Do clássico ao popular

Pianista, compositor, arranjador, Leandro Cabral não se cansa de lutar pela música de alta qualidade. Vivendo música desde bem pequeno, Leandro usa o ensino musical para passar o que sabe e somar mais pessoas com o mesmo objetivo, enquanto divulga seu primeiro álbum, o EP Sobre Tradição, e se prepara para lançar seu segundo trabalho ainda este ano.

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— Comecei a estudar piano clássico aos sete anos de idade, e o contato musical na primeira infância foi primordial para mim. Conheci o piano popular por volta dos 13 anos, o sistema de cifras e a liberdade na interpretação e construção dos encadeamentos. Me apaixonei e nunca mais larguei — fala.

Leandro se aprofundou nos estudos de piano popular a partir dos 15 anos de idade, na Fundação das Artes de São Caetano do Sul, dando continuidade na faculdade. Ele é natural de Santo André (SP).

— Existem diferenças entre as duas escolas de piano, clássica e popular: a popular se baseia principalmente nos pianistas de jazz e aqui no Brasil, Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth criaram as bases; enquanto que na tradição europeia o pianista se detém mais em questões de interpretação — explica.

— No piano popular a composição, arranjo e interpretação podem se misturar com facilidade. Contudo, vejo as duas escolas como atributos diferentes do mesmo instrumento — expõe.

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— Existem muito mais elementos que unem o piano clássico do piano popular do que os separam, e o piano, por sua vez, está a serviço da música. Sendo assim, procuro me banhar nas duas fontes, que na verdade é apenas uma — continua.

Leandro leciona piano popular na Faculdade Souza Lima, em São Paulo. E já participou de oficinas importantes, como ‘O Piano Brasileiro na Casa do Núcleo’.

— A Casa do Núcleo é um encontro anual idealizado e produzido pelo grande pianista Benjamin Taubkin. A ideia é se ter uma mostra da produção atual dos pianistas de destaque no cenário nacional. Se realiza através de concertos e oficinas — diz.

— O piano brasileiro tem muitas vertentes, seja mais clássica ou mais popular, seja mais nacionalista, jazzista ou com influências diversas. Isso fica muito claro nos eventos da Casa do Núcleo — continua.

— Meu trabalho solo tenta estar dentro de uma fusão entre ritmos brasileiros, improvisação e liberdade jazzísticas, e uma certa introspecção do jazz europeu. Adoro o pulsar das claves de música regional brasileira, vibro com Bill Evans e Herbie Hancock. Tord Gustavsen, Bach ou Debussy me arrebatam. É impossível falar do que gosto mais — declara.

Ele adquiriu uma ampla experiência como músico tocando nas noites de São Paulo.

— Toco na noite há mais de 15 anos. Felizmente quase sempre pude trabalhar com repertório de jazz, bossa nova e MPB de alto nível. Acredito ser de fundamental importância para o músico instrumentista ou cantor ter essa vivência — fala.

— Com o advento dos DJ’s e, posteriormente, MP3, Youtube etc., a música ao vivo perdeu muito público. Isso é um problema sério de nossa sociedade atual, e não é só musical, mas cultural. Infelizmente é um fenômeno que acomete todo o mundo — constata.

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