal do imperialismo ianque, cumprindo seus planos estratégicos que consiste em canalizar tudo para o campo burocrático da farsa eleitoral, sendo há muito o porta-voz das “propostas de paz”, anfitrião e ‘mediador’ deste episódio nefasto.

Já assinalou magistral e claramente o Presidente Mao Tsetung, cujas palavras vale destacar uma vez mais: “’Fazer a guerra é sobreviver, concluir a paz é perecer’, é a conclusão dos partidários da Resistência”, e, não menos importante: “Mesmo que os capitulacionistas que conspiram pela rendição consigam passar temporariamente para a mó de cima, eles não conseguirão mais do que acabar desmascarados e punidos pelo povo”.

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